Meio ambiente: meu ambiente, nosso ambiente
André Dutra | 27 de fevereiro de 2009 | 10:33
A Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Conselho Internacional das Comunidades Científicas (ICSU) conceberam um projeto em conjunto chamado Ano Polar Internacional (International Polar Year – IPY), que arrecadou mais de US$1,2 bilhões de financiamento internacional para pesquisas sobre os círculos polares Ártico e Antártico. É a quarta edição do IPY, desta vez no período entre março de 2007 e março de 2009, sendo que a edição passada aconteceu entre os anos de 1957-58. Este período acaba, de fato, agora em março de 2009 e terá sua conclusão em junho de 2010, quando em Oslo ocorrerá uma conferência científica magna a respeito do IPY.
E onde o Brasil pode se inserir nessa, além do óbvio de ter uma das maiores florestas/reservas biológicas do mundo? O Brasil deve se mover para tirar proveito da situação, pois essa é uma oportunidade econômica e um dever moral da nação.
Os Estados Unidos de Barack Obama apresentaram o orçamento do país para o ano de 2010. Deste orçamento, além da vantagem apresentada na reportagem, que os brasileiros podem tomar com a redução do subsídio estadunidense aos agricultores, o Brasil deve caminhar estrategicamente para se posicionar como peça fundamental do novo cenário de matriz energética mundial. Afinal, energia é assunto de segurança nacional e nos dias modernos é um negócio muito lucrativo. Alie energia, segurança, dinheiro e ética ambiental e o que temos de mal?! Creio que nada.
Quantas leis vemos nossos nobres deputados e excelentíssimos senadores votarem para apoiar pesquisas científicas no Brasil? Na hora de aumentar o próprio salário fica fácil ser pró-ativo. Nossas florestas estão jogadas às traças, sendo exploradas criminalmente. Segundo o último Relatório de Monitoramento Global do Banco Mundial, do ano de 2008, o Brasil foi o país que mais desmatou suas florestas, entre os anos 2000 e 2005.
Na semana passada, a BBC informou que, até 2006, 26 espécies foram extintas por conta da deflorestação. Outras 644 estão em perigo.
Com apoio da FAPESP, a Universidade Federal de São Carlos criou um método para usar quase todo tipo de lixo plástico na confecção de papel. O "papel plástico" é mais resistente e é barato (pois sua matéria prima é lixo) e além de tudo ecologicamente correto, pois não utiliza celulose.
Do Brasil também veio o primeiro avião que usa como combustível o etanol (álcool), utilizado na produção rural. Chama-se Ipanema.
Mas a falta de investimento do Estado para pesquisa (que é o resultado do investimento na educação) é uma chaga aberta. É necessário que o país invista em educação, desde a base até a ponta. Com produção científica-intelectual, podemos avançar no novo cenário que se desenha em nossa frente. Para que esses investimentos sejam feitos, precisamos reinventar a forma como nossa economia é guiada. Nossos tributos têm de ser melhor geridos para que tragam retorno à sociedade. Não ficar dando dinheiro para organizações que não prestam serviços decentes à sociedade (perdão pelo link com este comentarista), combater a corrupção de dentro para fora, ouvir o apelo popular e trabalhar com a demanda do povo na construção das leis. Precisamos de ética e éticos. Precisamos de vergonha na cara, de líderes e não de coronéis. Precisamos nos movimentar.
Agora fica a pergunta: por que investir no "pré-sal"? Por que não um investimento em tecnologia verde, limpa, renovável, ecologicamente correta, barata, reciclável… tecnologia inteligente e do futuro. As reservas de petróleo brasileiras são importantes, mas seria interessante tê-las como ponto central estratégico do nosso futuro? Que retorno teremos no médio prazo? Enquanto todos pensam, inclusive os Estados Unidos (for Christ’s sake), em repensar suas matrizes energéticas e investir em energia renovável, continuamos a caminhar na contra-mão, com um sorriso no rosto e o pensamento de "é, estou mandando bem"?!?


















