“A Revolução Republicana na Educação”
André Dutra | 20 de dezembro de 2011 | 9:50Acabei de ler nesta semana o novo livro do Senador Cristovam Buarque, título que replico aqui neste post “A Revolução Republicana na Educação”. Vou deixar aqui algumas impressões, mas sem nenhuma intenção (muito menos pretensão) de esgotar os argumentos e detalhes do livro, afinal, este é daqueles que vale a leitura. Seja você um admirador ou não das ideias e argumentos do Senador Cristovam, leia o livro. O livro é, basicamente, um manual de como se revolucionar a Educação no Brasil, agregando uma compilação de vários Projetos de Lei e outras propostas implementadas pelo autor, seja como Senador, Governador do DF (1995-1998) ou Ministro de Estado da Educação (2003).
Ele está dividido em quatro partes: O Quadro (onde apresenta-se o atual cenário da Educação no Brasil); As Propostas (como o nome diz, com as propostas para se revolucionar e modificar definitivamente este quadro estarrecedor); Custo e Financiamento (com o cálculo de quanto irá custar a Revolução, seja em aspectos meramente financeiros – quanto dinheiro – como em aspectos estratégicos e sobre o que está em jogo ao não se fazer a Revolução); e, por último,a Conclusão.
O quadro, como dito acima, é horripilante. Escolas degradadas, mal equipadas, professores desmotivados, mal pagos, alunos submetidos à uma péssima educação, sem acompanhamento, alimentação, socialmente vulneráveis, violência…. a lista é enorme. A desigualdade social e da escola do “rico” e do “pobre”, outro abismo. A Educação de Base em frangalhos contribui para o Ensino Superior continuar pouquíssimo inclusivo e em rumo declinante.
“O berço da desigualdade, está na desigualdade do berço.”
Assim como o quadro é extenso e deprimente, as propostas são muitas e passíveis de uma leitura atenta. Minha crítica é amplamente favorável, mas gostaria de discutir, também, com quem leu e não concorda com os pontos apresentados. Da criação da Carreira Nacional do Magistério, onde o professor teria um salário de R$ 9.000,00, passando pela implantação das CEBI’s – Cidade com Escola Básica Ideal – em todos os municípios do Brasil em um prazo de 20 anos (vale consultar as tabelas que mostram como seria escalonada anualmente essa implantação), passando pela criação de sistemas de monitoramento educacional e do aluno em si, qualificação profissional, mensuração meritocrática dos professores, infraestrutura, fiscalização etc.
A preocupação com a Educação de Base e a vontade de tornar isto como um projeto de Estado, um pacto social e político que visem colocar o Brasil no eixo de reconstrução social e tecnológica por meio da educação de seu povo, é evidente. Tratar a Educação como política de Estado, prioritária e estrategicamente vital para a sobrevivência no cenário internacional e para o bem-estar social dos cidadãos brasileiros. Esta é a caminhada que deve ser feita.
Tanto o custo de se fazer quanto o de não se fazer, mostram em inúmeras tabelas e projeções que a hora se faz adiantada, mas ainda podemos revolucionar a Educação no Brasil. Tratar o professor como uma das principais carreiras de Estado e evidenciar isto para a população, construindo um valor cultural futuro de como é um ofício dos mais importantes para o país e seu povo, com uma fatia confortável do Produto Interno Bruto brasileiro e que terá impacto no próprio PIB com o passar dos anos ou simplesmente continuar como está ou pior? Os custos apresentados nos mostram que falta não apenas uma liderança nacional que nos leve a isto, mas participação social e compromisso da elite e dos governantes, além (é claro) do tratamento da “miopia estratégica e social” destes que não enxergam a importância de se alterar urgentemente o atual cenário da Educação no Brasil.
Senador Cristovam Buarque, Senador Pedro Taques e eu, no lançamento do livro
Encerro com uma frase contida no livro, que diz: “A bola é redonda para o rico e para o pobre, mas o lápis do pobre é muito diferente do computador do rico”. Uma escola “igual” para todos, ou seja, com a estrutura básica e moderna (computadores, smart boards, quadras cobertas, laboratórios de física, química, biologia, entre outros equipamentos de extrema importância para o aprendizado dos nossos alunos) e que respeite os regionalismos inerentes a um país tão grande como é o Brasil, não é apenas necessária, como moralmente vital e economicamente viável. Uma escola redonda para ricos e pobres, que leve o nosso país a descontinuar o atual genocídio intelectual e social e até econômico, ao não prover as ferramentas básicas educacionais a seus cidadãos, aumentando todos os índices desagradáveis (violência, baixa escolarização, a vergonhosa existência de analfabetos e analfabetos funcionais em território brasileiro e por aí vai…) e colocando nosso país em posições vergonhosas nos rankings internacionais de desenvolvimento humano, escolarização e outros.
Já deixo aqui também meus votos de um Feliz Natal pra vocês e suas famílias e que todos tenham um ótimo 2012! Brigadão por tudo aqui nesse ano que passou!!! Grande abraço!




























