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Um chamado maior, para honrar meus princípios

André Dutra | 11 de outubro de 2011 | 13:00
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Minhas queridas e queridos amigos. Nos últimos anos todos puderam acompanhar por aqui, via Twitter, Orkut e Facebook, minha vida pública e partidária. A vocês sempre deixei meus sinceros agradecimentos pelo apoio, sugestões e críticas. Saibam que uma bela mudança aconteceu e começo agora uma nova fase, a qual gostaria de compartilhar com vocês. Saio do Partido Democrático Trabalhista (PDT) para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Deixo abaixo minha carta de desfiliação, com maiores detalhes sobre essa saída. Gostaria que vocês lessem, opinassem e repassassem a seus contatos. Conto com vocês nessa! Obrigado por tudo.

Não escrevo com alegria, nem sinto mágoa, raiva ou guardo qualquer tipo de ressentimento. Escrevo sobre o fim de uma fase importante de minha vida, que teve altos e baixos e que teve mais de uma culminância em relativo curto período de tempo. Escrevo sobre o fim de minha participação como militante do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e da Juventude Socialista do PDT (JSPDT).

As bandeiras pelas quais lutei e me fizeram entrar no PDT já não são mais respeitadas pela maioria dos que estão no Partido. Além disso, o discurso de renovação e de atuação socialista, brizolista e de esquerda, deu lugar à prática política que sempre abominei: segregadora, fisiológica e personalista. Já não me era permitido respirar ou ter pensamentos próprios, sem que pairasse sobre mim a sombra de retaliações silenciosas ou difamações que, mesmo completamente irreais, eram sussurradas como mantras até se consolidarem como verdade para os demais militantes. Aqueles que desejaram minha derrocada podem se regozijar, mas saio do PDT sem ser escorraçado ou dominado. Saio para um chamado maior, para honrar meus princípios, meus amigos e todos que me apoiam.

Este é o último recurso para que eu mantenha intacto tudo aquilo que acredito na política e na minha atuação ética e cidadã, na minha coerência, independência, além do zelo e respeito por todos aqueles que confiam em mim diariamente. Gostaria de lembrar dos que dividiram comigo o sonho de 2010, confiando seu voto em mim e nas ideias que represento. Não chegaria a este ponto extremo de desfiliar-me e trocar de legenda se eu não considerasse a situação insustentável. A vida segue por caminhos planejados que acabam por tornar-se trilhas desconhecidas e misteriosas, mas somos nós os responsáveis por nossas escolhas e são elas que definem quem somos e nos tornamos.

Saio do PDT depois de mais de 3 anos. Neste período conheci grandes figuras de todo Brasil. Bons companheiros e companheiras com os quais tenho a certeza de que com eles ainda terei o prazer de ombrear em muitas lutas futuras. Tive o prazer de dividir legenda com um grande ícone e exemplo em minha formação política, o hoje Senador e sempre Professor Cristovam Buarque. Cada conversa foi um grande aprendizado, e cada momento de convivência uma honra. Ademais, continuará a ser um líder a ser seguido e um amigo com quem manterei forte ligação. Por seu exemplo e de pessoas como Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Jefferson Peres, cheguei ao PDT. É para manter o zelo e a vontade de defender seus legados, os quais encampam boa parte daquilo que tenho como prioridades na política, que saio da sigla. Outro amigo, que agora será também um companheiro além-sigla é o Deputado Reguffe, que ainda dará muitas contribuições para o Distrito Federal ao longo dos anos que virão. Agradeço aos dois pelas conversas, conselhos, companheirismo e momentos em que estivemos juntos pensando numa forma de se fazer boa Política. Continuaremos unidos em busca da mesma causa.

Para continuar a ser a mesma pessoa que vocês conhecem, para respirar e falar sem que tentem esmagar minha garganta e para manter minhas pernas autônomas, aceitei o convite feito por um grande partido, com belas bandeiras históricas e também com líderes de peso, a quem sempre respeitei. Foi uma honra ser convidado a me enfileirar aos militantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), juntamente com o Senador Rodrigo Rollemberg, a quem conheci quando ele era Deputado Federal e, mais proximamente, durante a campanha eleitoral de 2010. É um partido de nomes exemplares como Miguel Arraes e Luíza Erundina. Também é a casa da família Capiberibe, a quem tive o prazer de conhecer e que divide comigo os mesmos pensamentos sobre indivíduos como o coronel Sarney. E no DF conta com o Senador Rodrigo Rollemberg, que provém da luta da juventude, sendo um dos fundadores da JSB. Chego ao PSB feliz e de peito aberto, sabendo ser igualmente recebido como uma pessoa que quer somar ao processo político, aprender e compartilhar conhecimento, lutando de forma limpa, democrática e livre para o ganho coletivo das pessoas do Distrito Federal. Chego com amigos que já tinha, alguns que conheci agora e tantos outros que terei o prazer de conhecer daqui para frente. Fico feliz pela crença em meu potencial e no que posso desenvolver juntamente com o Partido e com a Juventude do PSB para que possamos encontrar um caminho melhor dentro da política brasiliense. Fico grato e atento à responsabilidade de minha participação neste novo espaço, onde continuarei a trabalhar com o afinco de sempre.

Portanto, por não me proporcionar mais condições de me manter fiel aos meus princípios, e por não concordar com um projeto que abrange determinadas variáveis às quais eu não acredito e que não projetam no futuro espaço de mudança coletiva, que busco novo caminho. Esse conflito de pensamentos entre forças existentes no partido e minhas convicções não me permitiam seguir em frente de uma forma saudável e democrática. Por vocês que acreditam em mim, que são minha força e minha motivação para manter a disposição de lutar na política, apesar das adversidades constantes que são parte dela, sempre me incentivando a não desistir, a caminhar para frente e a jamais desistir de meus princípios, que tomo esta decisão em busca de coerência. Busco com isso não abandonar o sonho da transformação social honesta, limpa, sustentável e digna à qual quero fazer parte com vocês; por manter minha consciência limpa, e acreditando que devemos saber a hora de seguir para novos ares e abraçar novas fases da vida, não enterrarei meus valores.

Tenho certeza que no PSB conseguirei manter tudo aquilo que acreditamos e nesta nova morada poderemos construir uma fundação profunda, forte e resistente, de esquerda, socialista, meritocrática e sem ter de abandonar princípios ou ceder por quaisquer motivos que porventura tentem desnortear tudo aquilo pelo que lutamos. Tenho uma grande tarefa à frente, atuando como Presidente da Juventude Socialista Brasileira no Distrito Federal (JSB-DF).  Juntamente com o Secretário de Juventude da JSB-DF, a nova executiva eleita e nossos militantes, vamos construir uma base jovem, atuante e democrática para lutar por um Distrito Federal que sonhamos e merecemos.

Obrigado a todos que apoiaram esta decisão. Saibam que foi tomada considerando todos aqueles que acreditam que é possível fazer política sem se vender. Vocês são meu combustível! Quando resolvi entrar na Política e me candidatar, o fiz por um sonho e pela coletividade. Minha escolha pessoal foi embasada naquilo que desejo para a sociedade. Minha luta não é personalista. Ela busca uma vida mais justa para todos, pois é com oportunidades iguais e com justiça social que modificaremos nossa realidade. Estou de braços abertos e ouvidos atentos para receber e ouvir a cada uma e a cada um que queira conversar sobre os pormenores de toda essa história.

Novos tempos! Conto com vocês nesta caminhada. Muito obrigado, de coração!

 

André Dutra.

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Da rede para as ruas

André Dutra | 26 de setembro de 2011 | 11:19
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Há alguns anos venho participando de mobilizações sociais de uma forma mais pujante. A mais envolvente, até hoje, foi o “Fora Sarney” em 2009, material vasto aqui no blog. Ainda no governo FHC, também participei de marchas anticorrupção, como vemos hoje em dia pipocarem pelo país. Deixo aqui com vocês interessante matéria sobre o assunto, publicada no Correio Braziliense de ontem, escrita pela jornalista Paula Filizola e também deixo a entrevista integral que concedi a ela. Espero que gostem! =)

Ações anticorrupção investem no poder de mobilização pela internet (clique para matéria completa)

(…) Um estudo divulgado em junho deste ano pela empresa Box1824 aponta que 59% dos jovens brasileiros não têm preferência por partidos políticos. Muitos afirmam não se sentirem representados da forma como deveriam pelo poder público. “Eu acredito que o jovem hoje é muito consciente sobre política e bastante ativo também”, ponderou o analista de sistemas Giderclay Zeballos, um dos organizadores do Movimento Contra a Corrupção. Participante ativo desde os tempos do colégio, o funcionário público André Dutra testemunhou as passeatas de 1992 nos ombros da mãe. Agora, pede a saída de quem considera corrupto. “O papel social do jovem é ser revolucionário e servir de locomotiva para carregar a outra parcela da população para as melhorias que desejamos”, avaliou ele, que recentemente começou uma campanha de fiscalização e denúncia, através de fotos, para cobrar melhorias do governo do DF.


Clique para ampliar

Entrevista na íntegra:

Paula Filizola – 1. Quero que você me fale da sua experiência em movimentos como o Movimento Contra a Corrupção. Foi seu primeiro? O que você acha desses eventos?

André Dutra – Não foi minha primeira participação. Participo de mobilizações sociais desde a época da escola e comecei com mais ativismo durante meu Ensino Médio, no Centro de Ensino Médio da Asa Norte – CEAN. Lá sempre organizávamos passeatas e manifestações em frente à Regional de Ensino da Secretaria de Educação do DF, que fica próxima à escola. Antes disso também fiz parte de outro grande movimento contra a corrupção, ainda no Governo FHC, quando houve uma grande marcha na Esplanada dos Ministérios em 1998. Também me manifestei no dia 05 de setembro deste ano sobre a corrupção nas prioridades do governo, tendo como grande exemplo a obra do Estádio Nacional Mané Garrincha. Aquela obra é uma corrupção nas prioridades, pois nossa Saúde, Educação, Segurança, Transporte e serviços públicos em geral continuam indignos, desestruturados e péssimos.

P.F. – 2. Na sua opinião, qual é o perfil das pessoas que participam dessas marchas?

A.D. – Em sua maioria, jovens. É papel social do jovem ser revolucionário, descontente com uma realidade imposta e sem perspectiva de melhorias. O jovem de hoje é quem norteará o futuro, então cabe a essa parcela da sociedade ser a locomotiva social que carregue o restante da população para as melhorias que desejamos.

Além disso, as manifestações atuais estão sendo encabeçadas pela classe média, que normalmente vinha se afastando das ruas. É importante que essa classe média se integre com o restante do povo, para que vire uma manifestação completa da sociedade. A melhoria é para todos, o fim de corrupção é para todos, logo todos têm que estar lado a lado, algo que não foi facilmente visto no 7 de Setembro. É uma auto-crítica importante de ser considerada, pois Brasília é setorizada urbanamente o que a fez se setorizar socialmente. Temos que destruir as barreiras que dividem nossa sociedade em setores.

P.F. – 3. Quais são as reinvindicações principais? É realmente totalmente apartidário?

A.D. – A próxima marcha contra a corrupção terá, de fato, proposições. Senti falta de proposições na primeira, era uma temática de abrangência enorme: fim da corrupção. Mas como? O que fazer para isto? Agora as reivindicações estão claras: fim do voto secreto no Congresso e pelo uso imediato da “Ficha Limpa”. Eu adicionaria aí a votação o quanto antes da Lei que institui a corrupção como crime hediondo.

O movimento em si, é apartidário sim. Vi pelas pessoas que se propuseram organizar. Mas há sempre os “caroneiros”, aqueles que tentam se valer de um movimento democrático e popular para obter ganhos políticos, como já vi na época em que organizei o Fora Sarney. Mas isso acaba sendo repelido pelo povo, que está ali lutando por ideias e não bandeiras ou discursos. O movimento, entretanto, tem que se manter apartidário, mas não apolítico, importante diferença que faz com que ele tenha coração e cérebro. Coração pelo seu ideal e cérebro por não matar a política, algo essencial para construção de uma sociedade melhor. Eu mesmo participo como cidadão que sou, em primeiro lugar e contribuinte. Minha coloração partidária em movimentos populares fica em casa.

P.F. – 4. Além da marcha contra a corrupção, o que mais você tem feito nesse âmbito? Quais outras manifestações já participou?

A.D. – Tirando aquelas da época estudantil, a minha maior participação foi no movimento Fora Sarney, aonde tive um papel mais central, organizando várias marchas e planejando com outros amigos o que chamamos de nossos “atos secretos”, com manifestações dentro do Congresso, entrega de pizzas e a culminância com nossa prisão ilegal pela Polícia do Senado, que resultou até audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, presidida pelo Senador Cristovam Buarque e com participação da Drª Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Além dessa, que tem destaque na minha história, participei do Fora Gilmar Mendes, à época Presidente do STF, Fora Arruda e demais manifestações sobre o escândalo da Caixa de Pandora.

Ultimamente tenho agido de uma forma diferente: fiscalizando e denunciando. Este mês fiz um vídeo mostrando as condições insalubres do transporte público, com infestação de baratas dentro de ônibus e das condições da Rodoviária do Plano Piloto e também tenho dado aulas e palestras voluntárias de conscientização política para alunos de escolas públicas, pois eles são minha esperança para um DF mais virtuoso.

P.F. – 5. O que te leva a fazer essas coisas, André? E participar dessas marchas?

A.D. – Eu tenho plena convicção de que Brasília tem todas as condições para ser exemplo não só para o Brasil, mas um modelo internacional de gestão e de estado de bem-estar social, com ótimos serviços públicos e condições iguais para a população atingir seus sonhos. Temos o Fundo Constitucional e uma imensa arrecadação de impostos, condições de aumentar investimentos em conjunto com o Governo Federal, uma estrutura de cidade completamente diferente do restante do país, propiciando mudanças estruturais.

O que me leva a me esforçar, usar meu tempo, conhecimento e energia é o amor que tenho por essa cidade e por esse país. Se Brasília e o Distrito Federal forem grandes exemplos, podemos cobrar do restante do país, mas hoje nossa imagem é negativa de norte a sul, mesmo sabendo que nossa população é honesta e não está envolvida no escândalo e deméritos de poucos. Participar das marchas, organizá-las, lutar por um país e uma cidade melhores é algo que impactará positivamente para a sociedade e também para mim, pois todos colheremos os benefícios. Até o cidadão mais abonado se beneficia com a justiça social, pois uma sociedade mais segura e igualitária é sinônimo de menos gastos privados com saúde, educação, segurança e outros.

P.F. – 6. Na sua opinião, qual é o papel das redes sociais hoje nessas marchas/manifestações?

A.D. – A internet e as redes sociais são ferramentas importantíssimas para esse tipo de mobilização. É a forma mais rápida, fácil e segura de se organizar pessoas que lutam por um mesmo objetivo. A grande dificuldade permanece em conseguir tirar as pessoas das redes e leva-las às ruas, que é onde realmente se faz a diferença. Vimos ao redor do mundo movimentos enormes de países inteiros, organizadas pela internet (como os movimentos pró-democracia nos países árabes e os movimentos por educação de qualidade no Chile). Até hoje nós brasileiros sofremos com a dificuldade em tornar movimentos de massa virtual em movimentos de massa real.

O que está acontecendo agora com os movimentos anti-corrupção país afora são um sinal de que as coisas podem estar mudando e eu torço para isso com todas as forças. Juntar algumas dezenas de milhares de pessoas é algo de extremo valor e essas pessoas estão de parabéns! Mas ainda precisamos tirar milhões da zona de conforto. A internet é uma grande aliada, mas a mobilização de rua não pode parar. Tenho muita fé e expectativa de que agora é a hora de transformarmos o Brasil em uma sociedade menos dócil para com injustiças e desmandos dos Poderes Públicos e nos tornarmos uma sociedade de protesto a favor do progresso para todos. E a internet só vem aumentando em importância para que isso se consolide.

P.F. – Você é formado em relações internacionais né? e tem quantos anos? Trabalha com que?

A.D. – Sou formado em Relações Internacionais e estou fazendo uma especialização em Gestão Pública. Tenho 25 anos, nascido e criado em Brasília. Atualmente sou funcionário público concursado do GDF e professor voluntário.

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A corrupção nas prioridades

André Dutra | 6 de setembro de 2011 | 0:37
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O Distrito Federal passa há muitos meses, por uma grande carência de valores: entre aquilo que é algo importante para a coletividade e aquilo que é importante para um pequeno grupo. Há, nessa inversão de valores, um esforço maior para determinadas áreas, como as obras e propagandas, deixando em planos marginalizados outras áreas, como a Educação, a Saúde, o Transporte Público e outros.


(Clique na foto para ver maior)

Esse tipo de prática é também uma prática de corrupção. A corrupção nas prioridades do governo para com seu povo. É corrupção construir um viaduto ou um super estádio de futebol, enquanto o caos nos hospitais se mantém (e até piora), enquanto tantos alunos estão sem aulas nas escolas e enquanto pegamos ônibus caindo aos pedaços e infestado de baratas. Sim, baratas, vejam por vocês mesmos:

httpv://www.youtube.com/watch?v=LCJhbC6pvDE

Não sou contra o estádio e a Copa no Brasil, muito pelo contrário. Mas a inversão de valores proposta pelo governo que propunha um Novo Caminho para o DF, se valendo do que é melhor para pequenos grupos poderosos ao invés de atender às demandas e esperanças da sociedade é algo inadmissível! É um crime com os cidadãos do Distrito Federal construir uma obra que está custeada em quase R$700 milhões de reais (sem contar gramado, fiação de internet e Tecnologia da Informação e outros detalhes, que ainda somarão outros milhões de reais à obra), enquanto pegamos ônibus com infestação de baratas e sofremos nas filas de hospitais, nas escolas e nas ruas, cada dia mais inseguras.


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)

A capital do Brasil está cada dia mais perto de ser o grande exemplo para todo o Brasil, mas o exemplo de tudo errado. Este é o Velho Caminho, que continua a ser trilhado o nos levará a esta péssima posição: a capital da corrupção nas prioridades.


(Clique na foto para ver maior)

PS. Obrigado ao Lelê, grande amigo que me ajudou hoje e fez possível este post existir!

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Política de P maiúsculo e do Bem!

André Dutra | 27 de julho de 2011 | 21:43
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A primeira impressão que tive ao ler o blog Política do Bem foi a de que não estou sozinho. Parece certo exagero, mas eu digo em relação a um sentimento nacional, fora de Brasília, já que aqui tenho amigos e pessoas que me deixam clara a sensação de que somos poucos, mas somos algo. Com o Política do Bem, fui conquistado pelo sentimento do título: a Política que todos os que são de bem procuram. Ah, ainda tive o privilégio de ser entrevistado e agora também sou um personagem do Política do Bem!

Fui ao blog pela primeira vez, por conta da entrevista feita com o Senador Cristovam. Dali a ter o blog indicado por amigos foi questão de minutos. Indicaram-me, também, conhecer quem de fato É o blog, sua autora, a carioca Paula Filizola. Meu único arrependimento, desde então, foi não conhecê-la enquanto estava aqui em Brasília, mas teremos tempo pra isso. Trocar ideias com alguém de pensamentos tão positivos, tangíveis, possíveis e que nem de longe são conceitos impraticáveis, é algo refrescante, rejuvenescedor. Pessoas assim se tornam um combustível para que continuemos assim, continuemos em frente, nadando contra uma corrente em voga hoje, mas que queremos subverter hoje ainda, não mais amanhã.

A Paula teve daquelas ideias que nos remetem a pensamentos como “mas isso era tão claro”, “que ideia simples”, que é o sentimento que se tem quando um grande gênio inventa alguma coisa que mudará para sempre nossas vidas. “Mas como não pensei nisso antes?” é a frase que falamos para grandes pensadores e, cá entre nós, aí está uma grande pensadora política e social.


O Política do Bem também saiu aqui, no Correio Braziliense (clique na imagem)

Tentei me colocar no lugar dela, jornalista de formação e com tino aguçado para perguntar boas questões a grandes figuras e fazer uma entrevista. Abaixo segue o resultado, de grande valor (mais por méritos de quem responde do que de quem pergunta), na íntegra. Espero que gostem e, claro, divulguem o Política do Bem! Vale a pena!!! E acessem o BLOG Política do Bem, curtam no Facebook e também sigam no Twitter, é só clicar nos links!

1. Como surgiu a ideia do “Política do Bem”? Você sempre teve interesses pela grande Política?

A ideia do Política do Bem surgiu logo após a queda do então ministro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Eu comecei a refletir e ver como os jornais só tratavam de escândalos e nunca falavam de boas iniciativas políticas. Não é que não seja importante falar de escândalos e desvendar esquemas de corrupção: tudo isso deve ser documentado. Faz parte da função jornalística. Mas acredito que fazendo só isso, a gente contribui ainda mais para fortalecer o conceito que as pessoas têm de que “política é tudo igual, não tem ninguém que preste, etc.” Assim surgiu o Política do Bem: um espaço para reconhecer, divulgar e estimular boas iniciativas políticas. Acredito que divulgando e conhecendo essas boas iniciativas, nós podemos nos tornar mais otimistas e conhecedores de projetos que valem a pena!

Sempre tive interesse por política. Surgiu inicialmente como um interesse de estudante nas aulas de História. Adorava aquele universo politico dos livros e sempre gostei muito de estudar os aspectos do nosso País. Lia muito. E isso amadureceu e se transformou em um interesse mais profundo por política. Tem muito a ver com a minha profissão também. Gosto de ler bastante, analisar e debater. Existem ideias muito boas na política.

2. Em resumo, o que é “Política do Bem” pra você?

Quando falo em Política do Bem a palavra de ordem é otimismo. Política do Bem para mim é acreditar com otimismo nas mudanças do nosso País. Acreditar que elas são possíveis.

3. O curso de jornalismo exerceu muita influência para que você começasse a desenvolver mais ideias sobre o mundo politico?

Com certeza. A melhor característica do jornalista é a curiosidade. A vontade de correr atrás e descobrir coisas legais. E eu acredito que existem muitas coisas bacanas no mundo politico, bem como em muitos cantos, e o jornalismo me influenciou a buscar isso, a ter paixão e gosto para ir atrás disso. O Política do Bem, por exemplo, é um espaço onde posso reunir essas características. Uno a curiosidade jornalística com o interesse por política. Busco sempre divulgar boas ideias e informar com qualidade. Acho que o jornalismo entra principalmente aí.

4. Você já fez/participou de algum outro ato, trabalho, manifestação ou mobilização relacionada à Política ou a qualquer questão social?

Não. Nunca me considerei uma pessoa muito engajada politicamente, aquele tipo ativa mesmo – de ir para as ruas e fazer  barulho – apesar de gostar muito. Sempre debati e troquei ideias, mas nunca apliquei na prática. Mas acho que através do jornalismo descobri uma forma de aplicar isso: o engajamento politico através das palavras. Quero mostrar para o mundo o que a grande mídia não mostra. A minha grande manifestação é essa. O que me ajuda e muito a ter vontade de participar ativamente de outras manifestações. Não era engajada como você, André, por exemplo. Mas sinto que isso vai mudar. Ainda há tempo.

5. Fora da vida política, quem mais te incentiva ou incentivou a ter esses pensamentos positivos e essa gana em compartilhá-los?

Dentro de casa tenho um exemplo muito bom, que é o meu pai, por mais clichê que isso possa parecer. Cresci acreditando que precisamos primeiro conhecer algo para poder julgar. Eu sou adepta dessa filosofia. É preciso antes conhecer ou se interessar em conhecer. Para depois, se quiser, poder falar alguma coisa. O conhecimento é tudo. E isso meu pai sempre incentivou. Mas a gana por compartilhar é incentivada diariamente pelas pessoas que conheço, pelos comentários no blog, pela reação das pessoas com o conceito do blog. Tudo isso é um estímulo, um incentivo nessa empreitada de divulgar pensamentos positivos e quem sabe influenciar pessoas, mudar conceitos, construir uma sociedade mais otimista.

6. E na política, quais são suas referências?

Eu gosto muito do senador Cristovam Buarque. Acredito que ele é um político sério e focado em defender com vigor a bandeira da educação, que na minha opinião é uma das mais importantes do Brasil, senão a mais importante. Mas muito além disso: acho que ele é um politico comprometido com o bem-estar do nosso País. É um politico que defende projetos de futuro.

7.  O Brasil dos seus sonhos é o Brasil que…

exista equilíbrio. Com certeza falta equilíbrio nesse País, onde os jogadores de futebol sem estudo são considerados ídolos de meninos de 5/10/15 anos. O equilíbrio é necessário para que haja espaço para um menino admirar tanto um jogador de futebol quanto o seu professor na escola. O Brasil dos meus sonhos é o Brasil onde as ideias referentes à educação, por exemplo, não sejam encaradas como utópicas e sim essenciais.

8.   No lugar aonde você traça o perfil de seu blog, você diz “Me chamem de otimista, cega, utópica, falsária, vendida… o que quiserem. Mas o importante é difundir e multiplicar boas ideias.”. Você já teve alguma reação negativa ao seu trabalho? E qual foi a reação que mais te marcou até agora?

Não, em quase dois meses de blog só recebi elogios referentes a ideia. Mas no início, uma pessoa veio me perguntar se eu era assessora de imprensa de um politico. Fico espantada como tem gente que acha que quando estamos falando bem, estamos fazendo propaganda. Por isso, escrevi isso no perfil: porque sei que deve ter gente que pensa: “ah maluca, política não muda nada, não adianta tentar.” “Olha lá, outra sonhadora.” Ou: “como ela é vendida, está falando bem dos politicos? BEM?” Então, eu antecipei no blog uma reação que podia vir a surgir. Mas por enquanto isso está só na teoria. Não tive reações negativas. Acho que o mais importante de tudo é causar burburinho. Quer dizer que de alguma forma, você está mexendo com aquelas pessoas. Essa para mim é a reação que marca: saber que estou espalhando uma ideia, contaminando as pessoas e de fato criando uma corrente.

9.   O blog está no ar há pouco tempo e já tem conteúdo demais, ótimas entrevistas, inclusive com pessoas de altíssimo nível. O que essa experiência tem impactado no seu dia-a-dia?

Muita coisa. Positivamente. 90% da minha motivação e empolgação atualmente é por causa do blog. Só não digo 100% porque ainda faço outras coisinhas… haha. O blog, em pouco tempo, se tornou um grande projeto de vida. Eu luto muito para manter o nível e corro muito atrás para conseguir mantê-lo atualizado sempre e com personagens relevantes. Rola até uma frustração quando fico 3 dias sem escrever, por exemplo. Quero motivar as pessoas com o meu trabalho e isso não é fácil. Demanda tempo e paciência. Tenho que pensar que nem todos têm dentro deles o gás que eu tenho, já que o projeto é meu. Por isso, preciso motivar essas pessoas de outra forma. Isso não tem sido fácil. Mas estou adorando o desafio. É realmente muito mais do que eu esperava. Por isso, meu dia a dia hoje é uma loucura. Sempre ligando para jornais, revistas e tentando divulgar o blog, correndo atrás de personagens, formulando perguntas, pesquisando. Mal tenho tempo para comer e dormir. Mas acreditem: tudo isso compensa.

10.  Como foi gravar o vídeo que você postou no YouTube?

Eu como jornalista sei que muitas pessoas não são receptivas a câmera. Então, foi difícil, a gente sempre leva muitos foras. Mas faz parte. Quero gravar outros videos ainda, nesse mesmo formato e se possível no Brasil todo. Projetos, projetos, projetos.

11. Algum recado final para otimistas e pessimistas do Brasil e do mundo?

O recado é o seguinte: adoro conhecer esses otimistas ao redor do Brasil e do mundo (esses ainda não tive a oportunidade!). Eles me estimulam, são como um combustível. É uma relação de simbiose. Acredito que ajudo a alimentá-los com o blog e eles me alimentam com as reações. Por isso, continuem assim! É bom saber que tem gente parecida no mundo! É uma corrente que se multiplica.

Para os pessimistas queria dizer que eles também me estimulam. Estimulam a correr mais atrás para mostrar que é possível, que existe solução e que somos sim capazes de mudar. Logo, eles me incentivam a mostrar que existe um outro lado, que vale a pena conhecer!


Parabéns, Paula!

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Corrupção é hediondo!

André Dutra | 30 de junho de 2011 | 14:22
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Ano passado, quando participei do Politeia e fui Presidente da Câmara por quatro dias, apresentei esse Projeto de Lei (que acabou não sendo aprovado em Plenário, mais por questões pessoais do que por ideologia ou questão técnica do PL). Seria muito, mas muito interessante se alguém com mandato tivesse coragem de levar esta discussão pra frente. Mesmo que não seja aprovado hoje, um PL desses tem a capacidade de abrir um belo debate à população brasileira e tem um poder didático muito forte!

Corrupção não deveria ser tratada como nada menos que um crime hediondo. Suas consequências não só matam inocentes que ficam sem remédios, comida, hospitais, saneamento básico, direitos sociais e outros, como destroem o futuro de cidadãos e do próprio país que eles poderiam transformar. Os crimes hediondos são inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia, o que.

Ora, até o tráfico de influência é tratado com desdém no Brasil. Perde-se um cargo administrativo, para acabar com um possível clamor oposicionista e só. Não digo que uma Lei dessas será suficiente para acabar com todos os problemas do país, mas será mais uma ferramenta importante de combate a esse mal que assola o Brasil a tanto tempo e tão descaradamente, assim como o Ficha Limpa é uma importante Lei pra reduzir essas anomalias.

Vejam abaixo o projeto e cliquem para ampliar as imagens. O que está grifado foram as modificações que fiz. O que acham? Comentem e dividam com seus contatos! Afinal, como diria o poeta Pierre Reverdy: “A ética é a estética de dentro“! Ou quem sabe um dia eu mesmo não defenda esse projeto, com meu nome e o apoio de vocês?! Vai saber?! =) Grande abraço!


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Gene Sharp e a revolução por meio da paz

André Dutra | 17 de maio de 2011 | 16:22
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Pra quem não sabe, estou oferecendo uma oficina aos alunos e alunas dos 2º e 3º anos do CEAN, minha ex-escola, chamada “Oficina de ação social – (des)construindo o cidadão, sem ser chatão! É uma matéria optativa e a turma está praticamente cheia.  Minha intenção foi poder levar a eles conhecimento político, social e mesmo de áreas de minha formação, como algumas teorias de Relações Internacionais, economia política, noções de Direito, pensamento crítico etc. Não tive isso quando era estudante do Ensino Médio e acho que tem sido bem legal, tanto pra eles quanto pra mim, que aprendo bastante, também.

Hoje falamos sobre Maquiavel e discutimos sua célebre frase “os fins justificam os meios”. Em dado momento, ao final da aula, recomendei a leitura do livro “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”, de Gene Sharp (clique para baixar, versão em português).

Sharp tem 83 anos, é um cientista político estadunidense, pacifista e seus trabalhos inspiraram o levante popular no Egito, meses atrás. Seu trabalho, por sua vez, foi inspirado nos ensinamentos de Gandhi. Ainda há toques de conceitos como desobediência civil, de Thoreau,  boicotes econômicos e luta por direitos civis*. Para saber mais sobre Gene Sharp, sugiro leitura desse ótimo perfil feito pelo NY Times (em inglês).

Pra finalizar, deixo aqui o blog Da Ditadura à Democracia, onde se pode baixar vários documentos de Gene Sharp e conhecer mais do trabalho deste grande pensador!

* Fonte: Radar Global – Estadão

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Entrevista concedida à Elisa Chagas

André Dutra | 4 de maio de 2011 | 12:39
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Estou com alguns materiais ainda pendentes para publicação aqui no blog. Hoje deixo aqui a íntegra da entrevista que concedi à Elisa Chagas, estudante de jornalismo do UniCEUB. Ainda fico devendo o áudio e a matéria da entrevista que concedi ao Filipe Marques. Espero que gostem!

1. Idade e Partido?

25 anos, Partido Democrático Trabalhista – PDT.

2. Com que idade entrou para a política? O que te motivou?

Desde que me entendo por gente, já agia politicamente. Fui cara pintada contra Collor em 92, aos 6 anos, nos ombros da minha mãe. Na escola, desde o Ensino Fundamental, passando pelo 2º ano e até o fim da faculdade, fui sempre representante de turma. Curiosamente nunca fui de Grêmios e CA, era sempre oposição. Para a política partidária, entrei em 2008, com 22 anos.

Minha maior motivação sempre foi combater a desigualdade sócio-econômica. Não venho de família rica, nem tradicional da política. A busca pela melhoria do que era realidade para mim (escola pública, transporte público, moradia, saúde pública e até direitos civis) foi o que me mostrou que a luta política era a que detinha mais poder de transformação da realidade para uma realidade socialmente mais justa.

3. Por que logo a política, tão famosa pela corrupção?

A política, como disse antes, é a ferramenta mais eficaz de mudança da sociedade para uma vida mais justa. A busca que vejo que a política propicia pela justiça social e igualdade de oportunidade para todos é o que me motiva e legitima minha paixão pelo tema.

O grande problema é que hoje, no Brasil e em alguns outros países, temos uma inversão de valores. Conhecemos a politicagem e não a Política, com P maiúsculo. Nos chateamos pela corrupção, sujeira e más práticas e acabamos com as vistas embaçadas para o que as boas práticas nessa área podem fazer para mudar vidas das pessoas que mais precisam do Estado. É coerente uma pessoa de bem pensa “não vou entrar nesse antro, onde se tem uma corja de corruptos e ladrões”. É coerente querer ficar fora da lama. Porém, é ao mesmo tempo um grande erro, pois no que tange à política, nunca haverá espaços vagos. E uma vez que as pessoas de bem, de caráter e compromisso social deixam de se envolver nos assuntos políticos e de Estado, o espaço será obrigatoriamente ocupado pelas ratazanas do poder, pelos corruptos e de interesses escusos. Eu tenho a certeza de que estou desempenhando meu papel e essa vitória ninguém me tira: parto do princípio de que, se não fosse eu, seria alguém pior que eu.

4. Como foi liderar o movimento “Fora Sarney”?

O movimento foi um clamor social, popular e que teve grande repercussão e participação principalmente por parte dos jovens. Não me considero líder do movimento, mas uma das pessoas que não mediu energias e fez tudo o que estava a seu alcance para chamar atenção da sociedade para os desmandos e coronelismo do Senador Sarney. Foi isso que me motivou e a mais alguns colegas de manifestação a criar um grupo que pautou várias vezes a discussão sobre o Fora Sarney, com manifestações que chamávamos de “atos secretos” (parodiando os Atos Secretos do Senado), culminando com nossa prisão no Senado. Ainda há efeitos na minha vida daquela época. Até hoje não posso entrar no Senado sem a autorização da Polícia do Senado e estou buscando meus direitos para que essa violência a direitos como o de ir e vir e de liberdade de expressão seja definitivamente cortado. Hoje é comigo, amanhã não sei com quem pode ser.

No mais, foi um grande aprendizado. Vi como a mídia pautava as manifestações das mais diferentes formas, senti um pouco do que é a repressão raivosa de entes que há décadas atrás reprimiam pensamentos contrários a bala e não a tapas e pontapés (como levei) e por aí vai. Faria tudo de novo, pois além de legal foi uma atitude moral de nossa parte.

5. Como foi ser “preso” no Senado?

Senti tudo que acredito, todos meus direitos e a Constituição violentados. Nunca imaginei ser preso por falar o que penso e, pior, sendo algo legítimo, discutido amplamente pela sociedade, divulgado nos grandes veículos de comunicação, na internet e no próprio plenário do Senado. Vi ali o que é a prática política de velhas raposas que não soltam o osso do poder. Senti a dificuldade extrema que seria suplantar e modificar o sistema que vigora hoje na política brasileira, como é difícil renovar caras, práticas e ideologias políticas.

Nunca havia estado naquela micro-sala do subsolo do Senado. No início foi aterrorizante, apesar de eu sempre manter a calma. Fomos chantageados e ameaçados até a chegada dos Senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), José Nery (PSOL-PA), Valter Pereira (PMDB-MT) e Eduardo Suplicy (PT-SP) e, posteriormente, da Deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que ficaram conosco até sermos liberados daquela situação.

Ali vi, de fato, que o poder público vem sendo usado para interesses privados em vários âmbitos já há tempo demais no Brasil.

6. Que experiência levou da eleição passada? Pretende se candidatar novamente?

Foi uma experiência que eu adoraria dividir com todo mundo que conheço. Se fosse possível, queria que todo brasileiro e brasileira pudesse participar ao menos uma vez de uma campanha eleitoral. Claro, se as coisas fossem mais igualitárias, com campanhas mais justas, menos embasadas em poderio econômico e mais voltadas às ideias e propostas dos candidatos.

Aprendi demais e não há dinheiro que compre esse tipo de conhecimento e de experiência. Conversei com pessoas de todo tipo, visitei lugares que não imaginava visitar, pude estar muito mais perto de pessoas que admiro no mundo da política, como o Senador Cristovam e principalmente, levei o que penso para que as pessoas julgassem.

As dificuldades, entretanto são gigantes. Partido que não ajudou em nada na campanha, principalmente pelo fato de termos um Presidente à época que era candidato e “se auto priorizou” em detrimento dos outros; o fato de eu não ter poderio econômico para bancar uma campanha com material, serviços e recursos humanos abundantes (muito material acabou sobrando, pois não consegui distribuir tudo); a própria desconfiança das pessoas com qualquer coisa que se trate de política e por aí vai.

Entretanto, mostrei ser possível impactar a política com pouco. Era o candidato mais novo do meu partido, quase sem dinheiro e mesmo assim tive uma votação relativamente expressiva pautada por ideias e propostas. A experiência adquirida é tão extensa, que poderia ficar falando e escrevendo horas sobre isso!

E sim, pretendo me candidatar, novamente, com absoluta certeza!

7. Quais são os seus projetos atuais? Alguma coisa relacionada à política?

Minhas ambições continuam no sentido de renovar a cara da política no DF, que continua a mesma coisa de antes. Não tenho ambição por cargos ou status, mas quero compartilhar com as pessoas as coisas que aprendi na campanha e nesse processo e continuar a caminhada rumo a esse sonho de transformar a vida da população por meio das minhas ideias e ações.

Ultimamente tenho trabalhado na assessoria da Secretaria de Trabalho do DF (sou concursado do Metrô-DF e fui cedido para a SETRAB), onde estamos desempenhando um grande papel para a mudança social no Distrito Federal, buscando gerar oportunidades de emprego para as pessoas que estão em áreas de risco social, jovens em conflito com e Lei e pessoas em situação prisional e egressos desse sistema, por meio de qualificação profissional e intermediação de mão-de-obra. Além do meu trabalho assalariado, ultimamente estou me especializando em Gestão Pública, para me capacitar ainda mais sobre as coisas da Máquina Pública e da Administração, de forma a me tornar uma pessoa mais preparada para exercer um cargo eletivo.

Por último, sou professor voluntário na minha antiga escola de Ensino Médio e ministro uma oficina sobre Política, conscientização social, falando de ética, cidadania, pensamento crítico, ação social e outros temas, para alunos do 2º e 3º anos. Além das aulas, desenvolvi e ministro palestra sobre o mesmo tema da Oficina e também palestra para Estudantes de Relações Internacionais sobre a importância da participação da política pelo formado no curso. Também pretendo tocar mais alguns projetos pessoais e em grupo, mas que a falta de tempo ainda não me deixam realizar.

8. Como avalia os jovens? Alienados? Sem interesse por política?

Avalio como uma parcela da sociedade extremamente faminta por poder agir, mas em parte desmotivada e em parte sem conhecimentos sobre o tema, ou ambos. Como falei anteriormente, a Política hoje é vista num papel distorcido, o que afasta os jovens (a maioria dos que estão no poder são pessoas já velhas, que estão lá há décadas) e a falta de conhecimento do funcionamento das instituições e estruturas levam a esse afastamento. É, inclusive, de interesse de grande parte dos medalhões políticos que esses jovens não tenham acesso à informação, dificultando a renovação política e perpetuando-os e suas família no poder.

Porém, ao iniciar as aulas da minha oficina, vi que os jovens só precisam ser provocados. No Fora Sarney, não conseguimos fazer uma provocação eficaz a ponto de tirar milhares de pessoas de seus computadores, mas já foi um passo. Os jovens querem participar, mas estão em um enorme quarto escuro, desconhecido e com poucos e fracos pontos luminosos, muitos que acabam apagando rapidamente. Precisamos encher esse quarto de luz, que é simplesmente conhecida como Educação. Hoje temos um sistema precário de ensino e não de Educação, que trata o estudante como aluno autômato e não o prepara como cidadão. Precisamos de uma revolução na e da Educação no Brasil.

9. Todos os políticos dizem que vão ser diferentes, mas a maioria acaba sendo igual após eleito. Qual é o seu diferencial?

Essa é uma pergunta que se escuta com muita frequência. Eu tenho um objetivo: buscar justiça social e igualdade de oportunidades. Essa busca não é pra mim, é para que não só as pessoas tenham uma vida melhor, mas para que o Brasil se desenvolva e ocupe o lugar que pertence no Sistema Internacional, como a potência que deveria ser.

Meu diferencial é pautar minha vida política nas ideias e propostas tangíveis e na busca por mostrar para pessoas mais jovens que é possível participar da Política sem se corromper. Vou além: é necessário e um gesto de patriotismo participar da vida política de forma socialmente compromissada e ética (isso é o básico). Um exemplo simples é que hoje recebo um salário por volta de 15 (quinze) vezes menor que o de um deputado distrital. Mesmo para uma cidade de altíssimo custo de vida, não passo necessidades básicas. E o serviço público não existe para enriquecer ninguém, quem quer isto que vá para o setor privado, invista no empreendedorismo.

Por último, pontuo como diferencial minha experiência de vida e o fato de eu ser produto da Educação. Vivi situações que não desejo que outros cidadãos vivenciem. Se eu já me incomodo com o que vivi, imagine aqueles que vivem na pobreza e na miséria, abaixo da linha da pobreza? Não é digno, não é humano e não é aceitável que tenhamos isto em nosso país. Diferencio-me por querer que o mais pobre e o mais rico tenham possibilidade de serem o que quiserem, por meio de seus próprios méritos. Assim como eu e qualquer pessoa deveria ter a mesma chance de ser eleito que outros que gastam milhões em campanhas, mais do que receberão de salário nos 4 (quatro) anos de mandato.

10. Como garante que se entrar para a política não vai entrar nos “esquemas” existentes? (Não necessariamente corrupção)

Aprendi que se deve negociar, mas não se negocia com princípios. Meus princípios não mudam. O foco deve ser o trabalho para a mudança social, servir o povo, legislar pelo povo e para o povo. Quem pensa assim e trabalha assim não tem tempo pra perder com esqueminhas e negociatas, muito menos perfil pra se corromper. A visão é muito além dos ganhos pessoais, pois se você melhora a sociedade como um todo, é vantagem até para o mais rico, que terá mais segurança, maior qualidade de vida e conforto.

Deve se ter um lastro de negociação, saber ceder no que é possível, firmar pulso no que é necessário e, o mais difícil, tomar decisões certas nas horas certas. Isso é o que diferencia um político medíocre de um Estadista, “raça” em extinção no Brasil.

11. Como acha que podemos mudar a imagem do Congresso?

Mudando as caras que o preenchem. Para isso, só com uma grande revolução na Educação, com um pacto social e político que direcione o país para onde queremos que esteja em 50 anos. A pergunta que os políticos deveriam fazer para si mesmos deveria ser: que herança social quero deixar para meu país quando eu morrer? Hoje eles se perguntam a cifra da herança que vão deixar para os parentes e a herança política de continuidade no poder para os filhos e apadrinhados.

Isso acontecerá com a mudança de paradigma na Educação Brasileira. Hoje temos um sistema que prioriza o ensino (e olhe lá) e não a educação e formação do cidadão como tal. A mudança do Congresso deve começar pelo povo, mas não é interessante que isso aconteça por parte de quem já está no poder. Então essa mudança deve começar com focos de subversão do atual tipo de administração e política, pessoas que se comprometam com o futuro do país e da sociedade e que sejam foco dessa mudança, seja por meio da luta social, política, com voluntariado, ações pessoais, entre vários outros tipos de contribuições à sociedade que cada pessoa pode dar. O que posso fazer para minha antiga escola? Como posso melhorar meu trabalho? Como posso ser um agente de mudança social? Essas e várias outras perguntas podem trazer respostas para esta pergunta proposta e muitas outras. Afinal, se outros países saem de ditaduras (como nós saímos) e mudam regimes, impactam a vida da sociedade (como a Coréia do Sul em 50 anos), por que nós no Brasil não podemos conseguir isso em uma sociedade que tem como preceitos o Estado Democrático e de Direito, a liberdade de expressão e tantos outros direitos garantidos pela Constituição, a Carta Magna?

Precisamos, sim, da revolução na Educação.

É isso aí!

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