Água, o novo petróleo

Bem, vamos mudar um pouco o foco e falar de algo que todas as pessoas precisam: água. Em 2007 participei de várias atividades que tinham relacionamento íntimo com o meio ambiente, tais como o Comitê Especial de Trabalho Sobre Aquecimento Global, em Ribeirão Preto, o VII Encontro Verde das Américas (Greenmeeting), o I Forum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, além de simulações da ONU que envolviam o tema, como a Conferência das Nações Unidas para o Ártico e a simulação da Conferência de Poznań que foi a segunda conferência da ONU para tratar sobre o que sucederá o Protocolo de Kyoto no pós-2012, ocorrida em outubro de 2008.Ufa! Depois de tanto assunto ambiental na cabeça no ano de 2008, ainda trabalhei academicamente com isto, sendo que numa de minhas aulas eu participava de um grupo que fazia relatórios sobre o que andava acontecendo na área do meio ambiente, analisando, principalmente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Ano passado vi a Conferência de Copenhaguen ser um grande fiasco e frustração (excelente texto neste link). Acompanhei a Conferência de “perto” com informações de amigos que lá estavam e vimos, aos poucos, a Conferência afundando. Mais e mais mudanças climáticas vêm ocorrendo em nosso planeta e o homem e os Estados poderosos do mundo continuam a se valer do mesmo ritmo inconsequente de produção, insustentável e ganancioso. Vimos neste ano o terrível terremoto que praticamente destruiu o Haiti e outro terrível terromoto que abalou o Chile.

Hoje é o DIA MUNDIAL DA ÁGUA e muitas preocupações me vêm em mente, principalmente por nossa legislação ser tão conivente com a destruição e exploração  nacional e estrangeira de nossas riquezas naturais. Outros dois fatos, especificamente sobre água, me chamam muito a atenção: a “hidropirataria” e a morte por causa da poluição da água.

A hidropirataria já foi denunciada há 6 anos atrás, pelo jornalista Júlio Ottoboni no site eco21 tratam-se de navios internacionais que aportam no Brasil para descarregar e, na saída, saem com os porões cheios de água doce das fozes do Rio Amazonas. Por norma, os navios têm que andar com o que chamam de “lastro”, que em outras palavras nada mais é do que água que serve de peso usada quando um navio está descarregado. Nessa situação, seus tanques recebem a água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Esta água é lançada ao mar, quando carrega-se o navio.

Neste ano, de novo o assunto tornou-se pauta da mídia brasileira. Veja no vídeo e entenda as preocupações, não apenas com o roubo da água em si, mas com os grandes danos que podem acontecer ambientalmente, com a entrada de microorganismos marítimos no habitat dos rios:

httpv://www.youtube.com/watch?v=07hKwynFi2Y

Navio abastece seus reservatórios com até 600 mil litros de água amazônica. O interesse está na qualidade da água dos afluentes que formam os rios da Amazônia que será vendida no exterior. Outro motivo de preocupação é a entrada de microorganismos do oceano nos rios.

Além disse, uma notícia terrível de um relatório do PNUMA aponta que morrem mais pessoas anualmente por conta da água poluída e contaminada do que por TODAS as formas de violência, inclusive as GUERRAS! Anualmente morrem 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos. Cerca de 2 bilhões de toneladas de água são sujas diariamente. É tão impressionante, que eu deixo aqui a matéria completa:

A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira(22).

“A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras”, disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (em inglês, UNEP e em português, PNUMA).

Em um relatório intitulado “Água Doente”, lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas “zonas mortas”, sufocando recifes de corais e peixes.

O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e “mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.”

O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

“Se o mundo pretende… sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto”, disse o diretor da Unep, Achim Steiner. “O esgoto está literalmente matando pessoas.”

Outros dados, retirados da Revista das Águas (da Procuradoria Geral da República) alarmam ainda mais, pois apesar de abundante no Brasil, há grande grandes problemas de distribuição deste recurso. Além disso, há enorme escassez noutros países do globo.

Atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm água suficiente para suprir as suas demandas domésticas, que segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS é de 200 litros/dia. Estima-se que, em 30 anos, haverá 5,5 bilhões de pessoas vivendo em áreas com moderada ou elevada escassez de água.

Alguns eventos agravam o cenário tanto da oferta como da demanda de água doce no mundo, tais como o crescimento demográfico associado a padrões de consumo não sustentáveis. Estima-se que o crescimento populacional aumentou três vezes no decorrer do século XX, passando de 2 para 6 bilhões de habitantes. Nesse mesmo período, a demanda de água aumentou sete vezes, isto é, passou de 580 km³/ano para aproximadamente 4.000 km³/ano. Esses dados tornam-se relevantes na medida em que é previsto que a população mundial estabilize-se, por volta do ano 2050, entre 10 e 12 bilhões de habitantes, o que representa cerca de 5 bilhões a mais que a população atual6. Outro fator que agrava o cenário da utilização das águas no mundo é a gestão ineficiente dos recursos hídricos em basicamente todas as atividades antrópicas, como ocorre na agricultura, na indústria e nos sistemas de abastecimento público de países, onde o desperdício de água, como em algumas regiões brasileiras, é superior a 60%.

Nesse quadro de indisponibilidade de água doce, constata-se que a escassez hídrica já está instalada na Arábia Saudita, Argélia, Barbados, Bélgica, Burundi, Cabo Verde, Cingapura, Egito, Kuwait, Líbia, Jordânia e Tailândia, e poderá ocorrer em médio prazo na China, Estados Unidos, Etiópia, Hungria, México, Síria e Turquia7.

No caso do Brasil, que dispõe de cerca de 12% de toda a água doce do planeta, cerca de 89% do volume total estão concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde estão localizadas apenas 14,5% da população. Para as regiões Nordeste, Sudeste e Sul, onde estão distribuídos 85,5% da população, há disponível apenas 11% do potencial hídrico do país. Além da natural carência para o atendimento da demanda de abastecimento público e privado, esta heterogeneidade de distribuição das águas gera eventos críticos tais como cheias catastróficas e períodos cíclicos de secas.

A água é um recurso estratégico, um fator de segurança vital e nacional. Precisamos legislar sobre o assunto e proteger nossos recursos, pois temos a responsabilidade sobre esse imenso reservatório natural de recursos hídricos comportados no Brasil. É um bem de uso global, mas que é BRASILEIRO. Assim como o petróleo é um bem de uso global, mas é pertencente aos países produtores. O futuro em que a água será alvo de desavenças internacionais e outros conflitos não está longe. Na realidade, já existe em alguns países. O Brasil não pode ficar para trás, como em muitos outros assuntos. Precisamos mudar nossas atitudes desde já e em todas as esferas da sociedade.

A educação é o caminho mais claro para um futuro sustentável no Brasil, com uma sociedade atuante para preservar nossos recursos e com políticos que sejam compromissados com o Brasil e seu povo.

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Júlio Ottoboni


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