Mudanças ou igualdade de fato?
André Dutra | 30 de janeiro de 2009 | 0:07Depois da posse do primeiro negro presidente nos Estados Unidos da América, o mundo parece estar vivendo um processo veloz de mudanças. Tal como a Tecnologia da Informação, que avança cada dia mais a passos largos, será que chegou a hora da política e da mentalidade política das populações ao redor do globo partirem para um pensamento menos centrado no que a elite vende (empurra goela abaixo) das pessoas?
Atenham-se ao fato de que não estou julgando as visões políticas ou se são bons ou maus chefes de Estado. O que importa é que eles são parcela da sociedade que sempre foi marginalizada ou, ao menos, ignorada politicamente. A não ser, claro, na hora do voto.
Ontem, dia 29/01/2009, o Presidente Obama assinou sua primeira lei. Trata-se de uma lei que Bush vetou! E trata-se de buscar atingir a igualdade, tÃo falada por políticos, mas tão pouco praticada. Afinal, no Brasil e no mundo, parece que temos pessoas "mais iguais" do que outras (por excesso de exemplos, deixo que os senhores e senhoras leitores pensem na infinidade de histórias que provam isto).
Agora uma nova notícia sai na imprensa: se juntando a estes Chefes de Estado que representam minorias sociais, a Islândia terá a primeira autoridade assumidamente gay a chefiar um Estado (em seu cargo máximo de hierarquia estatal). Johanna Sigurdardottir, de 66 anos, assumirá o cargo de Primeira Ministra da Islândia na próxima semana, após o atual premiê afastar-se do cargo, por pressão popular. No link, pode-se ver outras autoridades gays em exercício na política mundial.
Agora vem a questão do título do post: mudança ou igualdade? O mundo está mudando ou apresentando possibilidade de igualdade de oportunidade aos diferentes, tornando as pessoas mais iguais, independente de sexo, cor, credo ou quaisquer outros tipos de crenças e costumes culturais (ou mesmo pessoais)?
É lógico, meus caros, que essas mudnças não se dão de um dia para o outro. Porém, estes acontecimentos, em conjunto, vão ganhando peso. E mesmo que seja coincidência histórica (o que desacredito que seja), estarem acontecendo todos ao mesmo tempo, na mesma década, na mesma fatia histórica (início do século XXI), isso pode realmente representar que a mentalidade da sociedade civil internacional está caminhando para algo novo? Chegaremos ao ponto de conseguirmos nos definir simplesmente como humanos, iguais, porém diferentes (esta eterna contradição), vivendo em um só planeta e com igualdade de oportunidade, sem restrições ou regalias por ser deste ou daquele clã, por ter esta ou aquela cor de pele, por rezar para este ou aquele deus.
Num futuro (não muito distante, espero) conseguiremos avaliar o outro pela sua responsabilidade, competência, comprometimento e caráter? Existirá mais moderação e bom senso? Creio que esta realidade está longe, hoje. Já esteve mais, não faz muito tempo. Creio que hoje, as coisas estão, passo a passo, melhorando.
É um sonho. Martin Luther King Jr. tinha um sonho, para citar UM exemplo Ele não viveu para ver por si próprio, mas o sonho dele, foi concretizado. Espero que muitas pessoas compartilhem deste sonho, por um mundo melhor para todos. Quem sabe, um dia, não se realize?















Não, Luciana, pelo contrário!
No post em que falo sobre sua posse, deixo claro que uma das coisas mais importantes (ao meu ver) é que ele é jovem. Pra mim, ele é o candidato jovem E negro. E depois do meu ponto final, tem mais.
Outra coisa que eu sempre disse, e volto a repetir, é que o Obama é fruto da educação. Não apenas da educação escolar, mas também familiar. Altamente educado, bom senador, carreira limpa. Outros como ele, chegaram ao topo por seus méritos, não apenas representando minorias.
Novamente, este post se trata de um sonho, de ver as pessoas por seus méritos e suas boas ações, suas facetas pessoais, seja o caráter, honestidade, esforço em fazer o melhor etc.
De novo: ele é mais, muito mais, do que um presidente negro. Assim como Lula é mais do que um presidente que não tem ensino superior. Assim como Bush é formado em Yale e nem por isso é um estandarte da cultura mundial.
Por fim, o post se trata mesmo é de uma pergunta: mudança ou igualdade? E a igualdade que o post se trata é aquela, do sonho, que talvez eu não viva para ver, mas que está dando passos… pequenos, porém significativos. Alguns veem assim, outros não.
O que é isso! Eu não me dou ao luxo de avaliar muitas pessoas. Mas o que quero dizer é que me confunde ver que pouco importa a trajetória e realizações dessas pessoas pra chegar onde chegaram, porque o Obama, por exemplo, é o presidente negro e ponto. E me pergunto até onde isso pode ser chamado de igualdade.
Mestre Alex, bondade sua, meu caro! Fico feliz que esteja gostando e agradeço a participação! Realmente, acredito que a educação e a cultura rendem ÓTIMOS frutos para a sociedade apreciar, se satisfazer e beneficiar-se com estes!
Luciana, vc tocou num ponto muito, mas MUITO bom! Essas pessoas citadas (e outras omitidas por falta de espaço e até tempo, mesmo) sabem disso. O bom, é que elas ENCARAM isso. Um bom político tem que ter coragem, tem que estar com a cara estendida e saber que será testado, avaliado, rotulado e até “surrado” o tempo todo. E estes, mais ainda. E, mesmo assim, eles são pioneiros, eles são o primeiro passo de todo um conjunto de pessoas que pode vir a ganhar tal coragem futuramente. E além disso, essas pessoas podem ter o caminho mais facilmente percorrido depois de vitórias assim.
Não acredito que estamos elevando o nível de ofensas, mas sim começando a enxergar que as pessoas devem ser medidas pelo seu caráter… ou você, com a informação que nos chegou nesses últimos meses, avalia o Obama ou qualquer outro como “menores” em caráter do que a Sarah Palin (por exemplo) branca, elitista, criacionista, extremistas e um tanto de “istas” nada virtuosos?
O que eu quis dizer no fim do post, foi que quero sonhar (e sonho) no dia em que essas diferenças mínimas (pele, credo etc) deixarão de ser a primeira coisa notada nas pessoas (em grau relativamente mais importante, as pessoas públicas – políticas), mas sim o caráter, competência, etc…
E você se expressou muito bem, sim.
Ainda não tenho uma opinião totalmente formada sobre o assunto, preciso pensar mais alguns anos para me decidir.
Na minha percepção leiga do assunto, vejo um monte de brancos, letrados, heterossexuais bem-casados, todos aguardando o próximo passo em falso pra mostrar o tamanho do erro cometido. Como se dessem uma chance, onde as minorias tivessem uma obrigação de provarem ser melhores do que eles. E na verdade, o que eu espero é não que Obama seja visto como Bush, nem Lula como FHC. Mas o contrário.
E a prova disso é que pouco se fala do caráter ou da capacidade de cada um deles de comandar, e as manchetes ressaltam que um deles é “índio”, ou “gay”. Isso pra mim continua a ser discriminação. Nunca vi ninguém escrever que uma “mula” assumiu o Governo americano quando Bush ‘tava lá. E não deixaria de ser verdade.
A mudança começa muito de dentro, de como as pessoas se enxergam. Talvez o choque dessas denominações tragam à tona pensamentos dentro de cada um, mas por enquanto, acredito estamos apenas elevando o nível de ofensas.
(não consigo me expressar direito, nunca)
Caro André!
Confesso que já não visitava este espaço há alguns dias, mas que sensação agradabilíssima eu tive ao ver que você está produzindo tantos textos e com tanta qualidade! Você rapidamente vai consolidar o seu blog como parada obrigatória na vida do brasiliense formador de opinião. E, conectando esse seu texto ao meu sobre a parada cultural, temos na difusão da cultura uma importante ferramenta para que a sociedade realmente mude. E quem fala aqui é uma “vítima” desse processo. Pouco tempo atrás, eu não era muito dado à leitura. Mas quando descobri o encantamento que é assimilar a cultura, não parei de ler um dia sequer.
Forte abraço, mestre!