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Energia nuclear: o Brasil e o mundo em direções opostas

André Dutra | 1 de junho de 2011 | 23:41
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Ontem li uma nota no Blog do Noblat falando sobre o Brasil indo pela contra-mão mundial no que tange à energia nuclear. Vejam:

Brasil vai na contramão e amplia programa atômico

O Globo

No momento em que vários países decidem rever seus programas nucleares – segunda-feira, a Alemanha anunciou que vai desativar suas usinas até 2022 -, o Brasil toma a direção contrária e decide usar benefícios fiscais para estimular a ampliação de seu programa atômico.

Depois do acidente em Fukushima, no Japão, em março último, países como Suíça, Bélgica e China cancelaram ou suspenderam novas licenças para a construção de usinas.

Enquanto isso, o Brasil está construindo Angra 3 e a Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, medida provisória que concede incentivos fiscais para compra de equipamentos a serem usados na geração nuclear.

A MP 517 ainda será votada no Senado. Além disso, o governo Dilma Rousseff deve manter a estratégia de mais quatro usinas até 2030, como previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, hoje em revisão.

Ao lado de Angra 1, 2 e 3, as novas unidades dobrariam a fatia da fonte nuclear na geração de eletricidade, para 5%, informa a reportagem de Danielle Nogueira, Eliane Oliveira e Mônica Tavares.

É preocupante, depois da tragédia no Japão (em Fukushima), provocada por um terremoto de grandes proporções, que ainda pensemos em aumentar o uso desse tipo de energia. Em análise superficial, a produção causa poucos impactos e possui razoável custo-benefício. Entretanto, qualquer defeito, falha, desastre ou quaisquer tipos de imprevistos podem causar danos incomensuráveis e irreparáveis. É só ver o acontecido em 1986, na cidade ucraniana de Chernobyl, cidade que virou deserta depois do acidente na usina nuclear.

Ora, nosso país possui um extenso território, rico para a pesquisa e produção de diversos modais energéticos ecologicamente sustentáveis e renováveis, como luz solar e energia eólica, além do biodiesel e etanol. Até mesmo o pré-sal, sobre o qual tenho ressalvas, é menos perigoso do que uma novas fontes de produção de energia  nuclear, que podem alterar a vida de grande parte do país. Tendo esta preocupação, alguns meses atrás escrevi um pequeno artigo sobre o Senador Cristovam e sua preocupação que vinha sendo evidenciada a respeito da energia nuclear. Espero que gostem:

O Senador Cristovam Buarque e a energia nuclear (21/03/2011)

O terrível terremoto (e tsunami) que abalou o Japão e sua população, um dos mais fortes tremores da História, já é considerado o desastre natural financeiramente mais caro do mundo, podendo chegar a custar US$ 250 bilhões para a Economia japonesa. Há ainda a iminente ameaça de uma tragédia atômica naquele país. As estruturas de algumas usinas nucleares foram severamente prejudicadas e já há relatos de aumentos significativos do nível de radiação na cidade de Fukushima e até de contaminação de fontes de alimentos e água.


Cristovam em Chernobyl

O Senador Cristovam Buarque iniciou no Twitter uma grande discussão sobre o uso da energia nuclear, considerando esses graves problemas no Japão, bem como outros tristes episódios ocorridos, como o desastre em Chernobyl (Ucrânia), em 1986 e o envenenamento por Césio-137, em 1987 em Goiânia, que atingiu milhares de pessoas direta e indiretamente.

Cristovam chegou a sugerir um plebiscito mundial, via internet, sobre o uso de energia nuclear. Ainda em seu Twitter, ele disse “Além do Edgar Morin, propus também a Daniel Cohn-Bendit liderar o plebiscito mundial sobre uso da energia nuclear”. Edgard Morin é considerado um dos principais pensadores contemporâneos, antropólogo, sociólogo e filósofo francês. Daniel Cohn-Bendit é um político francês, de origem alemã, deputado europeu e co-presidente do grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Européia.

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Resumão d'O Retorno !

André Dutra | 24 de julho de 2009 | 18:39
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Queridos leitores e leitoras, finalmente estou de volta. Logo num dos melhores momentos vividos por este blog, eis que houve uma pane geral que o tirou do ar e que coincidiu com duas semanas intensas de trabalho. Este post será um apanhado geral dos últimos acontecimentos comigo e com o blog.

Logo após as marchas do #forasarney, aqui em Brasília, um grupo de trabalho foi montado para tratar melhor dos atos e unificar nossas vozes. O amigo Danilo Soares foi o cara que pensou o GT e é um cara que me apoiou desde o início das marchas. Foi então criado um grupo suprapartidário e de interesse coletivo para discutir e planejar ações, com vistas a mantermos uma voz ressonante, frente às infelicidades políticas que vivemos na atualidade.

Sendo assim, tivemos a idéia de um interessantíssimo protesto, depois de avaliar que as marchas estavam com pouca adesão na “vida real”, como tratei na entrevista ao Correio, no post passado. No dia marcado para nosso “ato secreto” (como ficou intitulado nossa manifestação), vários problemas fizeram com que tivéssemos que abortar a missão, que passou para o outro dia. Infelizmente, tristezas do destino, me fizeram acordar muito mal de saúde e não compareci ao ato de verdade. O que seria nosso FORA SARNEY, ficou na mídia como FORA ARNEY, sem o S. Eu era o primeiro “S”, que passou para outra pessoa. Essa pessoa foi barrada, mas nada desses imprevistos impediu o sucesso de nossa idéia.

Na mesma semana, mudando um pouco de assunto, eu estava muito envolvido e ocupado com uma simulação da ONU, a maior da América Latina, chamada AMUN – Américas Model United Nations, que aconteceu no Instituto Rio Branco. Fui chefe da delegação da minha faculdade e representamos a Alemanha. Eu fui para a Organização Mundial de Saúde (World Health Organization) onde fiquei muito feliz pela minha participação e trabalhos. Não entrarei nos méritos de premiação aqui, pois este ano houve grande controvérsias neste quesito. Mas um apanhado geral do evento é que foi muito bom, apesar dos pesares, com ótimas pessoas de todo o Brasil participando e com a oportunidade de matar a saudade de alguns amigos que moram longe.

Simultaneamente, eu estava adiantando uma matéria, num modelo intensivo, o que  tornou minha rotina excessivamente cansativa. No final das contas deu tudo certo, não tanto quanto eu desejava, mas em se considerando o grande grau de atividades e o tanto que elas exigiam de mim, foi até uma felicidade ver que consegui levar tudo num nível muito satisfatório de trabalho.

Agora, finalmente, o blog está de volta à ativa. Voltei à rotina comum e espero deixar este espaço sempre atualizado, tanto de notícias, quanto das minhas idéias. Vocês sabem, também, que outro espaço muito dinâmico de comunicação é o meu Twitter! Me sigam por lá! =)

Um grande abraço e até o próximo post, que sairá em breve!

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é-Democracia

André Dutra | 3 de junho de 2009 | 18:34
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A Câmara dos Deputados divulgou hoje, através de seu Twitter, uma nova ferramenta que visa buscar maior participação popular na formulação e no debate de propostas legislativas. Essa ferramenta se chama é-Democracia, um joguete de palavras muito bem bolado, por sinal.

Por meio do portal do e-democracia, será possível apresentar sugestões sobre propostas em tramitação, elaborar minutas de projetos de lei de forma colaborativa e compartilhar informações que possam contribuir para a discussão.

A primeira comunidade de discussão será sobre Meio-Ambiente! Entre aqui no link do é-Democracia, inscreva-se, monte seu perfil e participe!

Se quiser saber ainda mais sobre a ferramenta, clique aqui!

 

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Meio ambiente: meu ambiente, nosso ambiente

André Dutra | 27 de fevereiro de 2009 | 10:33
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A Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Conselho Internacional das Comunidades Científicas (ICSU) conceberam um projeto em conjunto chamado Ano Polar Internacional (International Polar Year – IPY), que arrecadou mais de US$1,2 bilhões de financiamento internacional para pesquisas sobre os círculos polares Ártico e Antártico. É a quarta edição do IPY, desta vez no período entre março de 2007 e março de 2009, sendo que a edição passada aconteceu entre os anos de 1957-58. Este período acaba, de fato, agora em março de 2009 e terá sua conclusão em junho de 2010, quando em Oslo ocorrerá uma conferência científica magna a respeito do IPY.

As pesquisas, entre outras descobertas, revelaram aquilo que parecia ser evidente: a agência climática das Nações Unidas disse anteontem (25/02/2009) que grandes camadas de gelo da Groenlândia e Antártica estão perdendo massa.

E onde o Brasil pode se inserir nessa, além do óbvio de ter uma das maiores florestas/reservas biológicas do mundo? O Brasil deve se mover para tirar proveito da situação, pois essa é uma oportunidade econômica e um dever moral da nação.
Os Estados Unidos de Barack Obama apresentaram o orçamento do país para o ano de 2010. Deste orçamento, além da vantagem apresentada na reportagem, que os brasileiros podem tomar com a redução do subsídio estadunidense aos agricultores, o Brasil deve caminhar estrategicamente para se posicionar como peça fundamental do novo cenário de matriz energética mundial. Afinal, energia é assunto de segurança nacional e nos dias modernos é um negócio muito lucrativo. Alie energia, segurança, dinheiro e ética ambiental e o que temos de mal?! Creio que nada.

Quantas leis vemos nossos nobres deputados e excelentíssimos senadores votarem para apoiar pesquisas científicas no Brasil? Na hora de aumentar o próprio salário fica fácil ser pró-ativo. Nossas florestas estão jogadas às traças, sendo exploradas criminalmente. Segundo o último Relatório de Monitoramento Global do Banco Mundial, do ano de 2008, o Brasil foi o país que mais desmatou suas florestas, entre os anos 2000 e 2005.
Na semana passada, a BBC informou que, até 2006, 26 espécies foram extintas por conta da deflorestação. Outras 644 estão em perigo.

Com apoio da FAPESP, a Universidade Federal de São Carlos criou um método para usar quase todo tipo de lixo plástico na confecção de papel. O "papel plástico" é mais resistente e é barato (pois sua matéria prima é lixo) e além de tudo ecologicamente correto, pois não utiliza celulose.
Do Brasil também veio o primeiro avião que usa como combustível o etanol (álcool), utilizado na produção rural. Chama-se Ipanema.

Mas a falta de investimento do Estado para pesquisa (que é o resultado do investimento na educação) é uma chaga aberta. É necessário que o país invista em educação, desde a base até a ponta. Com produção científica-intelectual, podemos avançar no novo cenário que se desenha em nossa frente. Para que esses investimentos sejam feitos, precisamos reinventar a forma como nossa economia é guiada. Nossos tributos têm de ser melhor geridos para que tragam retorno à sociedade. Não ficar dando dinheiro para organizações que não prestam serviços decentes à sociedade (perdão pelo link com este comentarista), combater a corrupção de dentro para fora, ouvir o apelo popular e trabalhar com a demanda do povo na construção das leis. Precisamos de ética e éticos. Precisamos de vergonha na cara, de líderes e não de coronéis. Precisamos nos movimentar.

Agora fica a pergunta: por que investir no "pré-sal"? Por que não um investimento em tecnologia verde, limpa, renovável, ecologicamente correta, barata, reciclável… tecnologia inteligente e do futuro. As reservas de petróleo brasileiras são importantes, mas seria interessante tê-las como ponto central estratégico do nosso futuro? Que retorno teremos no médio prazo? Enquanto todos pensam, inclusive os Estados Unidos (for Christ’s sake), em repensar suas matrizes energéticas e investir em energia renovável, continuamos a caminhar na contra-mão, com um sorriso no rosto e o pensamento de "é, estou mandando bem"?!?

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