A Copa do Mundo, as Olimpíadas e o futuro do Brasil
André Dutra | 1 de março de 2010 | 18:49ATUALIZAÇÃO: Este post foi gentilmente lido pelo Sr. Presidente Luciano Cabral, da Confederação Brasileira do Desporto Universitário -- CBDU, que divulgou no side da Confederação meu artigo. Fico feliz e grato, também me colocando ao dispor para maiores eventualidades e possíveis contribuições para com a CBDU. Leiam lá também!
Ontem terminaram as Olimpíadas de Inverno de Vancouver. A festa de encerramento foi sensacional! Apesar do evento em si ter apresentado alguns problemas (sendo o mais trágico a morte do georgiano Nodar Kumaritashvili, na pista de luge, skeleton e bobsled), o saldo fo0i altamente positivo.
O Brasil será palco da Copa do Mundo da FIFA em 2014 (no dia 31 de maio de 2009 foram anunciadas as sedes oficiais da Copa -- Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Manaus e Natal) e das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro (anunciado em 02 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca). Respectivamente, são 4 e 6 anos de antecedência para que o Brasil arrume a casa e não passe vexame nos eventos que trazem não apenas ganhos econômicos para o país, mas puxam a atenção de bilhões de espectadores em todo o mundo.
Venho aqui expor minhas ressalvas, esperanças, críticas, sugestões, dúvidas e demais comentários sobre nosso futuro de país e esporte. Lembro, também, que tanto 2014 quanto 2016 serão anos eleitorais, apenas diferenciando-se pelo primeiro ser a nível nacional e o segundo, municipal. Será que isso pode interferir crucialmente no andamento dos planejamentos, obras e demais ações de melhoria social, política e esportiva nos eventos? Creio que sim, mas espero que não. Esse ano de 2010 é marco divisor e influente lá pra frente. Os líderes de agora farão todas as bases daquilo que veremos mais à frente.
Uma das minhas maiores preocupações é a questão logística-estrutural brasileira. Para a Copa no Brasil em 2014, é exigido uma ampla gama de meios de transporte e infra-estrutura que passam por stradas, aeroportos, rede hoteleira, estádios, ginásios, campos, segurança, saúde, transporte público…
O mesmo é importante para o Rio de Janeiro, que ao menos teve uma grande experiência ao sediar os Jogos Panamericanos de 2007. Mas um projeto para o país é algo bem diferente de um projeto para uma cidade, vale dizer!
Como país-sede, temos vaga garantida nos eventos esportivos. No caso das Olimpíadas de 2016, poderemos ter delegação completa para todas as modalidades. Normalmente, isso facilita o bom desempenho dos países-sede. Como vimos, a China teve seu projeto bem-sucedido em Pequim 2008, vencendo os EUA e se colocando finalmente como grande potência mundial do esporte. Nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, o Canadá superou todas as expectativas, sendo o grande campeão em número de medalhas de ouro (14).
Como sairemos tão bem no Rio, em 2016? Nossa última participação olímpica nos deu 15 medalhas (3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes), nos deixando na 23ª posição no quadro geral de medalhas. Melhorar MUITO ainda será pouco para se galgar até as primeiras colocações. Mas como a China conseguiu? e O Canadá?
Não vejo no Brasil hoje (e nunca vi), um projeto de Estado onde possa manter aqui suas melhores cabeças e talentos nos mundos acadêmico, técnico-científico e esportivo. Os outros países entenderam isso e passaram a não mensurar esforços para isso. Não me basearei amplamente no caso chinês, pois sabemos que é fato que o regime político vivido por eles não é democrático, o que sou contrário. Mas há certas evidências que temos que observar se quisermos progredir como país e como potência.
Vejo necessidades urgentes de atrelar o projeto da Copa e Olímpico brasileiro com a educação. Temos uma educação pública altamente defasada e um modelo educacional segregador e desigualitário. A melhoria da educação da base ao Ensino Superior forma o cidadão, informa o cidadão e constrói o atleta que cresce longe das ruas e do trabalho precoce. Além disso, vejo com muitos bons olhos a questão de bolsas estudantis universitárias para atletas que possam nos representar futuramente. Cidadania, educação e esportes devem caminhar de mãos dadas. A sociedade requer isto e precisa disto. De outra forma, teremos o aumento das assimetrias sociais, bem como a evasão de talentos, que acabam por vir a enfrentar o Brasil no futuro, representando outros países (quantos atletas de origem brasileira representam outros países que os acolheram mundo afora?).
É de responsabilidade do Estado Brasileiro, também, de educar seu povo para entender sua importância no contexto nacional e internacional que será enormemente engrandecido com estes eventos globais. O brasileiro quer se enxergar como? Como vencedor. E para isso precisa vencer dentro dos campos, mas antes de tudo fora dele. Com emprego, educação e bons serviços públicos, teremos um povo que se vê melhor, que se respeita e que saberá respeitar os estrangeiros que aqui estarão. Polícias com treinamento, salários e equipamentos defasados, péssimas condições de trabalho e alta carga de stress terão uma pressão muito maior em cima deles nessas épocas e não poderão errar. O que está em jogo é a imagem do Brasil para fora e o sentimento do brasileiro para com ele mesmo.
Do Brasil que temos ao Brasil que Queremos, em 2022, temos um grande caminho a trilhar. Mas já perdemos tempo demais se buscamos um país que seja Socialmente justo, Economicamente forte, Ambientalmente sustentável, Democraticamente estável e Eticamente respeitável. Esse fim passa por um processo de mudança e transformação e temos o poder de iniciá-lo com força agora, neste ano, em 2010. É só batalhar para eleger os homens que sejam comprometidos com o país e com sua população, investir na educação, manter forte fiscalização nos gastos com estes eventos e com o dinheiro público em geral, além de pressionar e cobrar as autoridades públicas para se esforçar ao máximo em seu trabalho para o bem-estar social e o progresso brasileiro.
É hora de destruirmos o complexo de vira-latas e sermos o país grandioso que somos. É hora de não sermos mais promessa e sermos potência de fato. É hora de construirmos o futuro, pois o futuro já começou.

























