Sim, nós (também) podemos!

E, finalmente, ontem o Presidente Eleito Barack Hussein Obama tomou posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América. (Em português – parte 1, parte 2 e parte 3)

O país com a mais longa e sequencial democracia do planeta, elegeu seu primeiro presidente negro da história. Mas a vitória de Barack Hussein Obama, como vocês podem ter lido e ouvido ao longo da semana e dos meses passados, vai muito além disto.


Vista aérea do Capitólio lotado, durante a posse de Barack Hussein Obama – Washington, DC – EUA

Ano passado conversei algumas vezes sobre toda a simbologia que envolve a figura de Obama. Assistindo a posse ontem e vendo a reação das pessoas na rua, seu discurso e todos os demais acontecimentos deste hitório dia 20 de janeiro de 2009, não pretendo exaurir, mas comentar alguns dos temas mais importantes sobre Obama.

Barack Obama venceu esta eleição mostrando estar muito bem preparado e bem assessorado. Sua campanha foi perfeita (palavra de vários publicitários). O momento histórico o ajudou: duas guerras não solucionadas (Afeganistão e Iraque), uma crise financeira sem precedentes desde 1929 e um dos mais atrapalhados e odiados presidentes em exercício, George W. Bush.

Obama reacendeu, primeiramente, a auto-estima e a vontade de mudança para melhor em seu povo. Em sua campanha, ele apanhou, bateu pouco (até menos do que eu imaginava ser o necessário) e seguiu praticamente o tempo todo com o mesmo tom. A mudança era possível e esta era a hora dela acontecer.

Menos de 46 anos depois do discurso de Martin Luther King Jr, em que ele dizia

"(…) Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter"

e 54 anos depois de Rosa Parks negar ceder seu lugar no ônibus a brancos (causando sua prisão e posterior organização de um boicote aos ônibus urbanos, os Estados Unidos elegem um homem negro para seu mais alto cargo administrativo. Historicamente, não se passou um segundo.

Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos reconhecem que há um grande problema racial. É histórico e continua sendo um problema. Mas é encarado como tal. No Brasil, finge-se que não há segregação racial, que somos uma mistura que vive harmonicamente, mas ao se olhar a bancada nordestina da Câmara dos Deputados, com seus 5% de deputados negros (sim, no Nordeste, onde a população negra está em torno de 70%), vê-se que estamos tapando o sol com peneiras.

Ele é um rosto diferente para o resto do mundo. Mandou congelar os julgamentos de Guantánamo. Pensa em acabar o embargo a Cuba. É diplomático e busca um governo de unidade nacional, entre republicanos e democratas. É inteligente, estudou nas melhores escolas e Universidades. Viveu uma realidade dura, mãe solteira, criado pela avó, pai estrangeiro e alcoólatra, uma multiracialidade num país segregador. Mesmo assim ele contruiu sua identidade, foi o primeiro presidente negro da Harvard Law Review (uma das mais importantes publicações jurídicas dos EUA), casou-se com outra graduada em direito de Harvard, Michelle e, após o primeiro mandato como Senador dos EUA, tornou-se presidente.

Mas saiamos da questão racial um pouco. Obama é renovação de verdade! Aos 47 anos de idade, representa uma cisão com os governantes de até então: ele não lutou a Guerra do Vietnã.

E antes que este post vire uma coisa abissal, vamos a uma das principais questões a se considerar com esta eleição, ao meu ver. Parece repetitivo por parte deste blogueiro, mas Obama é produto da educação!

O primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, é também o primeiro presidente que ambos os pais possuem doutorado. É um acadêmico, lapidado pela educação, casado com uma acadêmica. Ele é a prova de que todas as camadas sociais de quaisquer sociedades, podem (e devem) usar a ferramenta da educação como instrumento para o progresso.

O excesso de esperança depositado no presidente pode levar a uma grande frustração futura. A priori, vale levar em conta a mitologia e simbologia criada em torno de Barack Hussein Obama. Jovem, negro, carismático, diplomático, orador fervoroso, acadêmico. Não há como se saber se ele será a solução para a Crise atual, os conflitos vários ao redor do mundo, aquecimento global e mudança climática entre outros problemas.
Mas culturalmente, ele já representa uma vitória para o mundo. Um passo a mais para o reconhecimento global de que somos uma espécie igual, em um mundo diferente, com problemas reais e que devem ser solucionados. Um passo a mais para a mudança.

Espero poder falar mais sobre o assunto em breve. Esperarei a semana acabar, digerir um pouco mais a avalanche de informações desde ontem e fazer uma análise melhor sobre o discurso de posse do presidente Barack Hussein Obama.

Nós aqui, em terras tupiniquins, podemos aprender muito com isso. Sim, nós também podemos mudar! Sim, nós podemos renovar nossos quadros políticos e dar uma guinada histórica em nossa recentemente restabelecida democracia. E sim, nós podemos reaver nossa esperança em nosso futuro, educar nossas crianças e jovens e buscar um Brasil melhor.

Sim, nós podemos.

 

Um comentário em “Sim, nós (também) podemos!”

  1. Iaee André,

    Mais uma vez uma ótima postagem!!
    O obama acredito também que seja uma esperança para todos, não só pelas mudanças que ele pode influenciar no mundo inteiro, mas também um vontade de que todos queiram mudar em todos os aspectos e claro, para a melhor!
    Creio que as mudanças realmente viséveis surtiram em um lapso temporal de 2 anos no mínimo, pois mudar os rumos de governo assim de uma hora para outra é choque muito grande, mas aos poucos vai sendo ajeitada nos moldes dos líder.
    Vamos esperar e aguardo o próximo post em relação a este tema!
    Um abraço,
    Igor

  2. Andre, crerio que voce tem alguns pontos corretos, mas erra em algumas partes, ao acreditar que tudo esta resolvido porque eles tem um presidente negro. Isso e so o comeco, eu estou aqui e sinto na pele que os negros em varios lugares ainda nao sao bem vindos. Comcerteza nao veremos uma integracao racial muito forte no nosso tempo de vida, porem nossos netos terao a chance de mudar tudo novamente.Curti a noticia. Mas SO PRA VOCE NAO DIZER QUE EU NAO ENTREI AQUI SEU GEI!

  3. Eu não disse que tudo mudará da água pro vinho. Mas é bom seu ponto, Marcão!

    O mais importante é o símbolo, o papel que ele representa. Em menos de meio século, de total segregação, eles têm um presidente negro. E JOVEM!

    Isso não significa a cura de todos os males e preconceitos, entre outros. Mas isso significa MUITO.

  4. Em um mundo em que somos levados cada vez mais a não pensar, são momentos assim que levam às discussões – principalmente internas. De uma forma de outra, acaba dando esperanças aos negros de que vale à pena lutar por eles mesmos. E com certeza, qualquer pessoa pensará duas vezes antes de ofender alguém pela sua cor. A representatividade de um Presidente dos EUA é grande demais pra ser desconsiderada assim.

    Enfim, se não está funcionando, eu sou a favor de mudanças sempre.

  5. Que voce acha das politicas sobre meio ambiente que ele promete? Ou melhor, acho que voce deveria fazer um post destinado ao meio ambiente, visto que os problemas ambientais sao as principais causas da atual crise economica no mundo inteiro. E eu concordo com o Marcos, vivendo aqui a gente percebe que a realidade eh outra, principalmente num estado em que mais de 80% da populacao eh “branca.”

  6. Só li seu comentário hoje, Pipo! Anotado e em breve escreverei sobre o assunto sim. Coincidentemente, trabalhei e estudei muito sobre meio ambiente no ano de 2007. Acabei pegando gosto pela coisa.

    Uma visão muito clara do futuro que o novo governo estadnidense reserva para a política ambiental, se dará neste ano, em novembro (salvo engano), na cidade de Copenhague, na última das três reuniões que definirão o documento a ser adotado pós-2012, com o vencimento do Protocolo de Kyoto. Até agora, mesmo com o Bush travando tudo, os EUA deram claros sinais de que irão negociar de forma mais flexível.

    Para um presidente dos EUA, acho o discurso do Obama, em relação ao tema, MUITO bom. Se ele seguir na prática aquilo que vem falando, o mundo terá muito a agradecer nas próximas gerações.

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