Ao povo, as baratas!
André Dutra | 10 de setembro de 2011 | 19:49Em seu livro “Quincas Borba”, o personagem-título de Machado de Assis conta para Rubião a história de duas tribos famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com as energias repostas, os vencedores poderiam transpor as montanhas e chegar a um campo onde há uma grande quantidade de batatas para alimentá-los. Então, Quincas Borba finaliza: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.
Saindo da ficção e vindo para a realidade, vemos no DF hoje uma situação em que o Estado, bem alimentado, trata seu povo sem o mínimo de compaixão, mas com grandes nuances de ódio. Isso porque o Estado que deveria nos proteger e servir, há muitos anos se serve do povo e subverte todo o sentido de sua própria existência. No último 7 de Setembro, entretanto, o povo mostrou que ainda está acordado e não apenas pode, como deve e está pronto para cobrar por mudanças ao gritar contra a corrupção no Dia da Independência!

Marcha Contra a Corrupção – 7/9/2011
Hobbes dizia que o Estado deveria ser forte, autoritário, para que protegesse o povo dele mesmo. Sua famosa frase “o homem é o lobo do homem” remete ao perigo que a sociedade estaria submetida sem um Estado que controlasse parte de nossas liberdades, por meio de Leis, normas e punições. Mas o mesmo Hobbes diz que se esse mesmo Estado é capaz de cair, quando não for capaz de manter a segurança de seu povo. O “soberano” ou ditador, não existe de fato no Brasil, muito menos no DF, mas nossas autoridades que constituem o Estado não estão fazendo sua parte em relação à sociedade. Não estamos protegidos, não temos saúde, educação e até nosso direito de ir e vir está ameaçado às mais perversas e indignas condições, como podemos ver pelo vídeo abaixo:
Esta é a hora em que temos que continuar a agir e reagir. É a hora de cobrarmos aquilo que nos é prioridade, mesmo que as outras ações do Estado também sejam importantes, como algumas obras e investimentos. Mas a prioridade máxima é a proteção e dignidade dos nossos cidadãos, que exigiram no voto um “Novo Caminho” primeiro para a Educação, Saúde, Segurança e Transporte e não esse caminho sinuoso e desvirtuado em que estamos hoje.
Só assim para sairmos dessas condições nojentas de vida em que estamos. Afinal, o DF deveria ser o grande exemplo social para todo o Brasil. E só atingimos o status de exemplos de como não fazer, não ser e não seguir. O Estado está de olhos fechados para a população e temos que fazer alguma coisa. Até quando teremos situações de tamanho descaso como a queda da “Batcaverna” na Ceilândia, uma verdadeira crackolândia esquecida pelas autoridades?
Que ao nosso povo, possamos dar as batatas de uma Educação integral de qualidade e igual para todos, segurança e qualidade de vida, Saúde humanizada e universal, transporte digno, rápido e barato; além de oportunidades para que todos possam ter uma vida mais feliz.
Mas por enquanto, ao povo, somente as baratas do descaso.














Mas as baratas e o lixo é consequência de um povo porco e mal educado. Uma vez vi uma mulher jogando lixo no chão do ônibus e virei pro cobrador e falei, essa porqueira assim é normal sempre? E ele me apontou pro outro lado e vi a imundice… a mulher me olhou indignada. Mas mais indignada estava eu de ter que andar naquela sujeira por conta de pessoas nojentas como ela.
[...] terríveis no transporte público da capital. Algumas situações já foram vistas aqui no blog, como baratas dentro de ônibus e a deprimente situação da rodoviária do Plano Piloto. Além disso, acidentes estão se tornando [...]
[...] de redes sociais como interlocutor entre sociedade e Governo. Na matéria foi lembrado o vídeo do Balé das Baratas, já colocado aqui no blog. Gostei muito da matéria e vale a leitura. Vejam abaixo e cliquem nas imagens para ver em tamanho [...]
[...] Andar de carro no Distrito Federal já é um martírio. Não andar, é muito além de um suplício! Mostrei aqui as condições gerais dos ônibus usados para transportar os brasilienses e também da Rodoviária do Plano Piloto. Frota suja, velha, barulhenta e até cheios de baratas. [...]