Proibição dos flanelinhas nas ruas: um assunto “politicamente intocável”? Não mais.

Cliquem nos links e tenham uma experiência completa neste post. Leiam, pois é importante construir a sua ideia sobre isso. Comentem e ajudem a discutir esse problema das cidades.

Há muito tempo venho pensando nisto e observando, seja por histórias de conhecidos em todo o país, seja pela minha própria experiência no dia-a-dia, tanto em Brasília como em outras cidades. Há muito tempo, também, venho discutido com amigos mais próximos e estudado uma forma de solucionar esse problema. Não há receita de bolo ou fórmula mágica, mas já vi que o assunto é um gigantesco tabu e ninguém quer levantar a polêmica. Pois bem, levanto eu, pois já não suporto mais: como acabar com o grande jogo sujo que se tornou a prática de “flanelismo” no Distrito Federal e em todo Brasil? Há muitos anos, não apenas o DF, mas todo o país sofre com a questão dos guardadores de carros, comumente chamados “flanelinhas”. Com o colapso do transporte público na grande parte das cidades brasileiras, o aumento de renda média do cidadão brasileiro e a facilidade de crédito e financiamento, a frota de carros de passeio vem aumentando em ritmo frenético nos últimos anos.

O assunto não é novo e a polêmica está entalada na garganta de muitos. Falarei por alto sobre o nível nacional da coisa, mas me permitam focar no DF e em Brasília, onde resido, vivo e onde creio poder iniciar uma mudança. No Distrito Federal o primeiro Governador preso da história do Brasil resolveu regularizar os flanelinhas, cadastrando-os e liberando um colete. Isso foi em 2009, antes de ser preso e tomado chá de sumiço. Muitos podem reclamar, afinal quem assinou o papel foi um cara “íntegro”, o ex-vice, que renunciou ao mandato em meio aos escândalos da Caixa de Pandora. Somente estes poderiam “vigiar” os carros nos estacionamentos públicos, gratuitos e não seria obrigado pagá-los. Santa ingenuidade ou populismo em busca de votos? Todos sabemos que não há fiscalização a respeito disto, muitos coletes foram vendidos, roubados, fabricados em casa… As recentes ondas de violência que assolam a capital do Brasil também nos levam a olhar para este filão da sociedade. Afinal, quem em Brasília não conhece vítimas ou já ouviu falar de assaltos, sequestros relâmpagos, furtos, danos ao carro e vários outros delitos ocorrendo até em plena luz do dia, em estacionamento com flanelinhas?!

Ora, é uma grande sinuca de bico. Se o cidadão que está nesta condição é honesto e vê um elemento perigoso, armado, abordando pessoas no carro ou quebrando a janela do carro para furtá-lo, em troca de R$0,50 (cinquenta centavos de real) ele se arriscará para impedir o delito? Indo mais a fundo: todos são honestos? Parto do princípio de que há, sim, pais de família vigiando carros, mas creio que uma enorme quantidade não é de bem, mas composta por vigaristas, além de fugitivos, usuários de drogas, traficantes e demais picaretas e sujeitos de má índole. Não somente há conivência com bandidos (seja dando dicas ou até ajudando no delito), como há ameaça a outros cidadãos de bem que querem estacionar seu carro (que não é mais um luxo da burguesia, muita gente rala, divide em 72 vezes seu carrinho e quer ter o direito de ir e vir como qualquer um, então sem hipocrisia de que isso só afeta os mais abastados, como dito anteriormente) e ter seu direito de usufruir dos espaços públicos e de uma vida de lazer e trabalho em segurança.

httpv://youtu.be/LI-9wge6Xb0

Não falo isso sem dados, não tiro isso somente da minha cabeça. Um levantamento feito pela Polícia Civil do Distrito Federal aponta que 25% dos flanelinhas irregulares flagrados pelos agentes em 2011 têm passagem pela polícia ou são procurados. Histórias como essa (mesma fonte do link passado) não têm nada de ficção científica:

O servidor público L.R., 38 anos,  tem medo de deixar o carro com flanelinhas e diz já ter sido ameaçado. “Como é difícil achar vaga, eu deixava as chaves com um flanelinha. Ele tinha crachá e colete. Mas um dia, não achava o carro e nem o flanelinha. Depois de dez minutos de espera, descobri que ele havia saído com o veículo. Quando ele chegou, fui tirar satisfações e ele me surpreendeu com um canivete e falou que se eu contasse a história para alguém, ele me mataria”, relata

Eles sabem aonde você trabalha, sabe seus horários, sua rotina. Eles têm o poder e te constragem. E o que se pode fazer? Você é refém desta situação. Sem exageros. Em Brasília, quem não tem carro sofre. Qualquer jovem de 17 anos ou qualquer pessoa que não tenha condições nem de ter um Lada velho e enferrujado sabe disso e é obrigado a passar por situações cada vez mais terríveis no transporte público da capital. Algumas situações já foram vistas aqui no blog, como baratas dentro de ônibus e a deprimente situação da rodoviária do Plano Piloto. Além disso, acidentes estão se tornando cada vez mais frequentes, não existem horários a serem respeitados pelos ônibus, o Metrô constantemente apresenta falhas técnicas e situações de caos (como a greve, às quais fui favorável, pois o metroviário do Distrito Federal trabalha em condições críticas há muitos anos) e por aí vai.

Mas quem pensa que ter seu carro próprio o livrará de mais martírios no DF, se engana, justamente por causa dos quase onipresentes flanelinhas. O déficit é de 40 mil vagas na capital, o que faz com que os flanelinhas se apropriem das ruas da capital e privatizando o que é público. Em locais como o Setor de Rádio e TV Sul, por exemplo, há até aqueles trabalhadores que têm que pagar mensalidade, para ter o carro “vigiado”. Quem não paga, se arrisca a ter o carro danificado ou mesmo roubado, já que não há garantias de “vigiá-lo”. À noite, nas festas e eventos ou até se for a uma padaria ou supermercado sem estacionamento interno, a situação é a mesma. Há ainda a intimidação e agressão (algumas vezes físicas, mas na maioria verbais) àqueles que se negam a pagar. Mas são onipresentes na chegada, pois quase nunca estão no mesmo lugar quando se vai embora, afinal mais uma modalidade que vem crescendo, comum em outras capitais, é o pagamento adiantado. Ou o contrário em locais de menos constância, como shows, bares e comerciais, onde só se vê as figuras no final, quando cobram o “serviço”.

Atualmente a imprensa tem feito muitas reportagens sobre o assunto. Vejam os vídeos, não precisarei mais falar do problema. Depois deles, vamos pensar nas soluções:

httpv://youtu.be/_YeukLuFD9U

httpv://youtu.be/7sZdh75W6MA

httpv://youtu.be/-dsm53NrzW0

Mais vídeos de todo Brasil aqui.

Possíveis respostas para o problema

Em alguns lugares já há solução para o problema. Em Novo Hamburgo, município do Rio Grande do Sul, agora é crime guardar carros. Se forem flagrados, os flanelinhas podem ser processados por constrangimento ilegal ou extorsão. A lei será aplicada a todos os guardadores de veículos que estiverem atuando nas ruas ou locais públicos.

httpv://youtu.be/hgWM8d3uEpg

Os indivíduos que forem flagrados pelas autoridades terão a opção de ser encaminhados para projetos sociais desenvolvidos pela Prefeitura de Novo Hamburgo. De acordo com a secretária de Desenvolvimento Social, Jurema Guterres, serão identificadas as necessidades desses indivíduos para que possam ser acompanhados por projetos de geração de renda do Município. Caso não aceitem a proposta, serão levados para a delegacia, e responderão por exploração indevida da atividade nas vias públicas, acarretando penalidades previstas no artigo 47 da lei 3.688/41 (Lei de Contravenções Penais) e no art. 301 do Código de Processo Penal.

Veja aqui como foi o primeiro dia da Lei. Mas a Lei proposta é vinculada à retirada destas pessoas da rua, sua inserção em programas do Estado para qualificação e inserção profissional. Obviamente, é muito difícil que um cidadão destes queira abandonar uma remuneração alta e fácil (muitos chegam a lucrar até R$ 2.500,00, livres de impostos). E aí que volta a questão da educação, única maneira de se corrigir este problema de uma vez por todas.

Em Colatina, município do Noroeste do estado do Espírito Santo, há uma outra forma de solução. Jovens de baixa renda estão em um projeto onde as vagas do centro da cidade são administradas pela associação chamada Corpo de Assistência ao Menor de Colatina.

httpv://youtu.be/mN4feQdxwMM

Além de retirar os flanelinhas das ruas, o projeto oferece emprego a jovens carentes entre 16 e 21 anos, trazendo uma atividade remunerada, legal e oferecendo experiência profissional. Há cobrança de estacionamento no centro, uma forma de aumentar a rotatividade e mesmo de inibir o uso de carro. A população simpatiza com o serviço e há um serviço social sendo prestado, de fato. Pena que em Brasília, viver sem carro e pegar ônibus… bem, já falei isso diversas vezes, né?!

Esclarecendo minha opinião sobre o assunto

Deixo aqui claro que sou veementemente contra esse abuso que é a prática de guardar e lavar carros em áreas públicas. Concordo que na maioria dos casos há constrangimento ilegal e extorsão. A insegurança é latente e o guardador de carros não oferece nenhum bem factual à sociedade.

Sou favorável à se corrigir o erro que foi regularizar esta função no DF, proibindo esta prática e agregando à sua proibição um grande plano e programa de educação e conscientização, além do credenciamento emergencial dos flanelinhas existentes para qualificação e inserção profissional por meio dos órgãos competentes, como a Secretaria de Trabalho do DF e a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda. Tratamento digno a todos, opção de escolha, mas não a que lesa a sociedade, afinal precisamos de regras e normas que beneficiem ao todo, ao conjunto da sociedade. Obviamente, minha maior preocupação é social! Proibir que existam pessoas trabalhando como flanelinhas deve ser um ato de políticas sociais, que consequentemente evitarão maiores problemas de ordem de segurança pública e não defendo aqui que seja corrigido o problema com coerção estatal e uso de força. Estas devem acontecer somente quando necessário e para aqueles que obstruem as Leis e a possibilidade de convívio pacífico e em sociedade, ou seja, para criminosos que mesmo com capacidade de escolha, escolhem destruir o tecido social e agir unicamente em benefício particular.

Seria interessante a cobrança de um valor simbólico e totalmente revertido à programas de Educação no trânsito e urbana, nas áreas de maior concentração de carros no DF, sendo administrados por jovens carentes e que buscam um primeiro emprego, como visto na experiência de Colatina/ES. Isso, claro, em consonância com um sistema público de transporte decente, eficiente e eficaz, de modo a dar real opção de ir ao trabalho sem carro, chegando seco na época de chuvas e limpo na seca, não se sentindo em uma carroça imunda, insegura e cara. Quem é do DF sabe o que falo.

Sei que é polêmico e estou de peito aberto, me expondo, pois tenho convicção que é uma postura que afetaria positivamente a todas as camadas sociais do Distrito Federal. Se eu fosse uma autoridade pública, proporia Lei similar para o DF, pois acho que seria bom para todos: para os motoristas e para os flanelinhas também. Sou contra e se há quem seja a favor, gostaria de saber os argumentos para que eu possa sempre ter uma opinião madura sobre o assunto.

O que acham? Compartilhem este texto, discutam, sugiram. Ficar calados é que não podemos!!!

httpv://youtu.be/QtC36mtaL6U

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Ao povo, as baratas!

Em seu livro “Quincas Borba”, o personagem-título de Machado de Assis conta para Rubião a história de duas tribos famintas diante de um campo de batatas, suficientes apenas para alimentar um dos grupos. Com as energias repostas, os vencedores poderiam transpor as montanhas e chegar a um campo onde há uma grande quantidade de batatas para alimentá-los. Então, Quincas Borba finaliza: “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

Saindo da ficção e vindo para a realidade, vemos no DF hoje uma situação em que o Estado, bem alimentado, trata seu povo sem o mínimo de compaixão, mas com grandes nuances de ódio. Isso porque o Estado que deveria nos proteger e servir, há muitos anos se serve do povo e subverte todo o sentido de sua própria existência. No último 7 de Setembro, entretanto, o povo mostrou que ainda está acordado e não apenas pode, como deve e está pronto para cobrar por mudanças ao gritar contra a corrupção no Dia da Independência!


Marcha Contra a Corrupção – 7/9/2011

Hobbes dizia que o Estado deveria ser forte, autoritário, para que protegesse o povo dele mesmo. Sua famosa frase “o homem é o lobo do homem” remete ao perigo que a sociedade estaria submetida sem um Estado que controlasse parte de nossas liberdades, por meio de Leis, normas e punições. Mas o mesmo Hobbes diz que se esse mesmo Estado é capaz de cair, quando não for capaz de manter a segurança de seu povo. O “soberano” ou ditador, não existe de fato no Brasil, muito menos no DF, mas nossas autoridades que constituem o Estado não estão fazendo sua parte em relação à sociedade. Não estamos protegidos, não temos saúde, educação e até nosso direito de ir e vir está ameaçado às mais perversas e indignas condições, como podemos ver pelo vídeo abaixo:

httpv://youtu.be/LCJhbC6pvDE

Esta é a hora em que temos que continuar a agir e reagir. É a hora de cobrarmos aquilo que nos é prioridade, mesmo que as outras ações do Estado também sejam importantes, como algumas obras e investimentos. Mas a prioridade máxima é a proteção e dignidade dos nossos cidadãos, que exigiram no voto um “Novo Caminho” primeiro para a Educação, Saúde, Segurança e Transporte e não esse caminho sinuoso e desvirtuado em que estamos hoje.

 

Só assim para sairmos dessas condições nojentas de vida em que estamos. Afinal, o DF deveria ser o grande exemplo social para todo o Brasil. E só atingimos o status de exemplos de como não fazer, não ser e não seguir. O Estado está de olhos fechados para a população e temos que fazer alguma coisa. Até quando teremos situações de tamanho descaso como a queda da “Batcaverna” na Ceilândia, uma verdadeira crackolândia esquecida pelas autoridades?

Que ao nosso povo, possamos dar as batatas de uma Educação integral de qualidade e igual para todos, segurança e qualidade de vida, Saúde humanizada e universal, transporte digno, rápido e barato; além de oportunidades para que todos possam ter uma vida mais feliz.

Mas por enquanto, ao povo, somente as baratas do descaso.

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E-mail aberto para o Senador Cristovam e população brasileira sobre o crack

Cheguei ao limite da tolerância. Não sabia mais o que fazer e resolvi desabafar em mais um texto. Escrevi um e-mail ao Senador Cristovam, figura que eu respeito e admiro no DF, com um desabafo sobre o crack em Brasília, mas que creio ser de conveniente leitura para todo o Brasil.

Não trago proposições nem o que realmente deve ser feito. Isso eu já falei um pouco em todas as outras postagens sobre o assunto. Justamente por eu não ver nehum político e/ou “autoridade” discutindo a sério e agindo para solucionar essa chaga que se abre cada vez mais na sociedade brasileira, fiz um apelo, um desabafo. A seguir meu e-mail que é para todos, na realidade. Queria saber a sua resposta a esta mensagem, também!

Caro Senador Cristovam Buarque e querida equipe do gabinete,

mais uma vez nesta semana vimos como Brasília está mergulhada neste terror que se chama crack. Em horário nobre, no canal de maior IBOPE, todo o Brasil viu as Cracolândias do DF em plena luz do dia, à frente da Esplanada dos Ministérios e do Congresso Nacional. Apesar de não ser nenhuma novidade para os moradores da cidade, me doeu muito o coração ver aquilo daquela forma. Nasci, fui criado, cresci e continuo morando nessa cidade e a amo incondicionalmente. E dói ver a realidade crua, tão distorcida ao longo de poucos anos, descaracterizando totalmente a paz e a gostosura de viver em Brasília.

Há mais de um ano venho tentando alertar a sociedade civil sobre o problema das drogas, mas em especial do crack. É um problema complexo que envolve segurança, saúde e educação.
Isso faz com que seja, pessoalmente, mais revoltante. Entre janeiro, data da primeira vez que me preocupei e me incomodei mais com o assunto e dezembro de 2009, quando me dei ao trabalho de pesquisar e ir mais a fundo no tema crack e no sistema público de saúde mental, só vi o problema crescer como bola de neve. E nunca vi nossos políticos discutindo seriamente e profundamente o assunto, muito menos propondo e executando ações, mínimas que fossem, para bloquear este mal.

Viver em Brasília, que tem o Fundo Constitucional, que foi planejada, que é diferente de tudo e saber que temos um dos piores sistemas públicos para atendimento à saúde mental (senão O pior), ver as escolas públicas nas quais estudei caindo aos pedaços e entregues à marginalidade e, aos 24 anos de idade, não ter liberdade de ir e vir nem à luz do dia (quando aos 12 anos eu podia brincar até tarde da noite por toda a Asa Norte ou aos 15 passeava tranquilamente com meu primo em Taguatinga até de madrugada) é simplesmente inadmissível. Creio que alcancei meu ponto final de tolerância com o descaso e o cinismo que as autoridades públicas têm para com a cidade que me construiu e que tem meu amor.

Eu vi, mais uma vez, o Brasil voltar os olhos para Brasília com sentimento de nojo, de repulsa e raiva. Essa não é minha cidade! Onde, segundo a reportagem, “no ano passado, do total de atendimentos de dependentes químicos na saúde pública do DF, apenas 0,2% usava crack. Somente nos dois primeiros meses deste ano, o percentual saltou para 27%”. Aí me pergunto: que atendimento está sendo dado a essas pessoas? Que sistema público temos? Temos a menor rede de CAPS (Centro de Atendimento Psico Social) do Brasil.

O mosquito da dengue contamina ricos e pobres. A gripe contamina ricos e pobres. O crack era um problema tipicamente da parcela menos abastada da sociedade, o que julgo ser uma justificativa (deprimente, mas real) da omissão com que se tratava o problema. Já não é exclusividade da parcela mais pobre da nossa população e nem assim vemos comoção das autoridades competentes para combater essa terrível epidemia. Afinal, não é uma epidemia? E falo só do crack aqui, a mais avassaladora droga que muitos especialistas dizem nunca ter visto nada igual. Não estou minimizando as outras drogas, mas temos uma situação emergencial e diferenciada. Logicamente, uma coisa não exclui a outra. Porém, se mal temos um sistema público de combate e muito menos de reabilitação, como vamos inverter a tendência à desgraça generalizada que paira sobre o Brasil e cada vez mais sobre Brasília?

A miopia política, a mesquinharia e o egoísmo estão levando nossa cidade ao colapso. Da corrupção ao descaso com saúde, educação, segurança e transporte temos o aumento do número de viciados, que aumenta o número de crimes, aumentando os dramas nos lares, que aumentam o desamparo da sociedade e alimenta a raiva com os políticos, levando a erros e mais erros seguidos em cada eleição, retornando ao ciclo vicioso. É um vício tão destruidor quanto o crack. A única coisa que diminui é o número de crianças nas escolas. A educação perde e todos perdemos. Estamos perdendo para pedrinhas.

Cheguei ao meu limite. Me alonguei demais, mas a paixão fala mais alto. Esse e-mail vai endereçado ao senhor, que considero um amigo e tenho uma especial estima e admiração que não é de hoje, mas este será um documento aberto a todos aqueles que quiserem ler e responder o que venho desabafando aqui. Não podemos ser omissos neste ponto crucial. O nada fazer agora poderá ter fortes consequências no futuro próximo (muito próximo).

Gostaria de saber a sua opinião, Senador e de quem mais ler isto. Gostaria de poder fazer mais, de investir o dinheiro do Estado naquilo em que o Estado tem que investir. De expressar minha revolta e não ser preso arbitrariamente por quem prefere ser surdo a ter humildade de escutar a dor do povo. Faço o que posso e peço que todos que leiam este apelo comecem a fazer, de fato, aquilo que podem.

Um forte abraço,


André Dutra
www.andredutra.com
www.twitter.com/andredutra12

Acesse os sites das campanhas: Do Ministério da Saúde – Nunca Experimente o Crack e do Grupo RBS – Crack Nem Pensar.

httpv://www.youtube.com/watch?v=hiTUvI7Kpcc

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Enxurrada de crack em Brasília. No centro da cidade, cracolândias à luz do dia.

Olha, eu nem vou me prolongar muito neste post. Tem mais de um ano que eu venho tentando falar sobre o problema do crack em todo Brasil e mais especificamente em Brasília, cidade que nasci, fui criado, sempre morei e AMO!

Um ano… eu, pessoa comum. Alertado pela namorada, por amigos meus e dela, estudei um pouco mais, fui atrás de informação e fiquei alarmado com aquilo que vi. Relatei tudo aqui, primeiro em 16 de janeiro de 2009. Falava justamente da onda de crack que vinha entrando na cidade e que era consumida no centro do poder, como falou a reportagem do Fantástico exibida no último domingo, 28/03/2010. Já no final daquele ano, no dia 08 de dezembro de 2009 voltei a falar sobre o crack e sobre a saúde mental no Brasil. Desta vez a coisa estava pior, alastrou-se por todo Brasil e chegou a ser tma de calorosa discussão ao vivo no Jornal Nacional (vídeo e informações no link aí atrás). Sabe o que as autoridades públicas do DF e do Brasil fizeram? Pelo visto, NADA.

Juro que domingo, durante e depois da reportagem do Fantástico (colocarei logo abaixo), me deu uma tristeza… não que eu não soubesse dos fatos, mas eu vi ali na telinha. Todo Brasil viu ali na telinha. Crianças, adolescentes, adultos… pobres ou não. Ignorados. Fantasmas à margem da sociedade. Consumindo crack de frente para um dos mais bonitos cartões postais da cidade: a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional. Vejam:

httpv://www.youtube.com/watch?v=AB8126e1V_w

No ano passado, do total de atendimentos de dependentes químicos na saúde pública do DF, apenas 0,2% usava crack. Somente nos dois primeiros meses deste ano, o percentual saltou para 27%.

Não canso de repetir: EU AMO ESSA CIDADE! Eu cresci andando livremente, desde meus onze anos andando por aí de skate…. da Asa Norte à Asa Sul, em Taguatinga, no Cruzeiro (onde resido hoje) e só me importava com as manobras. Claro que havia violência, mas era contida e até combatida. As circunstâncias da vida moderna fizeram grande maioria das “crianças da quadra” sumirem de “debaixo do bloco” (tipicamente brasiliense). O individualismo da tecnologia, que une online, mas separa das brincadeiras coletivas em consonância com a crescente violência, tráfico e outros males urbanos descaracterizou a infância em Brasília. E hoje não se pode sair do trabalho um pouco mais tarde no Setor Comercial Sul/Norte, no Setor Bancário (já viram a iluminação lá? Claro que não, pois não dá pra enxergar nada com a ausência dela), CONIC etc, etc.

Depois dessa reportagem não vi NENHUM comentário de políticos e/ou “autoridades” da cidade comentando. NENHUM, nem aqueles que admiro, vale dizer. Na verdade, NUNCA OUVI NENHUM POLÍTICO DE BRASÍLIA falando seriamente sobre o assunto, com propostas, com vontade de investir dinheiro e suor para melhorar a situação da população e da cidade.
Aí eu pergunto uma coisa: como o DF tem o FUNDO CONSTITUCIONAL e temos dos piores sistemas de saúde e saúde mental do Brasil, educação aos frangalhos e  total INsegurança a qualquer hora do dia, em qualquer lugar da cidade? CHEGA, CHEGA!

Brasília envergonha seus cidadãos sendo cenário de corrupção e descaso c/ saúde pública, educação e segurança. Até quando? É necessário atacar crack com políticas públicas integradas nessas áreas (segurança, saúde e educação). CRACOLÂNDIAS em Brasília? Agradeçam Roriz/Arruda!

Quero finalizar com o relato da psicanalista Janete K. Pinheiro, contido na reportagem do Fantástico, que exprime a realidade e como estmos sendo omissos a ela (nós, a mídia – que agora vem alardeando mais – e as autoridades públicas incompetentes, interesseiras e repugnantes desse país e dessa cidade:

“Todo mundo se une, entende? Pro combate à dengue, pro combate à gripe… agora, dá um passeio lá no Setor Comercial Sul. Vê o tamanho das crianças que estão fumando crack. Entendeu? E cadê…?” Ela continua mais à frente “Daqui a pouco é seu filho, meu neto… daqui a pouco a sociedade toda tá com um cachimbo na mão. E aí, fizemos o que no momento em que podia ser feito alguma coisa?”

Claro que a coisa já beira o caos. Afinal a droga deixou há muito de ser “coisa de pobre” e vem afetando a cada dia uma família a mais das classes média e alta. Mesmo assim, os governantes andam a passos de tartaruga. Um bom começo é um site mal e porcamente difundido (achei por acaso) que clama de cara: NUNCA EXPERIMENTE O CRACK (Clique e acesse).

Pois é… Hoje quando passava de carro, já de noite, pela rodoviária/CONIC vi PM’s abordando várias pessoas. Semana que vem, volta tudo ao “normal”, sem fiscalização, sem combate integrado à droga e ao tráfico, sem planejamento… enfim, sem interesse nenhum em melhorar nada. Enquanto não for o filho de um juiz ou de um político (e tenho certeza que tem muito viciado em crack na “alta sociedade”), a sociedade vai afundando! E Brasília, jovem que nem completou seus 50 anos, vai cavando a própria cova.

Obrigado, corruptos. Obrigado por destruirem a cidade que amo.

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Entenda mais sobre a ação do crack e outras drogas

Surge, agora, uma futura esperança. Vacinas “anti-drogas”. Mas ainda são realidades longínquas. Porém, a melhor vacina que temos hoje é o trabalho sério que os governantes podem fazer nas áreas de saúde, educação e segurança. Assistam:

Veja a terceira reportagem do DFTV, de 09/10/2009, sobre o drama do vício para a família dos viciados em crack:

httpv://www.youtube.com/watch?v=8TESnhv0BGc

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Crack – A droga que destrói o Brasil e invade o DF

O DFTV, da Globo e o jornal Correio Braziliense iniciaram matérias especiais sobre o crack. Esse é um assunto sério, que não envolve apenas o problema do tráfico de drogas e segurança pública, mas principalmente o gravíssimo problema de saúde pública a que esta droga, em especial, representa.

Neste blog eu já havia falado, EM JANEIRO, sobre minha preocupação com este problema.

Ao longo deste ano, o crack se espalhou como uma praga por todo o país. O problema tem ficado tão grande, que até em jornais que não tratam de temas tão delicados como esse, já se abriu um grande espaço de discussão, inclusive, alvo de debate em horário nobre na TV, no Jornal Nacional (edição de 26/10/09):

No DF, já não é mais uma droga que afeta apenas a população mais carente. Vejam a matéria do DFTV 2ª Edição de ontem e de hoje:

httpv://www.youtube.com/watch?v=TMPCjZFTkiw

httpv://www.youtube.com/watch?v=bnSiR7mBkGg

Não vejo políticos se preocupando com a saúde do povo, principalmente aqui no Distrito Federal. Temos hoje uma das piores redes públicas de saúde mental do país. É um dado vergonhoso, de 2005 (para informções completas, leiam este relatório, de 2005):

E ao que tudo indica, a situação atual é mais degradante: o Distrito Federal teria hoje, a pior rede pública de saúde mental do Brasil.

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Mais uma vergonhosa notícia para o DF


Odeio acordar pela manhã e me deparar com notícias como esta

Novamente, drogas e violência, (provavelmente) interconectadas. Agora é esperar que o caso seja solucionado, o criminiso punido e que fatos como este parem de continuar vergonhosamente se repetindo. E nos remetendo ao passado infeliz deste local, que deveria ser exemplo para que cenas brutais e hediondas assim nunca mais se repetissem.

Creio que os postos policiais que foram construídos em vários pontos do Distrito Federal não consigam resolver casos como este acima ou como este (igualmente preocupante). Medida paliativa de segurança, criadora de falsa noção de segurança pública e para eleitor ver.
É óbvio que naquela região específica as coisas (teoricamente) melhorariam. Sem patrulha, os criminosos simplesmente passam a agir em outros pontos.

Sem muitas palavras a mais para comentar esta triste notícia para moradores do DF e do Brasil…

 

Crack, violência e os 3 Poderes

Logo antes do ano novo, eu estava conversando numa mesa de bar com amigos e namorada sobre a atual situção de aumento da periculosidade nas ruas do DF (ao menos no Plano Piloto e regiões centrais). Temos tanto orgulho de vivermos numa relativa tranquilidade e segurança, em Brasília, que não nos damos conta do que acontece debaixo de nossos narizes. A exatos 3 km de distância do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal, entre a Rodoviária do Plano Piloto e um grande shopping popular, o "Conjunto Nacional" – área central da cidade.

Nessa conversa, uma amiga antropóloga me dizia como uma onda de crack vem assolando a Capital Federal. Curiosamente, a reportagem linkada é de hoje de manhã, o que me alertou para fazer logo este post.
Esta droga, uma das que viciam mais rapidamente e têm preço acessível às camadas menos providas da sociedade, é um caso muito sério de segurança pública. Seus usuários acabam perdendo totalmente a noção e podem agir violentamente, assaltando ou até mesmo matando para conseguir meios de se obter mais droga.

Fica aqui o alerta e os números da reportagem linkada: em 2007, pela primeira vez a droga foi apreendida no DF – 12 gramas. Em 2008, foram 4 quilos, segundo dados da Polícia Civil.

Os órgãos competentes, sejam eles federais ou distritais, devem fazer mais pela segurança da população. Se está assim na Capita da República, o que comentar sobre o restante do país e dos quase 200 milhões de brasileiros?!

A justiça é cega, mas os cidadãos que sofrem o descaso, falta de pulso firme e de políticas públicas em prol da educação e segurança, enxergam cada dia mais e cada vez de mais próxima toda a violência das ruas.

A insegurança é uma violência ao direito de ir e vir de todos os cidadãos.