A Polícia do Senado Federal e eu
André Dutra | 21 de março de 2011 | 10:46Como muitos de vocês acompanharam aqui mesmo no blog, minha relação com a Polícia do Senado Federal não é das melhores desde agosto de 2009 (podem ver outro link aqui, também). Eu bem queria ser amigo deles, mas eles não querem ser meus amigos! Acho que o “chefinho” não vai bem com minha cara, não sei se porque meu bigode não cresce ou se por outro motivo mais provável.
Enfim, desde aquele fatídico dia, muitas coisas aconteceram. Até falaram que nós estávamos corretos e eles (a Polícia do Senado – detalhe, Polícia uma vírgula, deviam ser chamados de seguranças) estavam bem errados. Não foi qualquer um que falou isso, está gravado na TV Senado, numa audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e dito pela Dra. Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.
Enfim, como muitas coisas naquela Casa, não deu em nada. Vida que segue, vivi muitas coisas desde aquele dia de 2009, até candidato a Deputado Distrital eu fui, voltei no Congresso várias vezes, desde visitas a amigos que trabalham até para assistir sessões ou visitar parlamentares. Em 2011, que mal começou, voltei lá algumas vezes, sempre pela porta da frente. Até que, no dia 24/02/2011 fui surpreendido na portaria da Chapelaria.
Fui fazer uma visita a uma amiga, nada demais, depois do expediente. Nada demais para uma 5ª-feira. De praxe, todos visitantes devem submeter-se à pasagem pelo detector de metais e passar seus pertences pela esteira de raio-x, dirigindo-se à portaria, avisando para onde vai e fazer o que (mesmo que seja “tratar de assunto particular”) e ser docemente encaminhado até seu destino. Mas isso não aconteceu comigo.
Naquela quinta, uma mensagem apareceu na tela de computador da segurança do Senado. Uma mensagem pop-up que dizia: “Consta ocorrência de usuário com o RG: XXXXXXX seu CPF é XXXXXXXXXXX. Entre em contato com a Central de Operações. (ramal 4444)”. Meu RG, meu CPF e a cara da segurança olhando pra mim como se eu fosse o bin Laden.

A Polícia do Senado e eu – restrição de entrada (clique para ver maior)
Surpresa pra ela, surpresa pra mim, acho que ninguém tinha se deparado com aquela mensagem ainda! Não fosse constrangedor o suficiente ficar esperando pela ligação do segurança para a Polícia do Senado, segurando minha CNH e olhando desconfiado pra mim, dizendo “é um jovem que alega ir visitar o gabinete do Senador Cristovam”, mesmo comigo falando que sou jovem, mas sou membro de um partido, cidadão e eleitor, podendo visitar aquelas dependências por qualquer um desses motivos. Não contentes, fui escoltado acompanhado de um senhor da Polícia do Senado até a sala da Delegacia (eu fico besta com essas nomenclaturas), onde fui recebido pelo pelo senhor deste vídeo aqui (o mais educado no dia da truculência, bem articulado, com boas argumentações, MAS errado ainda assim):
httpv://www.youtube.com/watch?v=EcheDMeKbOI&feature=player_embedded
Ao perguntar a ele se havia algum problema especificamente e, se sim, qual seria (já que não tinha nada a ver surgir uma restrição com por um motivo passado e resolvido – em tese), me respondeu que não era problema específico, mas um “novo sistema em teste, para apresentar à Presidência da Casa, onde no futuro todos teriam que consultar um funcionário antes de entrar”. Era aleatório. Achei bizarro, mas não quis aumentar a prosa, ele ligou na minha amiga, ela falou que já estava esperando por mim há algum tempo e eu fui liberado a entrar, depois de cadastrar em nova portaria meu RG e colocar a observação com o nome de quem “liberou” minha entrada. No momento em que fomos fazer isso em outra portaria, adivinha? Pop-up de novo com a restrição Aleatório, né? Naquele dia fui embora, mas resolvi passar em outra portaria e outra vez apareceu a mensagem e eu registrei a imagem, como vocês viram acima.
Não gostei nem um pouco do tratamento diferenciado. Voltei outro dia, com uma testemunha e mais uma vez fomos parados. Ou melhor, EU fui parado na mesma portaria, da chapelaria. Meu amigo teve seu registro de entrada e liberação tranquilos. Ambos jovens, de terno e gravata, juntos, mas ele podia entrar e eu não, só depois de consultar a Polícia. Pelo telefone liberaram a entrada, mas fui lá pedir satisfação. Se negaram a falar qual o motivo da restrição e muito menos a dar resposta por escrito, a não ser que eu protocolasse o pedido. Redigi o texto, assinei e um amigo protocolou no dia seguinte tal requerimento:

Requerimento (clique na imagem para ampliar)
Curiosamente, no dia em que fui com meu amigo, também entramos na Câmara dos Deputados, pelo Anexo II e não houve problema algum!
Na última 6ª-feira, 18/02/2011, voltei ao Senado para ver se havia resposta e MAIS UMA VEZ fui barrado na porta. Depois de passar por toda aquela situação chata (assim que cheguei, os próprios seguranças da portaria já me reconheceram e eu até brinquei falando que já podiam ligar na Polícia, que eu era persona non grata ali…), entrei e fui rastrear meu requerimento. Está ainda em trânsito interno.
Amanhã, 3ª-feira, vou lá de novo. Com cópias do meu requerimento. Já sei que serei barrado na porta e depois de uns 20 minutos vão me deixar entrar, mas dessa vez quero entregar as cópias a alguns Senadores, não apenas do PDT. Espero que alguns entendam a gravidade de uma situação dessas que hoje é só comigo, um Zé Ninguém, mas que aquele prédio bonito no final da Esplanada é para todos os cidadão brasileiros, Zés Ninguéns e Zés Alguéns, entrarem, cobrarem, fiscalizarem e até mesmo para conhecerem um pouco sobre nosso Parlamento. Não precisamos de motivo para entrar na Casa do Povo, apesar de todo dia eles nos darem vários motivos e mesmo assim não nos valermos deles.
Bem era isso. Texto longo, mas minha indignação é ainda maior. Peço que repassem esse post para amigos e quem mais puder se interessar. Hoje é comigo, amanhã pode ser com mais um tanto de gente.
Saiba mais sobre o que a Polícia do Senado faz com nosso dinheiro, além de dirigir SUV’s da Nissan e serem armados com Tasers:
httpv://www.youtube.com/watch?v=2__u_RmfX3U
E o velho do bigode comendo feijoada vegan com o Obama, tranquilo e calmo…






















