Como foram as eleições indiretas no DF para Governador-Tampão: a grande farsa
André Dutra | 18 de abril de 2010 | 1:42Com 13 votos contra 5 votos para Ibañez (PT), 4 votos para Wilson Lima (PR) e 1 abstenção, Rogério Rosso (PMDB) foi indiretamente eleito Governador do DF. Um Governador “tampão”, que ficará até o final do ano (possivelmente) e que em tese servirá para fazer com que a Máquina Pública continue funcionando, mas sob a égide da idoneidade e correção que eram inexistentes. Mas não foi muita coisa que mudou!
Essa eleição foi, para mim, uma das maiores farsas e jogos de cena jamais vistos na História do Brasil. Brinquei em meu Twitter que esse cenário seria um prato cheio para um documentário a lá Michael Moore. São muitos interesses envolvidos na eleição de Rosso e do PMDB. Interesses escusos, que não vão de acordo com o interesse maior: da sociedade, cansada e desgastada com tudo o que acontece no DF nos últimos 11 anos. Ricardo Noblat d’O Globo fez excelente análise sobre isso. Veja:
Rogério Rosso, do PMDB, governador-tampão do DF
Acabou de ser eleito direto no primeiro turno. Votos se Wilson Lima, governador em exercício, migraram para ele. Rosso teve 13 dos 24 votos. Lima, 4.
Rosso (foto acima com a sua mulher, Karina) foi presidente da Codeplan, uma empresa estatal, durante o governo Arruda. E antes administrador de Ceilândia no governo Roriz.
Foi candidato do PMDB de Tadeu Felipelli, ex-cria de Roriz, e rompido com ele.
Dois deputados do DEM votaram no candidato do PT, Antonio Ibañes, ex-reitor da UnB.
Atualização das 19h09 – Quanta crueldade: O deputado Pedro do Ovo (PR), suplente do governador em exercício Wilson Lima, votou em Rogério Rosso (PMDB). Terá que devolver a vaga de deputado a Lima.
Fonte: Blog do Noblat
No mais, como sempre a sociedade civil foi tratada com descaso e desrespeito sem fim. Só a proibição da entrada na Galeria da Câmara Distrital já poderia ser vista como uma grande violência à democracia. Fui hoje pela manhã prestar solidariedade e apoio àqueles que dormiram por lá. O aparato policial era desproporcional à qualquer realidade, por mais inflada que esta fosse… ou seja, era polícia demais pra gente/perigo de menos. Desde que fique à frente do Fora Sarney aqui em Brasília, percebi que pra bandidagem (aquela comum, que não usa terno e gravata e que não é tratada como “autoridade”) a corrupção na política é essencialmente benéfica, não só pelos desvios dos recursos que deveriam ser alocados em segurança, mas pelo desvio do contigente policial para ‘combater’ estudantes armados de revolta e indignação política. Nem imagino quantos policiais ficam fora da rua e do impacto que isso pode e poderia ter na vida do cidadão comum…
Enfim, polícia demais; situação anti-democrática, mentirosa e desvirtuada; população enfurecida (com razão); desrespeito total com o povo (além de proibirem a entrada no prédio, instalaram telões do lado de fora da Câmara, mas sem som, impossibilitando o entender do que se passava na sessão lá dentro) só pode resultar em:
httpv://www.youtube.com/watch?v=J1mhQItrrfE
Defendo a Intervenção ainda mais, com esta ilegítima votação. Um teatro ridículo e chinfrim. Defendo o contexto exposto pelo Procurador-Geral, realmente Brasília não merece isso… não pode simplesmente acabar assim toda essa pataquada armada por essa mesma gente nojenta que agora, indiretamente (e ilegitimamente) pôde continuar no poder. Pra se ter ainda mais certeza, continuando com a interessantíssima análise do Noblat, vejam a contextualização da votação ao se olhar para os eleitores em questão – os Deputados (muitos deles envolvidos em todo escândalo de corrupção):
A ficha dos eleitores do novo governador do DF
Com 13 votos de um total de 25, Rogério Rosso (PMDB), ex-administrador da cidade de Ceilândia no governo Joaquim Roriz e ex-presidente de empresa estatal no governo José Roberto Arruda, acabou de ser eleito governador-tampão do Distrito Federal.
Vamos à ficha da maioria dos deputados que o elegeu:
1. Ailton Gomes (PR) – denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM
2. Benedito Domingos (PP) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM
3. Benício Tavares (PMDB) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM. Aparece em vídeo.
4. Eurides Brito (PMDB) - denunciada por causa do escândalo do mensalão do DEM. Aparece em vídeo enchendo a bolsa com dinheiro
5. Rogério Ulysses – expulso do PSB. Denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM
6. Roney Nemer (PMDB) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM.
Os deputados distritais Rubens Brunnelli e Leonardo Prudente renunciaram ao mandato por causa do escândalo do mensalão do DEM.
Brunelli apareceu em vídeo rezando pela graça alcançada de receber dinheiro do esquema. Prudente, escondendo dinheiro nas meias.
Os dois foram substituídos por Pedro do Ovo (PR) e Geraldo Naves (DEM), que também votaram em Rogério Rosso para governador-tampão.
Naves foi aquele que esteve preso na Penitenciário da Papuda até recentemente. Envolveu-se na tentativa de Arruda de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha-chave do mensalão.
Saiu da Papuda para ajudar a eleger o novo governador.
Rosso teve ainda mais dois votos de fichas-sujas:
* Batista das Cooperativas (PRP) – indicou funcionários para trabalharem na administração da cidade de Águas Claras. Vários deles fortam flagrados trabalhando na cooperativa do próprio deputado.
* Aguinaldo de Sena (PRB) – responde a processo por improbidade administrativa. Foi secretário de Esportes do governo Arruda.
Em resumo: dos 13 votos de Rosso, 10 estão manchados por escândalos.
Tem ou não de haver intervenção no Distrito Federal?
O Procuradror Geral da República está certo ao defender a intervenção
De 13 votos que elegeram Rosso, 10 foram proferidos por gentalha marcada com a sujeira da corrupção. É ou não é de se indignar? Que joguete foi esse? O que aconteceu nesse meio tempo, nos bastidores? Traição seguida com a própria perda de mandato ao se votar na chapa concorrente, como exposto acima…
Essa história não morre aqui. A tese de quem é a favor da Intervenção só é alimentada a cada dia que passa. Repito que a Intervenção é um remédio amargo, sim! Mas extremamente necessário para corrigir e curar esses sistema débil e moribundo que agoniza no DF. A mudança que deve vir em peso em outubro deve começar já e somente a Intervenção Federal propiciaria isso (por mais que ela não seja um total mar de rosas, não sou de todo ingênuo, mas é a melhor e mais legítima solução).
E que daqui pra frente novas caras entrem na política, com novas idéias, novas posturas e novo fôlego. Pessoas que tenham além de integridade, honestidade, idoneidade e competência (que é o básico do básico, convenhamos) sejam corajosas, audaciosas, responsáveis, apaixonadas por Brasília e seu povo e que levarão nossa cidade ao lugar a que realmente pertence: a de cidade dos sonhos de um novo Brasil.






























