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Um chamado maior, para honrar meus princípios

André Dutra | 11 de outubro de 2011 | 13:00
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Minhas queridas e queridos amigos. Nos últimos anos todos puderam acompanhar por aqui, via Twitter, Orkut e Facebook, minha vida pública e partidária. A vocês sempre deixei meus sinceros agradecimentos pelo apoio, sugestões e críticas. Saibam que uma bela mudança aconteceu e começo agora uma nova fase, a qual gostaria de compartilhar com vocês. Saio do Partido Democrático Trabalhista (PDT) para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Deixo abaixo minha carta de desfiliação, com maiores detalhes sobre essa saída. Gostaria que vocês lessem, opinassem e repassassem a seus contatos. Conto com vocês nessa! Obrigado por tudo.

Não escrevo com alegria, nem sinto mágoa, raiva ou guardo qualquer tipo de ressentimento. Escrevo sobre o fim de uma fase importante de minha vida, que teve altos e baixos e que teve mais de uma culminância em relativo curto período de tempo. Escrevo sobre o fim de minha participação como militante do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e da Juventude Socialista do PDT (JSPDT).

As bandeiras pelas quais lutei e me fizeram entrar no PDT já não são mais respeitadas pela maioria dos que estão no Partido. Além disso, o discurso de renovação e de atuação socialista, brizolista e de esquerda, deu lugar à prática política que sempre abominei: segregadora, fisiológica e personalista. Já não me era permitido respirar ou ter pensamentos próprios, sem que pairasse sobre mim a sombra de retaliações silenciosas ou difamações que, mesmo completamente irreais, eram sussurradas como mantras até se consolidarem como verdade para os demais militantes. Aqueles que desejaram minha derrocada podem se regozijar, mas saio do PDT sem ser escorraçado ou dominado. Saio para um chamado maior, para honrar meus princípios, meus amigos e todos que me apoiam.

Este é o último recurso para que eu mantenha intacto tudo aquilo que acredito na política e na minha atuação ética e cidadã, na minha coerência, independência, além do zelo e respeito por todos aqueles que confiam em mim diariamente. Gostaria de lembrar dos que dividiram comigo o sonho de 2010, confiando seu voto em mim e nas ideias que represento. Não chegaria a este ponto extremo de desfiliar-me e trocar de legenda se eu não considerasse a situação insustentável. A vida segue por caminhos planejados que acabam por tornar-se trilhas desconhecidas e misteriosas, mas somos nós os responsáveis por nossas escolhas e são elas que definem quem somos e nos tornamos.

Saio do PDT depois de mais de 3 anos. Neste período conheci grandes figuras de todo Brasil. Bons companheiros e companheiras com os quais tenho a certeza de que com eles ainda terei o prazer de ombrear em muitas lutas futuras. Tive o prazer de dividir legenda com um grande ícone e exemplo em minha formação política, o hoje Senador e sempre Professor Cristovam Buarque. Cada conversa foi um grande aprendizado, e cada momento de convivência uma honra. Ademais, continuará a ser um líder a ser seguido e um amigo com quem manterei forte ligação. Por seu exemplo e de pessoas como Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Jefferson Peres, cheguei ao PDT. É para manter o zelo e a vontade de defender seus legados, os quais encampam boa parte daquilo que tenho como prioridades na política, que saio da sigla. Outro amigo, que agora será também um companheiro além-sigla é o Deputado Reguffe, que ainda dará muitas contribuições para o Distrito Federal ao longo dos anos que virão. Agradeço aos dois pelas conversas, conselhos, companheirismo e momentos em que estivemos juntos pensando numa forma de se fazer boa Política. Continuaremos unidos em busca da mesma causa.

Para continuar a ser a mesma pessoa que vocês conhecem, para respirar e falar sem que tentem esmagar minha garganta e para manter minhas pernas autônomas, aceitei o convite feito por um grande partido, com belas bandeiras históricas e também com líderes de peso, a quem sempre respeitei. Foi uma honra ser convidado a me enfileirar aos militantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), juntamente com o Senador Rodrigo Rollemberg, a quem conheci quando ele era Deputado Federal e, mais proximamente, durante a campanha eleitoral de 2010. É um partido de nomes exemplares como Miguel Arraes e Luíza Erundina. Também é a casa da família Capiberibe, a quem tive o prazer de conhecer e que divide comigo os mesmos pensamentos sobre indivíduos como o coronel Sarney. E no DF conta com o Senador Rodrigo Rollemberg, que provém da luta da juventude, sendo um dos fundadores da JSB. Chego ao PSB feliz e de peito aberto, sabendo ser igualmente recebido como uma pessoa que quer somar ao processo político, aprender e compartilhar conhecimento, lutando de forma limpa, democrática e livre para o ganho coletivo das pessoas do Distrito Federal. Chego com amigos que já tinha, alguns que conheci agora e tantos outros que terei o prazer de conhecer daqui para frente. Fico feliz pela crença em meu potencial e no que posso desenvolver juntamente com o Partido e com a Juventude do PSB para que possamos encontrar um caminho melhor dentro da política brasiliense. Fico grato e atento à responsabilidade de minha participação neste novo espaço, onde continuarei a trabalhar com o afinco de sempre.

Portanto, por não me proporcionar mais condições de me manter fiel aos meus princípios, e por não concordar com um projeto que abrange determinadas variáveis às quais eu não acredito e que não projetam no futuro espaço de mudança coletiva, que busco novo caminho. Esse conflito de pensamentos entre forças existentes no partido e minhas convicções não me permitiam seguir em frente de uma forma saudável e democrática. Por vocês que acreditam em mim, que são minha força e minha motivação para manter a disposição de lutar na política, apesar das adversidades constantes que são parte dela, sempre me incentivando a não desistir, a caminhar para frente e a jamais desistir de meus princípios, que tomo esta decisão em busca de coerência. Busco com isso não abandonar o sonho da transformação social honesta, limpa, sustentável e digna à qual quero fazer parte com vocês; por manter minha consciência limpa, e acreditando que devemos saber a hora de seguir para novos ares e abraçar novas fases da vida, não enterrarei meus valores.

Tenho certeza que no PSB conseguirei manter tudo aquilo que acreditamos e nesta nova morada poderemos construir uma fundação profunda, forte e resistente, de esquerda, socialista, meritocrática e sem ter de abandonar princípios ou ceder por quaisquer motivos que porventura tentem desnortear tudo aquilo pelo que lutamos. Tenho uma grande tarefa à frente, atuando como Presidente da Juventude Socialista Brasileira no Distrito Federal (JSB-DF).  Juntamente com o Secretário de Juventude da JSB-DF, a nova executiva eleita e nossos militantes, vamos construir uma base jovem, atuante e democrática para lutar por um Distrito Federal que sonhamos e merecemos.

Obrigado a todos que apoiaram esta decisão. Saibam que foi tomada considerando todos aqueles que acreditam que é possível fazer política sem se vender. Vocês são meu combustível! Quando resolvi entrar na Política e me candidatar, o fiz por um sonho e pela coletividade. Minha escolha pessoal foi embasada naquilo que desejo para a sociedade. Minha luta não é personalista. Ela busca uma vida mais justa para todos, pois é com oportunidades iguais e com justiça social que modificaremos nossa realidade. Estou de braços abertos e ouvidos atentos para receber e ouvir a cada uma e a cada um que queira conversar sobre os pormenores de toda essa história.

Novos tempos! Conto com vocês nesta caminhada. Muito obrigado, de coração!

 

André Dutra.

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Todo dia é dia de carro no DF

André Dutra | 22 de setembro de 2011 | 11:33
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Entendo que este já é um problema de praticamente todo o país, mas como filho da terra e morador de Brasília, a capital de nosso país, não posso deixar de falar (outra vez) de nosso sistema de mobilidade urbana. Ou melhor, que sistema?

Hoje é o Dia Mundial Sem Carros. Falar isso a qualquer pessoa que mora no Distrito Federal é como contar uma piada (como aquela do sujeito que ganha na Mega Sena acumulada e é questionado pelo amigo sobre o que fará com a bolada, no que responde “Vou comprar um apartamento no Noroeste!”. O amigo pergunta de volta “E o resto da grana?” e o ganhador rebate “Ah, o resto eu financio pela Caixa”).

Andar de carro no Distrito Federal já é um martírio. Não andar, é muito além de um suplício! Mostrei aqui as condições gerais dos ônibus usados para transportar os brasilienses e também da Rodoviária do Plano Piloto. Frota suja, velha, barulhenta e até cheios de baratas.

Ontem, o Bom Dia DF e o DFTV 1ª Edição pautou uma matéria de minha sugestão, depois que escrevi o post “O acochambrê do incochambrável“, denunciando as condições indignas da Rodoviária que está no coração da capital brasileira. A matéria ficou muito boa, retrata perfeitamente o que passamos todos os dias ao usar aquele local: vítimas do descaso e da incompetência/falta de vontade das autoridades para servir o povo e não se servir dele. As telas instaladas na Rodoviária além de não informarem bem o usuário e se valerem de publicidade, também serviram para esconder a placa de reinauguração daquela Rodoviária, em 1998, pelo então Governador Cristovam Buarque. Coincidência?

Vejam abaixo o vídeo (ou aqui, direto do site da Globo DF) da matéria e aqui também o link para a matéria escrita, do G1:

httpv://www.youtube.com/watch?v=cLZBFVscju4

No Dia Mundial Sem Carro, estamos fadados ao caos, caos e mais caos. Não temos ciclovias, programas educacionais de respeito aos ciclistas, frota decente de ônibus, transporte inteligente e de bom custo… a enorme quantidade de carros provoca engarrafamentos, perda de tempo e qualidade de vida, degradação do meio-ambiente, aumento do stress e mesmo da violência urbana decorrente disto, estacionamentos sempre lotados, entre vários outros problemas que poderiam ser evitados. E nada é feito para se alterar esta lógica, predominando uma inversão de prioridades sociais de extremo impacto na vida dos cidadãos.

Em Brasília, hoje deveria ser o Dia da Luta Pela Revolução no Transporte, transformando o DF em um exemplo mundial de mobilidade e tratamento com seus cidadãos.

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O acochambrê do incochambrável

André Dutra | 15 de setembro de 2011 | 11:04
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Todo brasileiro conhece a expressão “jeitinho brasileiro“, que é aquela situação em que a malandragem e mesmo a capacidade de adaptabilidade que todo brasileiro nasce de fábrica aflora para solucionar problemas até então insolucionáveis. O “jeitinho” às vezes é usado para o bem (adiantando trâmites excessivamente burocráticos ou com simples pró-atividade de uma pessoa, por exemplo) e muitas vezes para o mau (como furar filas, enganar um consumidor etc etc, não faltam exemplos).

Já a expressão “acochambrê” vem de “feito nas coxas”, expressão que deu-se na época da escravidão brasileira, onde as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de escravos. Obviamente, os escravos tinham diferentes portes físicos, causando a fabricação de telhas completamente desiguais e, consequentemente, telhados desnivelados (fonte blog Expressões Populares).

Aqui, vemos um belo exemplo de jeitinho brasileiro de se acochambrar alguma coisa. Como tirar a atenção de um local imundo, que fede a urina, com péssimas condições de mobilidade e que está no coração de Brasília? Coloque umas dúzias de telas de LCD, passando propaganda, horóscopo e desinformando. Um show de alienação, chacota com a cara do contribuinte e, claro, de inversão de prioridades. Afinal, pra que investir em infraestrutura, conserto das escadas rolantes e elevadores e limpeza para oferecer condições mais dignas aos usuários da Rodoviária do Plano Piloto?


Chegando na Rodoviária – Plataforma Superior


Rodoviária – Plataforma Superior

Pelas fotos, deixo o julgamento a vocês, se é realmente uma melhoria urgente para a Rodoviária do Plano Piloto esse tipo de “benesse”.  Sempre fico muito triste quando falam das Rodoviárias de outras cidades, pois esta nossa está no centro de Brasília. Turistas que vão conhecer as lindas obras arquitetônicas do Eixo Monumental e Esplanada dos Ministérios devem guardar mais a imagem da depressão que é nossa Rodoviária, do que o lindo céu e prédios que essa cidade, obra única no mundo, tem a oferecer para nossos olhos. Sou totalmente contra privatização, pois sei que o que falta é coragem e vontade das autoridades competentes. Ah, falta também competência e vergonha na cara. VEJAM O VÍDEO ABAIXO, pequena compilação de como está a Rodoviária:

httpv://www.youtube.com/watch?v=SgRAx0RiyJw

.


Telão com imagens de Brasília (“só” vi dois, mas parece que são três) 



Uma das telas, agora em todas as paradas/”baias” da Rodoviária

Esse tipo de melhoria é bom, no tempo certo. Não é o tempo certo enquanto nossa Rodoviária for o lixo, vergonha e constrangimento que é.  O itinerário e linhas dos ônibus estão dispostos nesses “totens inteligentes” de uma forma burra e pouco clara, confusa e muitas vezes equivocada. Mais interessa a propaganda do que a informação de pra onde,e como ir… Ah, ainda não falei dos decibéis dentro dos ônibus, né? Olha quanto marcou hoje, no meu caminho trabalho-casa (clique nas imagens para ver em tamanho real):

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Tabela que exemplifica potência dos ruídos


Tempo máximo de exposição x Potência do ruído

Façam as contas de uma viagem média de ônibus e o tempo de exposição… E aí, é exagero ou a coisa tá feia?

PS.: “Esse post não foi publicado ontem, porque, enquanto eu escrevia, três meliantes abriam meu carro para tentar furtá-lo. Vi no ato, gritei e os espantei, enquanto a Polícia chegava. Isso atrasou o post e me deixou ainda mais indignado com o DF que tanto amo, entregue às máfias que controlam os serviços públicos e à marginalidade crescente, produtos de uma sociedade politicamente doente, que não tem programas de solução para a educação e saúde de seu povo e queima cérebros, enquanto produz bandidos (com e sem colarinho branco).

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Ao povo, as baratas!

André Dutra | 10 de setembro de 2011 | 19:49
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Em seu livro “Quincas Borba”, o personagem-título de Machado de Assis conta para Rubião a história de duas tribos famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com as energias repostas, os vencedores poderiam transpor as montanhas e chegar a um campo onde há uma grande quantidade de batatas para alimentá-los. Então, Quincas Borba finaliza: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

Saindo da ficção e vindo para a realidade, vemos no DF hoje uma situação em que o Estado, bem alimentado, trata seu povo sem o mínimo de compaixão, mas com grandes nuances de ódio. Isso porque o Estado que deveria nos proteger e servir, há muitos anos se serve do povo e subverte todo o sentido de sua própria existência. No último 7 de Setembro, entretanto, o povo mostrou que ainda está acordado e não apenas pode, como deve e está pronto para cobrar por mudanças ao gritar contra a corrupção no Dia da Independência!


Marcha Contra a Corrupção – 7/9/2011

Hobbes dizia que o Estado deveria ser forte, autoritário, para que protegesse o povo dele mesmo. Sua famosa frase “o homem é o lobo do homem” remete ao perigo que a sociedade estaria submetida sem um Estado que controlasse parte de nossas liberdades, por meio de Leis, normas e punições. Mas o mesmo Hobbes diz que se esse mesmo Estado é capaz de cair, quando não for capaz de manter a segurança de seu povo. O “soberano” ou ditador, não existe de fato no Brasil, muito menos no DF, mas nossas autoridades que constituem o Estado não estão fazendo sua parte em relação à sociedade. Não estamos protegidos, não temos saúde, educação e até nosso direito de ir e vir está ameaçado às mais perversas e indignas condições, como podemos ver pelo vídeo abaixo:

httpv://www.youtube.com/watch?v=LCJhbC6pvDE

Esta é a hora em que temos que continuar a agir e reagir. É a hora de cobrarmos aquilo que nos é prioridade, mesmo que as outras ações do Estado também sejam importantes, como algumas obras e investimentos. Mas a prioridade máxima é a proteção e dignidade dos nossos cidadãos, que exigiram no voto um “Novo Caminho” primeiro para a Educação, Saúde, Segurança e Transporte e não esse caminho sinuoso e desvirtuado em que estamos hoje.

 

Só assim para sairmos dessas condições nojentas de vida em que estamos. Afinal, o DF deveria ser o grande exemplo social para todo o Brasil. E só atingimos o status de exemplos de como não fazer, não ser e não seguir. O Estado está de olhos fechados para a população e temos que fazer alguma coisa. Até quando teremos situações de tamanho descaso como a queda da “Batcaverna” na Ceilândia, uma verdadeira crackolândia esquecida pelas autoridades?

Que ao nosso povo, possamos dar as batatas de uma Educação integral de qualidade e igual para todos, segurança e qualidade de vida, Saúde humanizada e universal, transporte digno, rápido e barato; além de oportunidades para que todos possam ter uma vida mais feliz.

Mas por enquanto, ao povo, somente as baratas do descaso.

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A corrupção nas prioridades

André Dutra | 6 de setembro de 2011 | 0:37
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O Distrito Federal passa há muitos meses, por uma grande carência de valores: entre aquilo que é algo importante para a coletividade e aquilo que é importante para um pequeno grupo. Há, nessa inversão de valores, um esforço maior para determinadas áreas, como as obras e propagandas, deixando em planos marginalizados outras áreas, como a Educação, a Saúde, o Transporte Público e outros.


(Clique na foto para ver maior)

Esse tipo de prática é também uma prática de corrupção. A corrupção nas prioridades do governo para com seu povo. É corrupção construir um viaduto ou um super estádio de futebol, enquanto o caos nos hospitais se mantém (e até piora), enquanto tantos alunos estão sem aulas nas escolas e enquanto pegamos ônibus caindo aos pedaços e infestado de baratas. Sim, baratas, vejam por vocês mesmos:

httpv://www.youtube.com/watch?v=LCJhbC6pvDE

Não sou contra o estádio e a Copa no Brasil, muito pelo contrário. Mas a inversão de valores proposta pelo governo que propunha um Novo Caminho para o DF, se valendo do que é melhor para pequenos grupos poderosos ao invés de atender às demandas e esperanças da sociedade é algo inadmissível! É um crime com os cidadãos do Distrito Federal construir uma obra que está custeada em quase R$700 milhões de reais (sem contar gramado, fiação de internet e Tecnologia da Informação e outros detalhes, que ainda somarão outros milhões de reais à obra), enquanto pegamos ônibus com infestação de baratas e sofremos nas filas de hospitais, nas escolas e nas ruas, cada dia mais inseguras.


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)

A capital do Brasil está cada dia mais perto de ser o grande exemplo para todo o Brasil, mas o exemplo de tudo errado. Este é o Velho Caminho, que continua a ser trilhado o nos levará a esta péssima posição: a capital da corrupção nas prioridades.


(Clique na foto para ver maior)

PS. Obrigado ao Lelê, grande amigo que me ajudou hoje e fez possível este post existir!

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Gene Sharp e a revolução por meio da paz

André Dutra | 17 de maio de 2011 | 16:22
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Pra quem não sabe, estou oferecendo uma oficina aos alunos e alunas dos 2º e 3º anos do CEAN, minha ex-escola, chamada “Oficina de ação social – (des)construindo o cidadão, sem ser chatão! É uma matéria optativa e a turma está praticamente cheia.  Minha intenção foi poder levar a eles conhecimento político, social e mesmo de áreas de minha formação, como algumas teorias de Relações Internacionais, economia política, noções de Direito, pensamento crítico etc. Não tive isso quando era estudante do Ensino Médio e acho que tem sido bem legal, tanto pra eles quanto pra mim, que aprendo bastante, também.

Hoje falamos sobre Maquiavel e discutimos sua célebre frase “os fins justificam os meios”. Em dado momento, ao final da aula, recomendei a leitura do livro “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”, de Gene Sharp (clique para baixar, versão em português).

Sharp tem 83 anos, é um cientista político estadunidense, pacifista e seus trabalhos inspiraram o levante popular no Egito, meses atrás. Seu trabalho, por sua vez, foi inspirado nos ensinamentos de Gandhi. Ainda há toques de conceitos como desobediência civil, de Thoreau,  boicotes econômicos e luta por direitos civis*. Para saber mais sobre Gene Sharp, sugiro leitura desse ótimo perfil feito pelo NY Times (em inglês).

Pra finalizar, deixo aqui o blog Da Ditadura à Democracia, onde se pode baixar vários documentos de Gene Sharp e conhecer mais do trabalho deste grande pensador!

* Fonte: Radar Global – Estadão

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Entrevista concedida à Elisa Chagas

André Dutra | 4 de maio de 2011 | 12:39
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Estou com alguns materiais ainda pendentes para publicação aqui no blog. Hoje deixo aqui a íntegra da entrevista que concedi à Elisa Chagas, estudante de jornalismo do UniCEUB. Ainda fico devendo o áudio e a matéria da entrevista que concedi ao Filipe Marques. Espero que gostem!

1. Idade e Partido?

25 anos, Partido Democrático Trabalhista – PDT.

2. Com que idade entrou para a política? O que te motivou?

Desde que me entendo por gente, já agia politicamente. Fui cara pintada contra Collor em 92, aos 6 anos, nos ombros da minha mãe. Na escola, desde o Ensino Fundamental, passando pelo 2º ano e até o fim da faculdade, fui sempre representante de turma. Curiosamente nunca fui de Grêmios e CA, era sempre oposição. Para a política partidária, entrei em 2008, com 22 anos.

Minha maior motivação sempre foi combater a desigualdade sócio-econômica. Não venho de família rica, nem tradicional da política. A busca pela melhoria do que era realidade para mim (escola pública, transporte público, moradia, saúde pública e até direitos civis) foi o que me mostrou que a luta política era a que detinha mais poder de transformação da realidade para uma realidade socialmente mais justa.

3. Por que logo a política, tão famosa pela corrupção?

A política, como disse antes, é a ferramenta mais eficaz de mudança da sociedade para uma vida mais justa. A busca que vejo que a política propicia pela justiça social e igualdade de oportunidade para todos é o que me motiva e legitima minha paixão pelo tema.

O grande problema é que hoje, no Brasil e em alguns outros países, temos uma inversão de valores. Conhecemos a politicagem e não a Política, com P maiúsculo. Nos chateamos pela corrupção, sujeira e más práticas e acabamos com as vistas embaçadas para o que as boas práticas nessa área podem fazer para mudar vidas das pessoas que mais precisam do Estado. É coerente uma pessoa de bem pensa “não vou entrar nesse antro, onde se tem uma corja de corruptos e ladrões”. É coerente querer ficar fora da lama. Porém, é ao mesmo tempo um grande erro, pois no que tange à política, nunca haverá espaços vagos. E uma vez que as pessoas de bem, de caráter e compromisso social deixam de se envolver nos assuntos políticos e de Estado, o espaço será obrigatoriamente ocupado pelas ratazanas do poder, pelos corruptos e de interesses escusos. Eu tenho a certeza de que estou desempenhando meu papel e essa vitória ninguém me tira: parto do princípio de que, se não fosse eu, seria alguém pior que eu.

4. Como foi liderar o movimento “Fora Sarney”?

O movimento foi um clamor social, popular e que teve grande repercussão e participação principalmente por parte dos jovens. Não me considero líder do movimento, mas uma das pessoas que não mediu energias e fez tudo o que estava a seu alcance para chamar atenção da sociedade para os desmandos e coronelismo do Senador Sarney. Foi isso que me motivou e a mais alguns colegas de manifestação a criar um grupo que pautou várias vezes a discussão sobre o Fora Sarney, com manifestações que chamávamos de “atos secretos” (parodiando os Atos Secretos do Senado), culminando com nossa prisão no Senado. Ainda há efeitos na minha vida daquela época. Até hoje não posso entrar no Senado sem a autorização da Polícia do Senado e estou buscando meus direitos para que essa violência a direitos como o de ir e vir e de liberdade de expressão seja definitivamente cortado. Hoje é comigo, amanhã não sei com quem pode ser.

No mais, foi um grande aprendizado. Vi como a mídia pautava as manifestações das mais diferentes formas, senti um pouco do que é a repressão raivosa de entes que há décadas atrás reprimiam pensamentos contrários a bala e não a tapas e pontapés (como levei) e por aí vai. Faria tudo de novo, pois além de legal foi uma atitude moral de nossa parte.

5. Como foi ser “preso” no Senado?

Senti tudo que acredito, todos meus direitos e a Constituição violentados. Nunca imaginei ser preso por falar o que penso e, pior, sendo algo legítimo, discutido amplamente pela sociedade, divulgado nos grandes veículos de comunicação, na internet e no próprio plenário do Senado. Vi ali o que é a prática política de velhas raposas que não soltam o osso do poder. Senti a dificuldade extrema que seria suplantar e modificar o sistema que vigora hoje na política brasileira, como é difícil renovar caras, práticas e ideologias políticas.

Nunca havia estado naquela micro-sala do subsolo do Senado. No início foi aterrorizante, apesar de eu sempre manter a calma. Fomos chantageados e ameaçados até a chegada dos Senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), José Nery (PSOL-PA), Valter Pereira (PMDB-MT) e Eduardo Suplicy (PT-SP) e, posteriormente, da Deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que ficaram conosco até sermos liberados daquela situação.

Ali vi, de fato, que o poder público vem sendo usado para interesses privados em vários âmbitos já há tempo demais no Brasil.

6. Que experiência levou da eleição passada? Pretende se candidatar novamente?

Foi uma experiência que eu adoraria dividir com todo mundo que conheço. Se fosse possível, queria que todo brasileiro e brasileira pudesse participar ao menos uma vez de uma campanha eleitoral. Claro, se as coisas fossem mais igualitárias, com campanhas mais justas, menos embasadas em poderio econômico e mais voltadas às ideias e propostas dos candidatos.

Aprendi demais e não há dinheiro que compre esse tipo de conhecimento e de experiência. Conversei com pessoas de todo tipo, visitei lugares que não imaginava visitar, pude estar muito mais perto de pessoas que admiro no mundo da política, como o Senador Cristovam e principalmente, levei o que penso para que as pessoas julgassem.

As dificuldades, entretanto são gigantes. Partido que não ajudou em nada na campanha, principalmente pelo fato de termos um Presidente à época que era candidato e “se auto priorizou” em detrimento dos outros; o fato de eu não ter poderio econômico para bancar uma campanha com material, serviços e recursos humanos abundantes (muito material acabou sobrando, pois não consegui distribuir tudo); a própria desconfiança das pessoas com qualquer coisa que se trate de política e por aí vai.

Entretanto, mostrei ser possível impactar a política com pouco. Era o candidato mais novo do meu partido, quase sem dinheiro e mesmo assim tive uma votação relativamente expressiva pautada por ideias e propostas. A experiência adquirida é tão extensa, que poderia ficar falando e escrevendo horas sobre isso!

E sim, pretendo me candidatar, novamente, com absoluta certeza!

7. Quais são os seus projetos atuais? Alguma coisa relacionada à política?

Minhas ambições continuam no sentido de renovar a cara da política no DF, que continua a mesma coisa de antes. Não tenho ambição por cargos ou status, mas quero compartilhar com as pessoas as coisas que aprendi na campanha e nesse processo e continuar a caminhada rumo a esse sonho de transformar a vida da população por meio das minhas ideias e ações.

Ultimamente tenho trabalhado na assessoria da Secretaria de Trabalho do DF (sou concursado do Metrô-DF e fui cedido para a SETRAB), onde estamos desempenhando um grande papel para a mudança social no Distrito Federal, buscando gerar oportunidades de emprego para as pessoas que estão em áreas de risco social, jovens em conflito com e Lei e pessoas em situação prisional e egressos desse sistema, por meio de qualificação profissional e intermediação de mão-de-obra. Além do meu trabalho assalariado, ultimamente estou me especializando em Gestão Pública, para me capacitar ainda mais sobre as coisas da Máquina Pública e da Administração, de forma a me tornar uma pessoa mais preparada para exercer um cargo eletivo.

Por último, sou professor voluntário na minha antiga escola de Ensino Médio e ministro uma oficina sobre Política, conscientização social, falando de ética, cidadania, pensamento crítico, ação social e outros temas, para alunos do 2º e 3º anos. Além das aulas, desenvolvi e ministro palestra sobre o mesmo tema da Oficina e também palestra para Estudantes de Relações Internacionais sobre a importância da participação da política pelo formado no curso. Também pretendo tocar mais alguns projetos pessoais e em grupo, mas que a falta de tempo ainda não me deixam realizar.

8. Como avalia os jovens? Alienados? Sem interesse por política?

Avalio como uma parcela da sociedade extremamente faminta por poder agir, mas em parte desmotivada e em parte sem conhecimentos sobre o tema, ou ambos. Como falei anteriormente, a Política hoje é vista num papel distorcido, o que afasta os jovens (a maioria dos que estão no poder são pessoas já velhas, que estão lá há décadas) e a falta de conhecimento do funcionamento das instituições e estruturas levam a esse afastamento. É, inclusive, de interesse de grande parte dos medalhões políticos que esses jovens não tenham acesso à informação, dificultando a renovação política e perpetuando-os e suas família no poder.

Porém, ao iniciar as aulas da minha oficina, vi que os jovens só precisam ser provocados. No Fora Sarney, não conseguimos fazer uma provocação eficaz a ponto de tirar milhares de pessoas de seus computadores, mas já foi um passo. Os jovens querem participar, mas estão em um enorme quarto escuro, desconhecido e com poucos e fracos pontos luminosos, muitos que acabam apagando rapidamente. Precisamos encher esse quarto de luz, que é simplesmente conhecida como Educação. Hoje temos um sistema precário de ensino e não de Educação, que trata o estudante como aluno autômato e não o prepara como cidadão. Precisamos de uma revolução na e da Educação no Brasil.

9. Todos os políticos dizem que vão ser diferentes, mas a maioria acaba sendo igual após eleito. Qual é o seu diferencial?

Essa é uma pergunta que se escuta com muita frequência. Eu tenho um objetivo: buscar justiça social e igualdade de oportunidades. Essa busca não é pra mim, é para que não só as pessoas tenham uma vida melhor, mas para que o Brasil se desenvolva e ocupe o lugar que pertence no Sistema Internacional, como a potência que deveria ser.

Meu diferencial é pautar minha vida política nas ideias e propostas tangíveis e na busca por mostrar para pessoas mais jovens que é possível participar da Política sem se corromper. Vou além: é necessário e um gesto de patriotismo participar da vida política de forma socialmente compromissada e ética (isso é o básico). Um exemplo simples é que hoje recebo um salário por volta de 15 (quinze) vezes menor que o de um deputado distrital. Mesmo para uma cidade de altíssimo custo de vida, não passo necessidades básicas. E o serviço público não existe para enriquecer ninguém, quem quer isto que vá para o setor privado, invista no empreendedorismo.

Por último, pontuo como diferencial minha experiência de vida e o fato de eu ser produto da Educação. Vivi situações que não desejo que outros cidadãos vivenciem. Se eu já me incomodo com o que vivi, imagine aqueles que vivem na pobreza e na miséria, abaixo da linha da pobreza? Não é digno, não é humano e não é aceitável que tenhamos isto em nosso país. Diferencio-me por querer que o mais pobre e o mais rico tenham possibilidade de serem o que quiserem, por meio de seus próprios méritos. Assim como eu e qualquer pessoa deveria ter a mesma chance de ser eleito que outros que gastam milhões em campanhas, mais do que receberão de salário nos 4 (quatro) anos de mandato.

10. Como garante que se entrar para a política não vai entrar nos “esquemas” existentes? (Não necessariamente corrupção)

Aprendi que se deve negociar, mas não se negocia com princípios. Meus princípios não mudam. O foco deve ser o trabalho para a mudança social, servir o povo, legislar pelo povo e para o povo. Quem pensa assim e trabalha assim não tem tempo pra perder com esqueminhas e negociatas, muito menos perfil pra se corromper. A visão é muito além dos ganhos pessoais, pois se você melhora a sociedade como um todo, é vantagem até para o mais rico, que terá mais segurança, maior qualidade de vida e conforto.

Deve se ter um lastro de negociação, saber ceder no que é possível, firmar pulso no que é necessário e, o mais difícil, tomar decisões certas nas horas certas. Isso é o que diferencia um político medíocre de um Estadista, “raça” em extinção no Brasil.

11. Como acha que podemos mudar a imagem do Congresso?

Mudando as caras que o preenchem. Para isso, só com uma grande revolução na Educação, com um pacto social e político que direcione o país para onde queremos que esteja em 50 anos. A pergunta que os políticos deveriam fazer para si mesmos deveria ser: que herança social quero deixar para meu país quando eu morrer? Hoje eles se perguntam a cifra da herança que vão deixar para os parentes e a herança política de continuidade no poder para os filhos e apadrinhados.

Isso acontecerá com a mudança de paradigma na Educação Brasileira. Hoje temos um sistema que prioriza o ensino (e olhe lá) e não a educação e formação do cidadão como tal. A mudança do Congresso deve começar pelo povo, mas não é interessante que isso aconteça por parte de quem já está no poder. Então essa mudança deve começar com focos de subversão do atual tipo de administração e política, pessoas que se comprometam com o futuro do país e da sociedade e que sejam foco dessa mudança, seja por meio da luta social, política, com voluntariado, ações pessoais, entre vários outros tipos de contribuições à sociedade que cada pessoa pode dar. O que posso fazer para minha antiga escola? Como posso melhorar meu trabalho? Como posso ser um agente de mudança social? Essas e várias outras perguntas podem trazer respostas para esta pergunta proposta e muitas outras. Afinal, se outros países saem de ditaduras (como nós saímos) e mudam regimes, impactam a vida da sociedade (como a Coréia do Sul em 50 anos), por que nós no Brasil não podemos conseguir isso em uma sociedade que tem como preceitos o Estado Democrático e de Direito, a liberdade de expressão e tantos outros direitos garantidos pela Constituição, a Carta Magna?

Precisamos, sim, da revolução na Educação.

É isso aí!

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