Blog do André Dutra

  • Início
  • Sobre André Dutra
    • Mural de Recados
  • Sugestões
    • Sugestões acatadas
  • Mídia
    • Fotos
    • Vídeos
    • Vídeos de apoio de amig@s
  • Eleições 2010
    • Prestação de contas
      • Prestação Final
      • 1ª Prestação de contas
      • 2ª Prestação de contas
    • Material
  • Propostas 2010
  • Pergunte
  • Contato

Energia nuclear: o Brasil e o mundo em direções opostas

André Dutra | 1 de junho de 2011 | 23:41
[Translate]
Tweet

Ontem li uma nota no Blog do Noblat falando sobre o Brasil indo pela contra-mão mundial no que tange à energia nuclear. Vejam:

Brasil vai na contramão e amplia programa atômico

O Globo

No momento em que vários países decidem rever seus programas nucleares – segunda-feira, a Alemanha anunciou que vai desativar suas usinas até 2022 -, o Brasil toma a direção contrária e decide usar benefícios fiscais para estimular a ampliação de seu programa atômico.

Depois do acidente em Fukushima, no Japão, em março último, países como Suíça, Bélgica e China cancelaram ou suspenderam novas licenças para a construção de usinas.

Enquanto isso, o Brasil está construindo Angra 3 e a Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, medida provisória que concede incentivos fiscais para compra de equipamentos a serem usados na geração nuclear.

A MP 517 ainda será votada no Senado. Além disso, o governo Dilma Rousseff deve manter a estratégia de mais quatro usinas até 2030, como previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, hoje em revisão.

Ao lado de Angra 1, 2 e 3, as novas unidades dobrariam a fatia da fonte nuclear na geração de eletricidade, para 5%, informa a reportagem de Danielle Nogueira, Eliane Oliveira e Mônica Tavares.

É preocupante, depois da tragédia no Japão (em Fukushima), provocada por um terremoto de grandes proporções, que ainda pensemos em aumentar o uso desse tipo de energia. Em análise superficial, a produção causa poucos impactos e possui razoável custo-benefício. Entretanto, qualquer defeito, falha, desastre ou quaisquer tipos de imprevistos podem causar danos incomensuráveis e irreparáveis. É só ver o acontecido em 1986, na cidade ucraniana de Chernobyl, cidade que virou deserta depois do acidente na usina nuclear.

Ora, nosso país possui um extenso território, rico para a pesquisa e produção de diversos modais energéticos ecologicamente sustentáveis e renováveis, como luz solar e energia eólica, além do biodiesel e etanol. Até mesmo o pré-sal, sobre o qual tenho ressalvas, é menos perigoso do que uma novas fontes de produção de energia  nuclear, que podem alterar a vida de grande parte do país. Tendo esta preocupação, alguns meses atrás escrevi um pequeno artigo sobre o Senador Cristovam e sua preocupação que vinha sendo evidenciada a respeito da energia nuclear. Espero que gostem:

O Senador Cristovam Buarque e a energia nuclear (21/03/2011)

O terrível terremoto (e tsunami) que abalou o Japão e sua população, um dos mais fortes tremores da História, já é considerado o desastre natural financeiramente mais caro do mundo, podendo chegar a custar US$ 250 bilhões para a Economia japonesa. Há ainda a iminente ameaça de uma tragédia atômica naquele país. As estruturas de algumas usinas nucleares foram severamente prejudicadas e já há relatos de aumentos significativos do nível de radiação na cidade de Fukushima e até de contaminação de fontes de alimentos e água.


Cristovam em Chernobyl

O Senador Cristovam Buarque iniciou no Twitter uma grande discussão sobre o uso da energia nuclear, considerando esses graves problemas no Japão, bem como outros tristes episódios ocorridos, como o desastre em Chernobyl (Ucrânia), em 1986 e o envenenamento por Césio-137, em 1987 em Goiânia, que atingiu milhares de pessoas direta e indiretamente.

Cristovam chegou a sugerir um plebiscito mundial, via internet, sobre o uso de energia nuclear. Ainda em seu Twitter, ele disse “Além do Edgar Morin, propus também a Daniel Cohn-Bendit liderar o plebiscito mundial sobre uso da energia nuclear”. Edgard Morin é considerado um dos principais pensadores contemporâneos, antropólogo, sociólogo e filósofo francês. Daniel Cohn-Bendit é um político francês, de origem alemã, deputado europeu e co-presidente do grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Européia.

Me siga no Twitter!

Comentários
7 Comentários »
Categorias
Brasil, Energia, Meio Ambiente, Mundo, Política, Políticas Públicas, Relações Internacionais, Tecnologias
Tags
Brasil, Energia, Meio Ambiente, Mundo, Política, Políticas Públicas, Relações Internacionais, Tecnologias
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Gene Sharp e a revolução por meio da paz

André Dutra | 17 de maio de 2011 | 16:22
[Translate]
Tweet

Pra quem não sabe, estou oferecendo uma oficina aos alunos e alunas dos 2º e 3º anos do CEAN, minha ex-escola, chamada “Oficina de ação social – (des)construindo o cidadão, sem ser chatão! É uma matéria optativa e a turma está praticamente cheia.  Minha intenção foi poder levar a eles conhecimento político, social e mesmo de áreas de minha formação, como algumas teorias de Relações Internacionais, economia política, noções de Direito, pensamento crítico etc. Não tive isso quando era estudante do Ensino Médio e acho que tem sido bem legal, tanto pra eles quanto pra mim, que aprendo bastante, também.

Hoje falamos sobre Maquiavel e discutimos sua célebre frase “os fins justificam os meios”. Em dado momento, ao final da aula, recomendei a leitura do livro “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”, de Gene Sharp (clique para baixar, versão em português).

Sharp tem 83 anos, é um cientista político estadunidense, pacifista e seus trabalhos inspiraram o levante popular no Egito, meses atrás. Seu trabalho, por sua vez, foi inspirado nos ensinamentos de Gandhi. Ainda há toques de conceitos como desobediência civil, de Thoreau,  boicotes econômicos e luta por direitos civis*. Para saber mais sobre Gene Sharp, sugiro leitura desse ótimo perfil feito pelo NY Times (em inglês).

Pra finalizar, deixo aqui o blog Da Ditadura à Democracia, onde se pode baixar vários documentos de Gene Sharp e conhecer mais do trabalho deste grande pensador!

* Fonte: Radar Global – Estadão

Me siga no Twitter!

Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Brasília, DF, Educação, Ética, Juventude, Manifestações, Mudança, Mundo, Política, Renovação
Tags
Brasília, DF, Educação, Ética, Juventude, Manifestações, Mudança, Mundo, Política, Renovação
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

A paz pelo assassinato: a dicotomia estadunidense

André Dutra | 2 de maio de 2011 | 11:58
[Translate]
Tweet

Não poderia deixar de comentar sobre o caso que simplesmente bombou a madrugada toda.: Osama bin Laden morre em mansão no Paquistão e é enterrado no mar (vale dizer que foi bizarra essa história de enterrá-lo nessa rapidez, no mar e com a justificativa – ainda que plausível – dos ritos islâmicos para o tratamento do corpo). Depois de algumas discussões via Facebook e Twitter, resolvi compilar aqui uma breve opinião.


Osama bin Laden

Proliferar paz com assassinato não é uma dicotomia muito “estranha”? O que a morte de Osama bin Laden tem a ver com disseminação da paz mundial? Morre um terrorista, nascem vários outros, o problema é muito mais sistêmico e profundo. Como se esquecer que lá atrás, na década de 1980, bin Laden e os talebãs foram armados, treinados e financiados pelo Governo estadunidense? Até apareceu uma figura que representaria a ele em Rambo 3 e em um final alternativo, John Rambo integra as forças rebeldes afegãs (abaixo)! hehehe.

Tudo vai pelo viés, pela lente em que se vê o fato. Diz-se que o vencedor  é quem escreve a História. Entendo, perfeitamente, a alegria do povo dos EUA com a morte de Osama. MAS, daí a se ver (e vender) isso como um ato de paz., o papo muda.. os EUA disseminam ódio e terror há muito tempo. De uma forma diferente dos terroristas da Al Qaeda, mas disseminam.  Já dizia o ditado “Quem planta vento, colhe tempestade”…


Mansão onde bin Laden foi morto

Os EUA pagam o preço por ser a potência hegemônica mundial.  Um preço para manter o capitalismo como sistema em expansão entre os países e para levar a “democracia” além de suas fronteiras. É um preço que a elite paga. Hoje se tem como preço o medo, a paranóia, as guerras etc. Eles não são obrigados a isso, mas é por esse caminho  que definem sua estratégia para continuar como a potência solitária no planeta: se autodeterminar os xerifes do mundo.

Ora, o grande xerife com sua estrela cintilante pendendo no peito tem autoridade para fazer e desfazer. Matar um terrorista mundialmente procurado é problema? Seria um problema se o xerife quisesse resguardar os direitos da humanidade e se pronunciasse contra a barbárie e a carnificina, pondo a Lei e a Justiça como os grandes pilares da sociedade. Osaminha não poderia ter, então, um julgamento e sentença? Mesmo que fosse aquele teatrinho a lá Saddam Hussein no Iraque ou os tribunais de Nuremberg depois da II Guerra Mundial? Veja lá, minha intenção não é a de defender nenhum dos ditadores, terroristas ou seja lá como queiram chamá-los (prefiro continuar a designá-los ditadores e terroristas), mas sim de manter a coerência no discurso com a prática adotada.
Vejam aqui como foram alguns comentários feitos por um paquistanês no Twitter, que alega relatar a movimentação da operação que culminou com a morte de Osama bin Laden.

Vi a “felicidade” de muitas pessoas em comentários aqui na internet, no trabalho e na rua… mas felicidade porque? Isso vai realmente melhorar o mundo? Há ingenuidade suficiente pra se achar que os talebãs, a Al Qaeda ou sei lá quantos outros grupos venham a surgir no futuro só consigam ser operacionais com Osama ou sem Osama, com fulando ou com ciclano? Não fico feliz e nem triste, fico preocupado como as coisas são facilmente empurradas goela abaixo. E o “engraçado” é que tudo foi feito de uma forma que deixa toda essa história cheia de gargalos, questões mal respondidas e transforma isso tudo em um grande circo, uma nova teoria da conspiração. Vide a Globo News e outros veículos de comunicação exibindo uma montagem feita pelo site 4chan como se fosse o corpo de bin Laden.


Íntegra do discurso de Obama

Não suporto golpismo e Justiça com as próprias mãos. Matar à revelia seria crime contra a humanidade, violação dos Direitos Humanos. Mas nunca é, quando se trata do vencedor (seja ele quem for). Agora, enterrado no mar, como se terá provas sobre a morte dele? Ele foi executado, tiro na nuca? Morreu durante o tiroteio? Poderia ter sido capturado vivo e levado a julgamento? Não se dissemina paz, semeando ódio.

Mas no fim, fica aquela: “Ao vencedor, as batatas”.

Me siga no Twitter!

Comentários
6 Comentários »
Categorias
Barack Obama, EUA, Mundo, Política, Relações Internacionais, Violência
Tags
Barack Obama, EUA, Mundo, Política, Relações Internacionais, Violência
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

“O Mundo É Plano”, de Thomas L. Friedman

André Dutra | 7 de fevereiro de 2011 | 14:19
[Translate]
Tweet

Pessoal, reativando o blog e voltando um pouco o tema para as Relações Internacionais e Política, compartilho com vocês uma resenha crítica que fiz sobre o último capítulo do livro “O Mundo É Plano”, de Thomas L. Friedman. Nesse capítulo, Fridman fala sobre o 11/9 versus 9/11 (uma alusão ao ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center em 11 de Setembro de 2001 e da Queda do Muro de Berlin em 9 de Novembro de 1989).

Fiz esta resenha no meu primeiro semestre (2006) e acho legal como ao longo dos anos vamos nos lapidando, mas como princípios básicos, pétreos, têm a capacidade de continuar assim: intocados. Sinceramente, continuo achando Friedman fraco e extremamente alienado em seu “mundo perfeito do capitalismo feliz”. Leiam e compartilhem seus pensamentos. Não sugiro a compra do livro, porque é realmente ruim. Mas aos curiosos, vale a pena pegar numa biblioteca ou procurar num sebo, pra tirar a prova dos nove.

11/9 versus 9/11

No último capítulo de seu livro, Friedman inicia refletindo sobre dois momentos históricos causadores de mudanças drásticas no mundo e conseqüentes aplainadores globais: 9/11 e 11/9, que seguidamente caracterizam a data da queda do Muro de Berlim e dos ataques de 11 de Setembro e a conseqüente queda das Torres Gêmeas do World Trade Center. Nas palavras do autor, “(…) Essas duas datas representam as duas formas de imaginação em competição: a imaginação criativa de 9/11 e a imaginação destruidora de 11/9. Uma derrubou um muro e abriu as janelas do mundo – tanto as do sistema operativo quanto do tipo pelo qual olhamos para fora de casa. Descerrou metade do planeta e tornou os cidadãos daquela parte do mundo nossos parceiros e competidores potenciais. A outra derrubou o World Trade Center, fechando o restaurante Janelas do Mundo para sempre e erguendo novas e invisíveis muralhas de concreto entre os povos, num momento em que acreditávamos que o 9/11 as destruíra para sempre. (…)”.

Ele tem a capacidade de comparar essas duas datas sob um prisma mesquinho e pobre, tanto intelectualmente, quanto de um ponto de vista literalmente humano. São acontecimentos totalmente díspares, mas que na mente do autor tem uma conexão totalmente lógica e aceitável. Podemos enxergar, ao longo do texto, sua tendenciosidade e sua visão neo-liberal, capitalista e conservadora, até mesmo no próprio tratamento dado aos países islâmicos, generalizando suas populações e comparando-os aos “bandidos” de “imaginação doentia”. Chega às vezes a ser contraditório, tentando adotar uma postura um pouco menos agressiva, mas sempre colocando o Tio Sam como o Deus de nossa época, o certo, o salvador.

Também chega a ser engraçado ao vê-lo comparar as duas datas supracitadas com um suposto diálogo de ambas as partes. Primeiramente algum húngaro sonhador, visionário, imaginando uma cena linda de vitória da liberdade entre os povos, através de sua boa ação de abertura de fronteira com a Áustria. Já anos depois, um diálogo malévolo envolvendo Osama bin Laden e seu plano de atingir as Torres Gêmeas exatamente “entre o 94º e o 98º andares”. Aqui, em ambas as histórias, ele joga no lixo inúmeras variáveis que levaram à sucessão dos eventos. Ele descarta inclusive a suposição mais provável, no caso da queda das Torres, de que ninguém esperava por seus colapsos e em seguida suas quedas, inclusive os mentores do ataque. Foi algo surpreendente. E se ele realmente defende isso, é colocar tais seres num pedestal, numa redoma de competência, que passa a contrariar sua idéia de bandidagem tosca, assassinos fanáticos.

Quando da queda do Muro, Thomas Friedman mostra na sua visão como os Estados Unidos eram a unipotência, dona do mundo e como seus jovens eram livres para viajar e tudo o mais. Claro, aqueles que possuíssem capacidade financeira para isso, um mero detalhe… já após os atentados de 11 de setembro, ele nos fala como tudo isso se perde, como o medo fica aparente. E novamente nos força a esquecer todo o passado de guerras estadunidenses, toda sua atual tirania, ao nos passar mais um insosso exemplo, ou melhor, mais uma comparação irreal, entre um empresário bem sucedido montando sua empresa aérea e o produto do planejamento terrorista que através de vários meios (entre eles o treinamento, financiamento, compras e investimentos no setor aeroviário), culminou no fatídico ataque às Twin Towers.

Lê-se que achata-se o mundo de duas formas através da “imaginação”: usando-a para elevar todos a um nível sublime ou rebaixar todos ao mesmo nível. Pensando como “americano”, Friedman diz que “quem deve dar o exemplo” ao mundo de como se portar, são eles, os estadunidenses que vivem em “sociedades livres e progressistas” e têm de “ser os melhores cidadãos globais”. Porém, argumenta que os planos de ataque do 11 de setembro não foram descobertos por uma “falha da imaginação”. Muito conveniente. É realmente conveniente dizer que eles não tinham gente suficiente em sua comunidade de informação que “possuísse uma imaginação doentia semelhante às de bin Laden e Khalid Sheikh Mohammed”. Realmente chega a beirar o extremo da conveniência.

E quando o autor coloca a maior parcela de culpa pela atual situação estadunidense no presidente W. Bush, é colocar a visão do leitor num microcosmo surreal. Por que não lembrar de Clinton, Bush pai, Reagan, Nixon, entre outros, quando se fala de exportação de medo? Por que não lembrar da política social e economicamente predatória utilizada pelo seu país natal, além da Máquina de Guerra que jamais cessa seu funcionamento? E dizer que o resto do mundo tem “inveja” de um suposto otimismo e “ingenuidade dos americanos” porque precisam disso? Friedman tem a megalomania, a capacidade de dizer que tal inveja do “resto do mundo” ante o pensamento todo-poderoso dos americanos é “uma das coisas que ajudam o mundo a continuar girando” e que se os americanos deixarem de ser a “’fábrica de sonhos’ do mundo, nosso planeta não somente ficará mais sombrio, como também mais pobre.”. É muita prepotência!

Segundo Friedman, “(…) Nas sociedades que têm mais recordações do que sonhos, muita gente passa muito tempo olhando para trás.”. Isso faria com que essas sociedades pensassem nostalgicamente, embelezando seu passado e deixando de olhar para frente. Cita entre as questões que devem ser realmente levadas em consideração, o combate à proliferação de armas de destruição em massa, necessidades de reformas nos países árabes e criação de acionistas entre os pobres do mundo. Mas o autor novamente peca ao exagerar em seu cinismo e em sua glorificação do “american way of life”. Diz que procura um estilo de liderança americana que vise construir sua base de apoio no mundo inteiro. Ou seja, o interesse estadunidense prevalecendo acima dos demais. Mais uma vez se porta como se estivesse falando de uma nação onipotente, ao dizer que ninguém pode com eles, além deles mesmos. Será que ele se lembrou disso ao ver as Torres em chamas, em Manhattan? Friedman diz que muita gente no mundo odeia Bush por ele ter tomado a decisão de lutar contra o terrorismo e que, com isso os Estados Unidos teriam deixado o papel de exportadores de esperança a exportadores de medo. Mas Friedman parece não ler o que ele próprio escreve: “Nós somos o Quatro de Julho. Somos o 9/11.”. Ele toma para si a vitória das Alemanhas divididas, o orgulho de uma nação sofrida e abatida por vários fantasmas e que não teria nem o direito a honrar a queda do Muro da Vergonha por seus próprios méritos. Isto passa a ser pior que exportar medo. Falar isso abertamente, em nome de seu país, é exportar ódio.

A partir daí, o autor passa a citar exemplos de “boas imaginações” visualizadas no mundo. Analisemos estes exemplos:

1.      eBay – é inadmissível comparar o mundo com um site de internet. Uma comunidade online não significa nada, comparada a todo um universo de pessoas que nunca nem mesmo viram um computador em sua frente. Seus exemplos de sucessos pessoais, de como as pessoas são iguais no eBay, desde um poderoso executivo, até o menino deficiente físico (sim, ele usa esse exemplo – surreal), são de fazer brotar lágrimas nos olhos dos desavisados. Porém, ele não nos adverte sobre a população jovem carente que busca refúgio no Estado por não ter dinheiro para se sustentar, que se alista no Exército em busca de um salário para manter a família e que em troca são mandados para o inferno da guerra. Ele não fala que os negros não são negros na internet, pois apenas os negros ricos podem viver online e se alegrarem com as estrelinhas de reconhecimento do eBay. Friedman cega os leigos ainda mais. Esta história de sucessos do eBay funciona perfeitamente para a parcela da população estadunidense retratada pelo autor. Este é um mundo cheio de altos e baixos, longe de se mostrar plano.

2.      Índia – o autor tem razão quando fala dos estados islâmicos autoritários, quanto ao modo que tais Estados se portam desproporcionadamente violentos. Mas aqui ele demoniza genericamente estes Estados e não apenas seus governos. Falando das maravilhas do segundo maior Estado islâmico do mundo, a democrática e não violenta Índia, nos oferece mais uma história bonitinha e maquiada sobre uma visão ínfima da realidade autêntica. É curioso que a Índia não tenha participação ativa e conhecida em grupos islâmicos terroristas, como grandes parcelas da população de outros países o fazem. Mas não passa de uma mera curiosidade. Isto não chega a influenciar o mundo de tal forma que padrões sejam criados ou destruídos. Ao citar o que ele parece transparecer como sua visão de uma diferença entre culturas, ao citar o pai de um amigo islâmico cuja família dividiu-se em duas, partindo metade para o Paquistão e a outra metade permanecendo na Índia, diz basicamente que a diferença entre um muçulmano que cresce na Índia do que cresce no Paquistão é que ao ver seu igual prosperar, o primeiro deseja ter o mesmo para si, já o segundo deseja destruir seu igual por ele ter prosperado. O autor nos generaliza um ponto de vista pessoal, vendido como uma verdade. E ele ainda cogita que, quando não há um caminho para realização de sonhos, parte-se para a concentração na ira. Isto é um pensamento plausível, mas será que a sociedade estadunidense e ocidental não oferece a escolha para diversos caminhos que levem também à insatisfação e raiva?

Os grandes cérebros indianos são extirpados de seu país pelos Estados Unidos (principalmente) e outros países ocidentais. Fisgados como jovens jogadores brasileiros de futebol pelos grandes clubes europeus. O indiano terceirizado, explorado, que recebe absurdamente menos que um mesmo funcionário estadunidense ganharia, é feliz. Mas é feliz devido ao seu já vigente grau de miséria e falta de perspectiva. É muito bonito vender histórias de uma dúzia de sucessos num país como a Índia. Mas e o “resto”? Como ficam os quase 1 bilhão de pessoas que não partilham deste mundo planificado?

3.      A Maldição do Petróleo – Aqui ele basicamente fala que os países que mais têm abundância de petróleo são os que menos desenvolvem sua estrutura social, política e que mantêm os Estados com a população mais subjugada. O inverso também seria o encontrado na realidade. Não está longe da realidade. Vide a Venezuela seu presidente Chávez, entre outros exemplos. Mas percebe-se também que esse ódio por países donos do petróleo habita o pensamento do autor, no alto de seu conservadorismo e pensamento neo-liberal estadunidense. Friedman simplesmente ignora o fator civilizacional (HUNTINGTON, Samuel) e cultural, tratando os meios de governo de países como a Arábia Saudita e Irã como governos que revertem reformas. Que reformas? Não que seja um modo de vida  perfeito, modelo, mas talvez, simplesmente não é possível se mudar uma cultura secular da noite para o dia. Ou melhor, por mais que se tente mudar, nunca deve-se mudar pela imposição. Novas visões não encontram berço em civilizações se forem impostas, pois este não é um processo natural de “amadurecimento” de tal civilização.

4.      Basta um Bom Exemplo – Friedman nesta parte fala sobre uma empresa muito bem-sucedida árabe. E continua a fazer comparações descabidas! Ao comparar a empresa árabe Aramex, que cotou suas ações na Nasdaq com mega-corporações como a Apple, Microsoft e Dell, ele faz vista grossa para detalhes do tipo: política empresarial capitalista, ou seja, predatória; monopólio corporativo; poder transnacional; entre outros fatores relevantes que colocam empresas como estas, acima de qualquer grande empresa do oriente.

5.      De Intocáveis a Intocáveis – Novamente Friedman se atrapalha e cai numa arapuca criada por ele mesmo. Ao iniciar seu pensamento falando da diferenciação brutal de castas na Índia, o autor mais uma vez comete um deslize ao se ater no bom exemplo de um cidadão, apenas. Este bom exemplo é Abraham Georges, indiano, criado nos Estados Unidos, onde fez fortuna. Voltou para seu país natal, onde foi investir sua  riqueza nas classes mais baixas, tentando fazer a diferença de baixo para cima.

É lindo, não fosse o tom meloso adotado pelo autor para encobrir uma realidade mais dura deste mundo irregular e nada planificado que ele tenta varrer para baixo dos tapetes persas das raras figuras de sucesso. É ótimo sonhar, ter um exemplo num homem como Georges, porém isto não é o mundo. Logo a tentativa que Friedman faz de explicar o mundo com estes argumentos (adotados por ele como máxima verdade) é no mínimo sensacionalista, digna de um tablóide que venda alegria em frascos juntamente com sua edição. É lógico que não apenas as crianças intocáveis indianas, como qualquer uma que tenha a oportunidade de desenvolvimento e crescimento irá desenvolver-se e crescer.

Até mesmo os garotos que poderiam morrer por Arafat. É lógico que se a atual conjuntura mundial fosse outra e ele tivesse a oportunidade de mostrar todo seu potencial, ele conseguiria realizar aquilo que guarda como sua grande quimera.

Por isso que Friedman se equivoca em diversos momentos. Ele tenta morder e assoprar. E carrega um pensamento hipócrita, devidamente maquiado e pronto para a venda, que soa como uma chama de esperança para uma melhoria mundial.

Essa esperança é importantíssima de se ter, mas este caminho apresentado por Friedman é cheio de buracos. E estes buracos não deixam seu mundo ficar plano como ele gostaria.

Vale lembrar que o 11/9 ocorreu por mentes doentes e sedentas de uma vingança difícil de entender. Mas o 11/9 aconteceu graças a esse tipo de pensamento “friedmaniano”.

Já o 9/11 é produto europeu. Uma mudança radical nessa camada da sociedade mundial. E já que é 11/9 versus 9/11, que vença o pensamento onde a queda de tijolos foi muito mais significativa para o entendimento do que é a tolerância. Ao contrário de outra queda de tijolos, sangue e metal, que envenenou mais ainda a comunidade internacional com a mazela da intolerância, medo, ganância e mesquinhez.

André Dutra, dezembro de 2006.

Legal que nesses 5 anos muitas coisas mudam, mas o básico da informação continua a mesma. exemplos poderiam ser facilmente adaptados, como no caso do eBay, onde o Facebook poderia ser um novo exemplo, mas a opinião sobre o assunto e os paralelos propostos pelo autor continuariam os mesmos… e por aí vai!

Espero que tenham gostado! Abração!!!

Me siga no Twitter!

Comentários
9 Comentários »
Categorias
Mundo, Política, Relações Internacionais
Tags
Mundo, Política, Relações Internacionais
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Seminário Internacional: Brasil e China na África

André Dutra | 2 de junho de 2010 | 1:06
[Translate]
Tweet

Pessoal, queria deixar aqui um convite a todos vocês! Amiga minha do Centro Brasileiro de Relações Internacionais – CEBRI virá do Rio de Janeiro e promoverá com o CEBRI o Seminário Internacional Brasil e China na África – Desafios da Cooperação para o Desenvolvimento.

Acontecerá aqui em Brasília, dia 09 de junho (quarta-feira que vem), no Auditório da Confederação Nacional do Comércio – CNC, das 09h às 18h. O endereço está na imagem abaixo. Clique na imagem para ver a programação completa!


É isso aí, pra quem pode ir, valerá a pena!

Visite http://www.cebri.org.br
http://twitter.com/CEBRIonline

Me siga no Twitter!

Comentários
3 Comentários »
Categorias
Brasil, Mundo, Palestras e outros eventos
Tags
Brasil, Mundo, Palestras e outros eventos
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Hora do Planeta 2010 – Earth Hour

André Dutra | 25 de março de 2010 | 17:37
[Translate]
Tweet

Sábado, dia 27 de março de 2010, teremos mais uma edição da Hora Do Planeta! Esse é um ato simbólico, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.

No sábado, 27 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta. Das moradias mais simples aos maiores monumentos, as luzes serão apagadas por uma hora, para mostrar aos líderes mundiais nossa preocupação com o aquecimento global.

A Hora do Planeta começou em 2007, apenas em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades participaram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, o movimento superou todas as expectativas. Centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, o Coliseu e a Times Square, além do Cristo Redentor, o Congresso Nacional e outros ficaram uma hora no escuro. Além disso, artistas, atletas e apresentadores famosos ajudaram voluntariamente na campanha de mobilização. Clique aqui e veja a lista de quem já aderiu.

Em 2010, com a sua participação, vamos fazer uma Hora do Planeta ainda mais fantástica!

Ano passado este blog divulgou e contribuiu com a Hora do Planeta! Brasília teve a Esplanada dos Ministérios completamente apagada! Para vocês que viram poderem se lembrar e para aqueles que não viram, confiram neste ink como foi a Hora do Planeta 2009 em Brasília.

Existem diversas formas de participação: Você pode se cadastrar aqui, sendo que é um cadastro rápido e a principal maneira usada para avaliar quantas pessoas apagaram as luzes. Você também pode ajudar a difundir esta mensagem para seus amigos, familiares, conhecidos, leitores de blogs etc. Para saber como fazê-lo, clique neste link aqui e saiba mais sobre como ajudar nosso Planeta! Não deixem de participar e divulgar. Passem este post que fiz para frente também! Vamos fazer nossa parte.

Ah e galera do Twitter: deixem as baterias dos notebooks e afins bem carregadas ou celulares, usem o 3G e não liguem os computadores, hein!!!

Me siga no Twitter!

Comentários
3 Comentários »
Categorias
Brasil, Educação, Meio Ambiente, Mudança, Mundo, voteearth
Tags
Brasil, Educação, Meio Ambiente, Mudança, Mundo, voteearth
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

Água, o novo petróleo

André Dutra | 22 de março de 2010 | 15:59
[Translate]
Tweet

Bem, vamos mudar um pouco o foco e falar de algo que todas as pessoas precisam: água. Em 2007 participei de várias atividades que tinham relacionamento íntimo com o meio ambiente, tais como o Comitê Especial de Trabalho Sobre Aquecimento Global, em Ribeirão Preto, o VII Encontro Verde das Américas (Greenmeeting), o I Forum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, além de simulações da ONU que envolviam o tema, como a Conferência das Nações Unidas para o Ártico e a simulação da Conferência de Poznań que foi a segunda conferência da ONU para tratar sobre o que sucederá o Protocolo de Kyoto no pós-2012, ocorrida em outubro de 2008.Ufa! Depois de tanto assunto ambiental na cabeça no ano de 2008, ainda trabalhei academicamente com isto, sendo que numa de minhas aulas eu participava de um grupo que fazia relatórios sobre o que andava acontecendo na área do meio ambiente, analisando, principalmente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Ano passado vi a Conferência de Copenhaguen ser um grande fiasco e frustração (excelente texto neste link). Acompanhei a Conferência de “perto” com informações de amigos que lá estavam e vimos, aos poucos, a Conferência afundando. Mais e mais mudanças climáticas vêm ocorrendo em nosso planeta e o homem e os Estados poderosos do mundo continuam a se valer do mesmo ritmo inconsequente de produção, insustentável e ganancioso. Vimos neste ano o terrível terremoto que praticamente destruiu o Haiti e outro terrível terromoto que abalou o Chile.

Hoje é o DIA MUNDIAL DA ÁGUA e muitas preocupações me vêm em mente, principalmente por nossa legislação ser tão conivente com a destruição e exploração  nacional e estrangeira de nossas riquezas naturais. Outros dois fatos, especificamente sobre água, me chamam muito a atenção: a “hidropirataria” e a morte por causa da poluição da água.

A hidropirataria já foi denunciada há 6 anos atrás, pelo jornalista Júlio Ottoboni no site eco21 tratam-se de navios internacionais que aportam no Brasil para descarregar e, na saída, saem com os porões cheios de água doce das fozes do Rio Amazonas. Por norma, os navios têm que andar com o que chamam de “lastro”, que em outras palavras nada mais é do que água que serve de peso usada quando um navio está descarregado. Nessa situação, seus tanques recebem a água de lastro para manter sua estabilidade, balanço e integridade estrutural. Esta água é lançada ao mar, quando carrega-se o navio.

Neste ano, de novo o assunto tornou-se pauta da mídia brasileira. Veja no vídeo e entenda as preocupações, não apenas com o roubo da água em si, mas com os grandes danos que podem acontecer ambientalmente, com a entrada de microorganismos marítimos no habitat dos rios:

Navio abastece seus reservatórios com até 600 mil litros de água amazônica. O interesse está na qualidade da água dos afluentes que formam os rios da Amazônia que será vendida no exterior. Outro motivo de preocupação é a entrada de microorganismos do oceano nos rios.

Além disse, uma notícia terrível de um relatório do PNUMA aponta que morrem mais pessoas anualmente por conta da água poluída e contaminada do que por TODAS as formas de violência, inclusive as GUERRAS! Anualmente morrem 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos. Cerca de 2 bilhões de toneladas de água são sujas diariamente. É tão impressionante, que eu deixo aqui a matéria completa:

A população mundial está poluindo os rios e oceanos com o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos por dia, envenenando a vida marinha e espalhando doenças que matam milhões de crianças todo ano, disse a ONU nesta segunda-feira(22).

“A quantidade de água suja significa que mais pessoas morrem hoje por causa da água poluída e contaminada do que por todas as formas de violência, inclusive as guerras”, disse o Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas (em inglês, UNEP e em português, PNUMA).

Em um relatório intitulado “Água Doente”, lançado para o Dia Mundial da Água nesta segunda-feira, o Unep afirmou que dois milhões de toneladas de resíduos, que contaminam cerca de dois bilhões de toneladas de água diariamente, causaram gigantescas “zonas mortas”, sufocando recifes de corais e peixes.

O resíduo é composto principalmente de esgoto, poluição industrial e pesticidas agrícolas e resíduos animais.

Segundo o relatório, a falta de água limpa mata 1,8 milhão de crianças com menos de 5 anos de idade anualmente. Grande parte do despejo de resíduos acontece nos países em desenvolvimento, que lançam 90 por cento da água de esgoto sem tratamento.

A diarréia, principalmente causada pela água suja, mata cerca de 2,2 milhões de pessoas ao ano, segundo o relatório, e “mais de metade dos leitos de hospital no mundo é ocupada por pessoas com doenças ligadas à água contaminada.”

O relatório recomenda sistemas de reciclagem de água e projetos multimilionários para o tratamento de esgoto.

Também sugere a proteção de áreas de terras úmidas, que agem como processadores naturais do esgoto, e o uso de dejetos animais como fertilizantes.

“Se o mundo pretende… sobreviver em um planeta de seis bilhões de pessoas, caminhando para mais de nove bilhões até 2050, precisamos nos tornar mais inteligentes sobre a administração de água de esgoto”, disse o diretor da Unep, Achim Steiner. “O esgoto está literalmente matando pessoas.”

Outros dados, retirados da Revista das Águas (da Procuradoria Geral da República) alarmam ainda mais, pois apesar de abundante no Brasil, há grande grandes problemas de distribuição deste recurso. Além disso, há enorme escassez noutros países do globo.

Atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm água suficiente para suprir as suas demandas domésticas, que segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS é de 200 litros/dia. Estima-se que, em 30 anos, haverá 5,5 bilhões de pessoas vivendo em áreas com moderada ou elevada escassez de água.

Alguns eventos agravam o cenário tanto da oferta como da demanda de água doce no mundo, tais como o crescimento demográfico associado a padrões de consumo não sustentáveis. Estima-se que o crescimento populacional aumentou três vezes no decorrer do século XX, passando de 2 para 6 bilhões de habitantes. Nesse mesmo período, a demanda de água aumentou sete vezes, isto é, passou de 580 km³/ano para aproximadamente 4.000 km³/ano. Esses dados tornam-se relevantes na medida em que é previsto que a população mundial estabilize-se, por volta do ano 2050, entre 10 e 12 bilhões de habitantes, o que representa cerca de 5 bilhões a mais que a população atual6. Outro fator que agrava o cenário da utilização das águas no mundo é a gestão ineficiente dos recursos hídricos em basicamente todas as atividades antrópicas, como ocorre na agricultura, na indústria e nos sistemas de abastecimento público de países, onde o desperdício de água, como em algumas regiões brasileiras, é superior a 60%.

Nesse quadro de indisponibilidade de água doce, constata-se que a escassez hídrica já está instalada na Arábia Saudita, Argélia, Barbados, Bélgica, Burundi, Cabo Verde, Cingapura, Egito, Kuwait, Líbia, Jordânia e Tailândia, e poderá ocorrer em médio prazo na China, Estados Unidos, Etiópia, Hungria, México, Síria e Turquia7.

No caso do Brasil, que dispõe de cerca de 12% de toda a água doce do planeta, cerca de 89% do volume total estão concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde estão localizadas apenas 14,5% da população. Para as regiões Nordeste, Sudeste e Sul, onde estão distribuídos 85,5% da população, há disponível apenas 11% do potencial hídrico do país. Além da natural carência para o atendimento da demanda de abastecimento público e privado, esta heterogeneidade de distribuição das águas gera eventos críticos tais como cheias catastróficas e períodos cíclicos de secas.

A água é um recurso estratégico, um fator de segurança vital e nacional. Precisamos legislar sobre o assunto e proteger nossos recursos, pois temos a responsabilidade sobre esse imenso reservatório natural de recursos hídricos comportados no Brasil. É um bem de uso global, mas que é BRASILEIRO. Assim como o petróleo é um bem de uso global, mas é pertencente aos países produtores. O futuro em que a água será alvo de desavenças internacionais e outros conflitos não está longe. Na realidade, já existe em alguns países. O Brasil não pode ficar para trás, como em muitos outros assuntos. Precisamos mudar nossas atitudes desde já e em todas as esferas da sociedade.

A educação é o caminho mais claro para um futuro sustentável no Brasil, com uma sociedade atuante para preservar nossos recursos e com políticos que sejam compromissados com o Brasil e seu povo.

Me siga no Twitter!

Júlio Ottoboni


Comentários
Sem Comentários »
Categorias
Brasil, Meio Ambiente, Mundo, Saiu na imprensa
Tags
Brasil, Meio Ambiente, Mundo, Saiu na imprensa
Comentários RSS Comentários RSS
Trackback Trackback

« Entradas Anteriores

"Só a educação salva."
Epíteto

Fale comigo!

Escreva para andre @ andredutra.com e mande sugestões, críticas ou o que você quiser falar.

Translator

Pesquise neste blog

Enquetes

Arquivos antigos

Categorias

Crack Nem Pensar!

Prêmio

Arruda na Papuda!

Mais sobre o autor

  • Facebook
  • Meu canal no YouTube
  • Meu Orkut
  • Pergunte-me algo – Formspring
  • Siga-me no Twitter

Blogs que recomendo

  • Blog da Juv. Socialista Brasileira – PSB-DF
  • Blog da Roberta Salgueiro
  • Blog do Alex Alves
  • Blog do André de Castro
  • Blog do Felipe Bittar
  • Blog do Guilherme Galvão
  • Blog do Luiz Antonio Ryff – Nonsense
  • Blog do Marcus Vinícius
  • Blog do Pedro Doria
  • Blog Modeleiro
  • Blog Música e Cerveja
  • Blog Perturbando o Status Quo
  • Blog Policiamento Inteligente
  • Clube dos Canalhas
  • Minha Circunstância – Leandro Couto
  • Ônibus em Brasília
  • Pedro Camargo – Portfólio
  • Política do Bem
  • Procrastinando

Conheça também

  • ABPC – Júlia Borges, Psicóloga
  • AIB – Internacionalistas
  • Fora Sarney Oficial
  • MBlog – Blog do Mateus Bassan
  • Movimento Saia às Ruas
  • Partido Democrático Trabalhista
  • Portal do Senador Cristovam Buarque
  • Universidade aberta Leonel Brizola

PR Newswire

Movimento Adote Um Distrital

Banner Adote um Distrital

Assuntos

2 em 1 Administrativo Barack Obama Brasil Brasília Crise no Senado DF Direito do Consumidor Drogas Economia Educação Eleições 2010 Energia Esportes EUA Fora Arruda Fora Roriz Fora Sarney Funcionalismo Público Joe Biden Justiça Juventude Lazer Manifestações Meio Ambiente Mudança Mundo Palestras e outros eventos Participação direta Política Políticas Públicas Propostas Recordar é viver Relações Internacionais Renovação Saiu na imprensa Saúde Segurança Sem categoria Tecnologias Transporte Público Violência voteearth Voto Ética
rss Comentários RSS valid xhtml 1.1 design by jide powered by Wordpress get firefox
English Afrikaans العربية български česky Deutsch ελληνική español eesti فارسی suomi français Gaeilge עברית हिन्दी italiano 日本語 한국어 bahasa Melayu Nederlands português русский svenska ภาษาไทย Türkçe українська 中文 (简体) powered byGoogle
Podcast powered by podPress v8.8.10.17