Um debate sem brilho, uma eleição sem cor…
André Dutra | 7 de agosto de 2010 | 3:43O título desse post é o resumo do que senti ao final do primeiro debate entre os presidenciáveis de 2002. Não sou muito antigo, votei pela primeira vez em 2002, mas me recordo quando eu ainda era novinho da campanha de Collor, Lula, Brizola, Maluf, Covas. e tantos outros candidatos. O que eu não vi e não lembro por conta da idade, o YouTube me propiciou o conhecimento depois. Está tudo lá, vale a pesquisa. Este post é uma análise pessoal.
Os debates da época de 1989 eram carregadíssimos por bandeiras e ideologias marcantes, mesmo com um vasto número de candidatos. Era a democracia despontando novamente no Brasil, dá gosto de rever! São momentos históricos, inesquecíveis e debatidos até hoje. Passando pelas batalhas Lula x FHC em 1994 (onde aind se teve Brizola e Enéas) e 1998 (também tinha Ciro) e pela vitória de Lula x Serra em 2002 (outros expoentes eram Ciro e Garotinho) e na eleição de 2006 onde tivemos também uma grande pluralidade com Cristovam Buarque e Heloísa Helena, chegamos num debate insosso entre quatro pessoas, sendo três bem parecidas e uma sem nada a perder.
Digo sim que essa eleição será difícil de diferir. Não falta apenas sal, faltam os temperos e demais acompanhamentos. Faltam bandeiras bem delineadas, idéias claras entre os “3 grandes candidatos”, já que Plínio de Arruda é claro, ao menos. Falta Brizola, falta Cristovam. Vejam porque falo isso:
Os poucos interessados no debate se sentiram como quem vai a um espetáculo com uma espectativa e sai dele frustrado. Digo poucos, pois o IBOPE mostrou que a maioria estava mais interessada em um jogo de futebol.
Marina se entregou ao makeup da Natura (de seu vice) e ainda mostra cambalear em seu preparo;
Serra se vestiu de Lula e fez um esforço quase sobre-humano para parecer só isso: humano;
Dilma ainda não mostrou fluência e segurança e se prendeu às leituras;
e Plínio era o único a bater em todos, acuado em sua auto-posição de discriminado entre os candidatos e com a sinceridade de quem não tem o que perder.
Tudo muito insosso, sem graça. E de novo me remete a Brizola, que não se deixava amedrontar e falava verdades dolorosas e necessárias e Cristovam, que não apenas fala o que o Brasil precisa, mas como fazer o que o Brasil precisa. Isso fica ainda mais claro quando revejo esses vídeos:
O sentimento que fica é de vazio, um vazio que sentimos quando sabemos que faltou algo. Faltou a paixão de Ciro, a visão de Cristovam e até mesmo a importância que deveria ter um debate destes, com gravidade exponencialmente aumentada depois de tantos escândalos Brasil afora. Simplesmente falta…
Se ainda não estiver convencido, sugiro que veja estes links com debates de presidenciáveis de eleições passadas (vale a pena assistir):
- Melhores momentos do Debate de 1989 (SBT)
- Debate Presidenciáveis SBT 89 – Parte 1
- Debate Presidenciáveis SBT 89 – Parte 2
- Debate: Collor x Lula (1989) – 1 de 2
- Debate: Collor x Lula (1989) – 2 de 2
- Detalhes “esquecidos” do debate de 89
- Debate Presidencial Band José Serra , Dilma , Marina Silva e Plínio – Parte 1 … Parte 2 … Parte 3… Parte 4… Parte 5… Parte 6… Parte 7… Parte 8… Parte 9.
E no fim, tudo estava fosco. Tudo estava cinza.


















