A paz pelo assassinato: a dicotomia estadunidense
André Dutra | 2 de maio de 2011 | 11:58Não poderia deixar de comentar sobre o caso que simplesmente bombou a madrugada toda.: Osama bin Laden morre em mansão no Paquistão e é enterrado no mar (vale dizer que foi bizarra essa história de enterrá-lo nessa rapidez, no mar e com a justificativa – ainda que plausível – dos ritos islâmicos para o tratamento do corpo). Depois de algumas discussões via Facebook e Twitter, resolvi compilar aqui uma breve opinião.

Osama bin Laden
Proliferar paz com assassinato não é uma dicotomia muito “estranha”? O que a morte de Osama bin Laden tem a ver com disseminação da paz mundial? Morre um terrorista, nascem vários outros, o problema é muito mais sistêmico e profundo. Como se esquecer que lá atrás, na década de 1980, bin Laden e os talebãs foram armados, treinados e financiados pelo Governo estadunidense? Até apareceu uma figura que representaria a ele em Rambo 3 e em um final alternativo, John Rambo integra as forças rebeldes afegãs (abaixo)! hehehe.
Tudo vai pelo viés, pela lente em que se vê o fato. Diz-se que o vencedor é quem escreve a História. Entendo, perfeitamente, a alegria do povo dos EUA com a morte de Osama. MAS, daí a se ver (e vender) isso como um ato de paz., o papo muda.. os EUA disseminam ódio e terror há muito tempo. De uma forma diferente dos terroristas da Al Qaeda, mas disseminam. Já dizia o ditado “Quem planta vento, colhe tempestade”…

Mansão onde bin Laden foi morto
Os EUA pagam o preço por ser a potência hegemônica mundial. Um preço para manter o capitalismo como sistema em expansão entre os países e para levar a “democracia” além de suas fronteiras. É um preço que a elite paga. Hoje se tem como preço o medo, a paranóia, as guerras etc. Eles não são obrigados a isso, mas é por esse caminho que definem sua estratégia para continuar como a potência solitária no planeta: se autodeterminar os xerifes do mundo.
Ora, o grande xerife com sua estrela cintilante pendendo no peito tem autoridade para fazer e desfazer. Matar um terrorista mundialmente procurado é problema? Seria um problema se o xerife quisesse resguardar os direitos da humanidade e se pronunciasse contra a barbárie e a carnificina, pondo a Lei e a Justiça como os grandes pilares da sociedade. Osaminha não poderia ter, então, um julgamento e sentença? Mesmo que fosse aquele teatrinho a lá Saddam Hussein no Iraque ou os tribunais de Nuremberg depois da II Guerra Mundial? Veja lá, minha intenção não é a de defender nenhum dos ditadores, terroristas ou seja lá como queiram chamá-los (prefiro continuar a designá-los ditadores e terroristas), mas sim de manter a coerência no discurso com a prática adotada.
Vejam aqui como foram alguns comentários feitos por um paquistanês no Twitter, que alega relatar a movimentação da operação que culminou com a morte de Osama bin Laden.
Vi a “felicidade” de muitas pessoas em comentários aqui na internet, no trabalho e na rua… mas felicidade porque? Isso vai realmente melhorar o mundo? Há ingenuidade suficiente pra se achar que os talebãs, a Al Qaeda ou sei lá quantos outros grupos venham a surgir no futuro só consigam ser operacionais com Osama ou sem Osama, com fulando ou com ciclano? Não fico feliz e nem triste, fico preocupado como as coisas são facilmente empurradas goela abaixo. E o “engraçado” é que tudo foi feito de uma forma que deixa toda essa história cheia de gargalos, questões mal respondidas e transforma isso tudo em um grande circo, uma nova teoria da conspiração. Vide a Globo News e outros veículos de comunicação exibindo uma montagem feita pelo site 4chan como se fosse o corpo de bin Laden.
Íntegra do discurso de Obama
Não suporto golpismo e Justiça com as próprias mãos. Matar à revelia seria crime contra a humanidade, violação dos Direitos Humanos. Mas nunca é, quando se trata do vencedor (seja ele quem for). Agora, enterrado no mar, como se terá provas sobre a morte dele? Ele foi executado, tiro na nuca? Morreu durante o tiroteio? Poderia ter sido capturado vivo e levado a julgamento? Não se dissemina paz, semeando ódio.
Mas no fim, fica aquela: “Ao vencedor, as batatas”.














Direitos humanos para quem matou declaradamente 3 mil pessoas? Em que mundo tu vive? Que grande xerife? Vc anda assistindo muito filme…Provavelmente nao tem corpo porque os marines devem ter feito picadinho dele….
Acho que vocês (não é nada pessoal hehe) que adoram ‘politicar’ sobre temas controversos esquecem de tentar enxergar os diversos pontos de vista. Quem sabe esse enterro não foi uma maneira encontrada para evitar a peregrinação e o culto ao corpo, quem sabe a retirada do corpo para alto mar e o ‘sepultamento’ tenha sido porque carregar o corpo para águas internacionais seja extradição, e sabemos que para isso a ‘briga’ é maior, quem sabe um monte de coisa.. Seus textos são bacanas porém é uma grande compilação do dito popular. Quem quer tomar a frente, deve estar a frente.
e qual seria a solução diante do texto que você propôs?
Muito sensata a argumentação, é um ponto de vista a ser trabalhado. Porém, creio que este episódio não se trata de uma tentativa norte-americana de promover a paz e/ou acabar com o terrorismo. Todos sabemos que Osama Bin Laden deixou o posto de líder da Al Qaeda logo após o 11 de Setembro (afinal se transformou no maior alvo mundial e se continuasse como líder acabaria comprometendo todo o front) e se tornou um líder simbólico. Logo, a caça (ao meu ver esta é a palavra mais adequada para definir todo o processo que resultou em sua morte) que os Estados Unidos iniciou não visava destruir a Al Qaeda ao destruir seu líder, e muito menos pretendia acabar com o terrorismo. Pretendia de fato encerrar um capítulo da história do país que se iniciou em 2001. E assim o fez, vingou-se, saciou a sede da população de classe média (afinal são estes e não a elite que sustentam o país), sobrepôs a morte de Osama ao gigantesco problema econômico, respirou fundo e tomou folego para a reeleição.
Ou seja, o pretendido foi alcançado, o que virá a seguir viria de uma maneira ou de outra (se a Al Qaeda tivesse reais condições para tal, explodiria os Estados Unidos todos os dias) e com o episódio talvez se intensifique. Mas não teremos uma intensificação do terror, tão pouco o estabelecimento da paz.
Quanto ao corpo, concordo com você. A maneira como foi tratado, apesar de respeitar as leis islâmicas, trará centenas de dúvidas para a própria população islâmica, da mesma forma que para o resto do mundo e nunca se saberá ao certo o que de fato aconteceu. A versão norte-americana é apenas uma e só saberiamos a outra se o corpo fosse submetido a uma autopsia ou algo que o valha.
E em relação ao julgamento, “quem pode mais chora menos”. Eu não conheço nenhum Estado coerente, não sejamos ingênuos esperando que isso venha logo dos Estados Unidos.
Finalmente alguém falou isso. Podem até chamar de teoria da conspiração, mas essa história da morte de Osama tá muito mal contada. É um disse me disse que não transpira confiança alguma. Quanto à paz com a morte do Osama é igual achar que a corrupção vai acabar depois que decobriram o mensalão entre diversos outros exemplos.
Schöner Artikel, da werd ich wohl gleich mal nen Bookmark anlegen.