Mobilização virtual – aprendizado com Fora Sarney e vitória comentada

As primeiras manifestações do Fora Sarney foram marcadas para o dia 1º de julho de 2009, após eu ter mandado uma mensagem no twitter. As manifestações já passaram dos seis meses, desde seu início. Tiveram pontos altos, como as marchas nacionais (inclusive com participação de alguns artistas em várias capitais), até a prisão violenta e mordaz aos estudantes que protestavam no Senado (eu incluso) e a audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado para tratar sobre as violações aos direitos cometidas pela Polícia do Senado naquele dia. Tudo foi abordado e divulgado amplamente aqui no blog.

Seis meses depois, parece que fomos derrotados. Sarney continua não só Senador da República, mas ocupando a Presidência da Casa. Falei mais de uma vez a repórteres com que tive contato, que a velha raposa Sarney foi competente ao se blindar e a usar de todos artifícios coronelescos que ele tem na cartola. Usou até do bom conhecimento sobre política de Ulysses, tendo paciência, paciência e paciência. O fim de ano em conjunto com os escândalos do Mensalão do DEM, tiraram todo o foco do Senado e ele voltou a se esparramar em seu troninho.

Mas falei também, que tudo isso foi um amplo aprendizado para nós, sociedade civil e jovens insatisfeitos. O poder da internet é grande, porém claramente foi visto que não suplanta a iniciativa popular nas ruas. Outro e mais importante ganho que tivemos foi poder acabar com a imagem ilibada cultivada ao longo de décadas por este crápula. José Sarney morreria como o Homem que foi o primeiro Presidente da República civil após os anos de chumbo da ditadura, o homem que fez a ponte com os militares para e pela Democracia. Imortal da Academia Brasileira de Letras. Um bom samaritano que se manteve mais de 54 anos no poder. Após os escândalos e as manifestações nacionais contra Sarney, mostramos a biografia que ele realmente merece ter.

Sarney não terá oculta em sua biografia a grande mancha e retrocesso político que foi para nosso país. Ele é o homem que FUGIU de se defender de 11 (ONZE) processos no Conselho de Ética do Senado Federal; o homem que calou a Livre Imprensa; o vovô nepotista; o homem que viu a truculência da Polícia Legislativa que estava às suas ordens e nada fez para garantir os Direitos Humanos dos estudantes ILEGAMENTE e IMORALMENTE presos no Senado naquele dia 13/08/2009.

Em matéria ao Portal R7 (por Gabriel Mestieri), falamos mais sobre o que representou o Fora Sarney e sobre o papel da internet nas eleições de 2010. Vejam (clique aqui para ler no Portal R7):

Fundadores do “Fora Sarney” negam fracasso e dizem que internet vai fiscalizar candidatos em 2010
Para eles, protesto virtual não representou fracasso, mas “experiência”

Há cerca de seis meses, um protesto de moldes inéditos no Brasil incomodava o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Se nas ruas as manifestações eram tímidas, na internet um novo tipo de “grito” ganhava força: era o “#forasarney”, movimento na internet que tentava derrubá-lo do cargo.

Lutando contra escândalos, sendo o mais grave deles a revelação de que Sarney usava atos secretos para nomear parentes em cargos do Congresso, o presidente do Senado resistiu. Semanas depois, viu os protestos contra ele minguarem na rede. O estudante e funcionário público André Dutra, de 23 anos, que se engajou na luta contra Sarney, acha que faltou equivalência no “mundo real” das manifestações que ocorreram na internet.

– Se tivessem ocorrido manifestações de mil, 2.000 pessoas, as coisas poderiam ter sido diferentes. A pressão de um Conselho de Ética votando com o Senado lotado e as pessoas se manifestando seria diferente. A pressão popular faz com que o político pense duas vezes, ainda mais em ano precedente da eleição nacional. Faltaram conscientização e educação política [dos novos manifestantes da internet para isso acontecer]. O sentimento de comodismo prejudicou.

Dutra é um dos estudantes que no dia 13 de junho de 2009 ficou detido por cerca de seis horas no Senado. Levado pela Polícia Legislativa a uma sala na garagem da Casa, só foi liberado após a intermediação de parlamentares.

Apesar de não terem derrubado Sarney, as pessoas envolvidas nos protestos consideram que a experiência, longe de ser um fracasso, serviu para demonstrar que a internet é uma ferramenta com grande capacidade de mobilização política ainda inexplorada. É o que aponta o gaúcho Moah Souza, de 52 anos, um dos fundadores do site #forasarney.

– Esse movimento na web possibilitou que um número grande de pessoas que não tinha condições de participar encontrasse na internet um meio adequado para demonstrar sua revolta. Esse foi o grande o sucesso do nosso movimento. Nós inauguramos esse tipo de manifestação na internet.

Em 2010, Souza pensa que a internet pode servir para ajudar o eleitor a se informar e se conscientizar sobre seu voto.

– A internet servirá para que façamos denúncias de pessoas que não merecem voto, que estão comprometidas com seus projetos pessoais, com falcatruas. A luta do #forasarney continua, no sentido de ampliar a lista de pessoas que não merecem receber votos em 2010.

O estudante André Dutra concorda. Ele vê o Twitter como um recurso que pode aproximar os eleitores dos candidatos que receberão o voto. Como exemplo, o estudante cita o caso do deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido), que viu seu Twitter lotar de mensagens de indignação após seu nome ser envolvido em denúncias de esquema de corrupção no Distrito Federal.

– Vai ser a primeira eleição da internet de verdade no Brasil. Os candidatos e os eleitores vão usar Orkut e Twitter, e o político que estiver usando de uma maneira fingida não vai passar despercebido. A internet vai funcionar para aqueles que forem limpos e se mantiverem limpos. Quem deslizar não vai conseguir ficar.

A vitória pode ser interpretada de várias formas. Foi muito bom aprender e conhecer todos que conheci com este movimento. Mostramos que não estamos mortos. Esse ano será um ano para continuarmos lutando no virtual e no real, pois os dois devem coexistir e se amparar. Mas posso dizer com todas as letras que, mesmo com Sarney ainda ocupando a Presidência do Senado, me sinto com sensação de dever cumprido ao desmascarar para a História o que realmente ele é: tudo o que há de pior e de retrocesso para a política e o progresso do Brasil.

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