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Gene Sharp e a revolução por meio da paz

André Dutra | 17 de maio de 2011 | 16:22
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Pra quem não sabe, estou oferecendo uma oficina aos alunos e alunas dos 2º e 3º anos do CEAN, minha ex-escola, chamada “Oficina de ação social – (des)construindo o cidadão, sem ser chatão! É uma matéria optativa e a turma está praticamente cheia.  Minha intenção foi poder levar a eles conhecimento político, social e mesmo de áreas de minha formação, como algumas teorias de Relações Internacionais, economia política, noções de Direito, pensamento crítico etc. Não tive isso quando era estudante do Ensino Médio e acho que tem sido bem legal, tanto pra eles quanto pra mim, que aprendo bastante, também.

Hoje falamos sobre Maquiavel e discutimos sua célebre frase “os fins justificam os meios”. Em dado momento, ao final da aula, recomendei a leitura do livro “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”, de Gene Sharp (clique para baixar, versão em português).

Sharp tem 83 anos, é um cientista político estadunidense, pacifista e seus trabalhos inspiraram o levante popular no Egito, meses atrás. Seu trabalho, por sua vez, foi inspirado nos ensinamentos de Gandhi. Ainda há toques de conceitos como desobediência civil, de Thoreau,  boicotes econômicos e luta por direitos civis*. Para saber mais sobre Gene Sharp, sugiro leitura desse ótimo perfil feito pelo NY Times (em inglês).

Pra finalizar, deixo aqui o blog Da Ditadura à Democracia, onde se pode baixar vários documentos de Gene Sharp e conhecer mais do trabalho deste grande pensador!

* Fonte: Radar Global – Estadão

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Entrevista concedida à Elisa Chagas

André Dutra | 4 de maio de 2011 | 12:39
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Estou com alguns materiais ainda pendentes para publicação aqui no blog. Hoje deixo aqui a íntegra da entrevista que concedi à Elisa Chagas, estudante de jornalismo do UniCEUB. Ainda fico devendo o áudio e a matéria da entrevista que concedi ao Filipe Marques. Espero que gostem!

1. Idade e Partido?

25 anos, Partido Democrático Trabalhista – PDT.

2. Com que idade entrou para a política? O que te motivou?

Desde que me entendo por gente, já agia politicamente. Fui cara pintada contra Collor em 92, aos 6 anos, nos ombros da minha mãe. Na escola, desde o Ensino Fundamental, passando pelo 2º ano e até o fim da faculdade, fui sempre representante de turma. Curiosamente nunca fui de Grêmios e CA, era sempre oposição. Para a política partidária, entrei em 2008, com 22 anos.

Minha maior motivação sempre foi combater a desigualdade sócio-econômica. Não venho de família rica, nem tradicional da política. A busca pela melhoria do que era realidade para mim (escola pública, transporte público, moradia, saúde pública e até direitos civis) foi o que me mostrou que a luta política era a que detinha mais poder de transformação da realidade para uma realidade socialmente mais justa.

3. Por que logo a política, tão famosa pela corrupção?

A política, como disse antes, é a ferramenta mais eficaz de mudança da sociedade para uma vida mais justa. A busca que vejo que a política propicia pela justiça social e igualdade de oportunidade para todos é o que me motiva e legitima minha paixão pelo tema.

O grande problema é que hoje, no Brasil e em alguns outros países, temos uma inversão de valores. Conhecemos a politicagem e não a Política, com P maiúsculo. Nos chateamos pela corrupção, sujeira e más práticas e acabamos com as vistas embaçadas para o que as boas práticas nessa área podem fazer para mudar vidas das pessoas que mais precisam do Estado. É coerente uma pessoa de bem pensa “não vou entrar nesse antro, onde se tem uma corja de corruptos e ladrões”. É coerente querer ficar fora da lama. Porém, é ao mesmo tempo um grande erro, pois no que tange à política, nunca haverá espaços vagos. E uma vez que as pessoas de bem, de caráter e compromisso social deixam de se envolver nos assuntos políticos e de Estado, o espaço será obrigatoriamente ocupado pelas ratazanas do poder, pelos corruptos e de interesses escusos. Eu tenho a certeza de que estou desempenhando meu papel e essa vitória ninguém me tira: parto do princípio de que, se não fosse eu, seria alguém pior que eu.

4. Como foi liderar o movimento “Fora Sarney”?

O movimento foi um clamor social, popular e que teve grande repercussão e participação principalmente por parte dos jovens. Não me considero líder do movimento, mas uma das pessoas que não mediu energias e fez tudo o que estava a seu alcance para chamar atenção da sociedade para os desmandos e coronelismo do Senador Sarney. Foi isso que me motivou e a mais alguns colegas de manifestação a criar um grupo que pautou várias vezes a discussão sobre o Fora Sarney, com manifestações que chamávamos de “atos secretos” (parodiando os Atos Secretos do Senado), culminando com nossa prisão no Senado. Ainda há efeitos na minha vida daquela época. Até hoje não posso entrar no Senado sem a autorização da Polícia do Senado e estou buscando meus direitos para que essa violência a direitos como o de ir e vir e de liberdade de expressão seja definitivamente cortado. Hoje é comigo, amanhã não sei com quem pode ser.

No mais, foi um grande aprendizado. Vi como a mídia pautava as manifestações das mais diferentes formas, senti um pouco do que é a repressão raivosa de entes que há décadas atrás reprimiam pensamentos contrários a bala e não a tapas e pontapés (como levei) e por aí vai. Faria tudo de novo, pois além de legal foi uma atitude moral de nossa parte.

5. Como foi ser “preso” no Senado?

Senti tudo que acredito, todos meus direitos e a Constituição violentados. Nunca imaginei ser preso por falar o que penso e, pior, sendo algo legítimo, discutido amplamente pela sociedade, divulgado nos grandes veículos de comunicação, na internet e no próprio plenário do Senado. Vi ali o que é a prática política de velhas raposas que não soltam o osso do poder. Senti a dificuldade extrema que seria suplantar e modificar o sistema que vigora hoje na política brasileira, como é difícil renovar caras, práticas e ideologias políticas.

Nunca havia estado naquela micro-sala do subsolo do Senado. No início foi aterrorizante, apesar de eu sempre manter a calma. Fomos chantageados e ameaçados até a chegada dos Senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), José Nery (PSOL-PA), Valter Pereira (PMDB-MT) e Eduardo Suplicy (PT-SP) e, posteriormente, da Deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), que ficaram conosco até sermos liberados daquela situação.

Ali vi, de fato, que o poder público vem sendo usado para interesses privados em vários âmbitos já há tempo demais no Brasil.

6. Que experiência levou da eleição passada? Pretende se candidatar novamente?

Foi uma experiência que eu adoraria dividir com todo mundo que conheço. Se fosse possível, queria que todo brasileiro e brasileira pudesse participar ao menos uma vez de uma campanha eleitoral. Claro, se as coisas fossem mais igualitárias, com campanhas mais justas, menos embasadas em poderio econômico e mais voltadas às ideias e propostas dos candidatos.

Aprendi demais e não há dinheiro que compre esse tipo de conhecimento e de experiência. Conversei com pessoas de todo tipo, visitei lugares que não imaginava visitar, pude estar muito mais perto de pessoas que admiro no mundo da política, como o Senador Cristovam e principalmente, levei o que penso para que as pessoas julgassem.

As dificuldades, entretanto são gigantes. Partido que não ajudou em nada na campanha, principalmente pelo fato de termos um Presidente à época que era candidato e “se auto priorizou” em detrimento dos outros; o fato de eu não ter poderio econômico para bancar uma campanha com material, serviços e recursos humanos abundantes (muito material acabou sobrando, pois não consegui distribuir tudo); a própria desconfiança das pessoas com qualquer coisa que se trate de política e por aí vai.

Entretanto, mostrei ser possível impactar a política com pouco. Era o candidato mais novo do meu partido, quase sem dinheiro e mesmo assim tive uma votação relativamente expressiva pautada por ideias e propostas. A experiência adquirida é tão extensa, que poderia ficar falando e escrevendo horas sobre isso!

E sim, pretendo me candidatar, novamente, com absoluta certeza!

7. Quais são os seus projetos atuais? Alguma coisa relacionada à política?

Minhas ambições continuam no sentido de renovar a cara da política no DF, que continua a mesma coisa de antes. Não tenho ambição por cargos ou status, mas quero compartilhar com as pessoas as coisas que aprendi na campanha e nesse processo e continuar a caminhada rumo a esse sonho de transformar a vida da população por meio das minhas ideias e ações.

Ultimamente tenho trabalhado na assessoria da Secretaria de Trabalho do DF (sou concursado do Metrô-DF e fui cedido para a SETRAB), onde estamos desempenhando um grande papel para a mudança social no Distrito Federal, buscando gerar oportunidades de emprego para as pessoas que estão em áreas de risco social, jovens em conflito com e Lei e pessoas em situação prisional e egressos desse sistema, por meio de qualificação profissional e intermediação de mão-de-obra. Além do meu trabalho assalariado, ultimamente estou me especializando em Gestão Pública, para me capacitar ainda mais sobre as coisas da Máquina Pública e da Administração, de forma a me tornar uma pessoa mais preparada para exercer um cargo eletivo.

Por último, sou professor voluntário na minha antiga escola de Ensino Médio e ministro uma oficina sobre Política, conscientização social, falando de ética, cidadania, pensamento crítico, ação social e outros temas, para alunos do 2º e 3º anos. Além das aulas, desenvolvi e ministro palestra sobre o mesmo tema da Oficina e também palestra para Estudantes de Relações Internacionais sobre a importância da participação da política pelo formado no curso. Também pretendo tocar mais alguns projetos pessoais e em grupo, mas que a falta de tempo ainda não me deixam realizar.

8. Como avalia os jovens? Alienados? Sem interesse por política?

Avalio como uma parcela da sociedade extremamente faminta por poder agir, mas em parte desmotivada e em parte sem conhecimentos sobre o tema, ou ambos. Como falei anteriormente, a Política hoje é vista num papel distorcido, o que afasta os jovens (a maioria dos que estão no poder são pessoas já velhas, que estão lá há décadas) e a falta de conhecimento do funcionamento das instituições e estruturas levam a esse afastamento. É, inclusive, de interesse de grande parte dos medalhões políticos que esses jovens não tenham acesso à informação, dificultando a renovação política e perpetuando-os e suas família no poder.

Porém, ao iniciar as aulas da minha oficina, vi que os jovens só precisam ser provocados. No Fora Sarney, não conseguimos fazer uma provocação eficaz a ponto de tirar milhares de pessoas de seus computadores, mas já foi um passo. Os jovens querem participar, mas estão em um enorme quarto escuro, desconhecido e com poucos e fracos pontos luminosos, muitos que acabam apagando rapidamente. Precisamos encher esse quarto de luz, que é simplesmente conhecida como Educação. Hoje temos um sistema precário de ensino e não de Educação, que trata o estudante como aluno autômato e não o prepara como cidadão. Precisamos de uma revolução na e da Educação no Brasil.

9. Todos os políticos dizem que vão ser diferentes, mas a maioria acaba sendo igual após eleito. Qual é o seu diferencial?

Essa é uma pergunta que se escuta com muita frequência. Eu tenho um objetivo: buscar justiça social e igualdade de oportunidades. Essa busca não é pra mim, é para que não só as pessoas tenham uma vida melhor, mas para que o Brasil se desenvolva e ocupe o lugar que pertence no Sistema Internacional, como a potência que deveria ser.

Meu diferencial é pautar minha vida política nas ideias e propostas tangíveis e na busca por mostrar para pessoas mais jovens que é possível participar da Política sem se corromper. Vou além: é necessário e um gesto de patriotismo participar da vida política de forma socialmente compromissada e ética (isso é o básico). Um exemplo simples é que hoje recebo um salário por volta de 15 (quinze) vezes menor que o de um deputado distrital. Mesmo para uma cidade de altíssimo custo de vida, não passo necessidades básicas. E o serviço público não existe para enriquecer ninguém, quem quer isto que vá para o setor privado, invista no empreendedorismo.

Por último, pontuo como diferencial minha experiência de vida e o fato de eu ser produto da Educação. Vivi situações que não desejo que outros cidadãos vivenciem. Se eu já me incomodo com o que vivi, imagine aqueles que vivem na pobreza e na miséria, abaixo da linha da pobreza? Não é digno, não é humano e não é aceitável que tenhamos isto em nosso país. Diferencio-me por querer que o mais pobre e o mais rico tenham possibilidade de serem o que quiserem, por meio de seus próprios méritos. Assim como eu e qualquer pessoa deveria ter a mesma chance de ser eleito que outros que gastam milhões em campanhas, mais do que receberão de salário nos 4 (quatro) anos de mandato.

10. Como garante que se entrar para a política não vai entrar nos “esquemas” existentes? (Não necessariamente corrupção)

Aprendi que se deve negociar, mas não se negocia com princípios. Meus princípios não mudam. O foco deve ser o trabalho para a mudança social, servir o povo, legislar pelo povo e para o povo. Quem pensa assim e trabalha assim não tem tempo pra perder com esqueminhas e negociatas, muito menos perfil pra se corromper. A visão é muito além dos ganhos pessoais, pois se você melhora a sociedade como um todo, é vantagem até para o mais rico, que terá mais segurança, maior qualidade de vida e conforto.

Deve se ter um lastro de negociação, saber ceder no que é possível, firmar pulso no que é necessário e, o mais difícil, tomar decisões certas nas horas certas. Isso é o que diferencia um político medíocre de um Estadista, “raça” em extinção no Brasil.

11. Como acha que podemos mudar a imagem do Congresso?

Mudando as caras que o preenchem. Para isso, só com uma grande revolução na Educação, com um pacto social e político que direcione o país para onde queremos que esteja em 50 anos. A pergunta que os políticos deveriam fazer para si mesmos deveria ser: que herança social quero deixar para meu país quando eu morrer? Hoje eles se perguntam a cifra da herança que vão deixar para os parentes e a herança política de continuidade no poder para os filhos e apadrinhados.

Isso acontecerá com a mudança de paradigma na Educação Brasileira. Hoje temos um sistema que prioriza o ensino (e olhe lá) e não a educação e formação do cidadão como tal. A mudança do Congresso deve começar pelo povo, mas não é interessante que isso aconteça por parte de quem já está no poder. Então essa mudança deve começar com focos de subversão do atual tipo de administração e política, pessoas que se comprometam com o futuro do país e da sociedade e que sejam foco dessa mudança, seja por meio da luta social, política, com voluntariado, ações pessoais, entre vários outros tipos de contribuições à sociedade que cada pessoa pode dar. O que posso fazer para minha antiga escola? Como posso melhorar meu trabalho? Como posso ser um agente de mudança social? Essas e várias outras perguntas podem trazer respostas para esta pergunta proposta e muitas outras. Afinal, se outros países saem de ditaduras (como nós saímos) e mudam regimes, impactam a vida da sociedade (como a Coréia do Sul em 50 anos), por que nós no Brasil não podemos conseguir isso em uma sociedade que tem como preceitos o Estado Democrático e de Direito, a liberdade de expressão e tantos outros direitos garantidos pela Constituição, a Carta Magna?

Precisamos, sim, da revolução na Educação.

É isso aí!

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Entrevista Jornal de Brasília (25/04/2011) – Cristovam Buarque “Agnelo está preso ao tradicional”

André Dutra | 26 de abril de 2011 | 0:50
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Pessoal, matéria que li logo de manhã no Jornal de Brasília e que me fez ligar em seguida ao Senador Cristovam para parabenizá-lo por se posicionar em respeito a esse Governo que ninguém fala nada. O parabenizei e reitero sua posição. Sem hipocrisia, não houve mudanças de fato entre governos no Distrito Federal, ainda. Nem sei se haverá. Sou favorável a continuar na base governista, mas que seja uma base crítica e não passiva. É isso que diferencia e dá mais valor à luta pelo bem-estar social, pensar no povo primeiro e só depois nas alianças e afins. Crítica com responsabilidade, pois o GDF ainda está bem mal das pernas. A seguir, matéria retirada do Portal do Senador Cristovam Buarque:

Francisco Dutra – Jornal de Brasília“Deixado de lado” no governo de Agnelo Queiroz, o senador Cristovam Buarque (PDT) não economiza nas críticas à gestão petista. Nesta entrevista ao Jornal de Brasília, ele aponta falhas na gestão e afirma que o petista muito se assemelha a ex-governadores do DF. “Agnelo está muito preso à política tradicional.

CLIQUE AQUI OU NA IMAGEM E LEIA NA ÍNTEGRA A ENTREVISTA

Do ponto de vista de obras, o governo está muito verde, lembrando Arruda, e muito azul, lembrando Roriz”. Cristovam também critica o fato de o vice-governador Tadeu Filippelli ter papel de destaque no governo. “Tinha que ser muito mais discreto, sem nenhuma função”. Sobre a possibilidade de se candidatar ao GDF em 2014, ele diz que tem sido pressionado por populares, partidários e petistas para concorrer, caso Agnelo não tenha sucesso. “Como a minha preferência é não voltar, quero que o governo dê certo. Não está na minha estratégia ser candidato a governador, só se eu sentir que é uma obrigação com a cidade”.

CLIQUE NA IMAGEM E LEIA NA ÍNTEGRA A ENTREVISTA

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A Polícia do Senado Federal e eu

André Dutra | 21 de março de 2011 | 10:46
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Como muitos de vocês acompanharam aqui mesmo no blog, minha relação com a Polícia do Senado Federal não é das melhores desde agosto de 2009 (podem ver outro link aqui, também). Eu bem queria ser amigo deles, mas eles não querem ser meus amigos! Acho que o “chefinho” não vai bem com minha cara, não sei se porque meu bigode não cresce ou se por outro motivo mais provável.

Enfim, desde aquele fatídico dia, muitas coisas aconteceram. Até falaram que nós estávamos corretos e eles (a Polícia do Senado – detalhe, Polícia uma vírgula, deviam ser chamados de seguranças) estavam bem errados. Não foi qualquer um que falou isso, está gravado na TV Senado, numa audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e dito pela Dra. Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Enfim, como muitas coisas naquela Casa, não deu em nada. Vida que segue, vivi muitas coisas desde aquele dia de 2009, até candidato a Deputado Distrital eu fui, voltei no Congresso várias vezes, desde visitas a amigos que trabalham até para assistir sessões ou visitar parlamentares. Em 2011, que mal começou, voltei lá algumas vezes, sempre pela porta da frente. Até que, no dia 24/02/2011 fui surpreendido na portaria da Chapelaria.

Fui fazer uma visita a uma amiga, nada demais, depois do expediente. Nada demais para uma 5ª-feira. De praxe, todos visitantes devem submeter-se à pasagem pelo detector de metais e passar seus pertences pela esteira de raio-x, dirigindo-se à portaria, avisando para onde vai e fazer o que (mesmo que seja “tratar de assunto particular”) e ser docemente encaminhado até seu destino. Mas isso não aconteceu comigo.

Naquela quinta, uma mensagem apareceu na tela de computador da segurança do Senado. Uma mensagem pop-up que dizia: “Consta ocorrência de usuário com o RG: XXXXXXX seu CPF é XXXXXXXXXXX. Entre em contato com a Central de Operações. (ramal 4444)”. Meu RG, meu CPF e a cara da segurança olhando pra mim como se eu fosse o bin Laden.


A Polícia do Senado e eu – restrição de entrada (clique para ver maior)

Surpresa pra ela, surpresa pra mim, acho que ninguém tinha se deparado com aquela mensagem ainda! Não fosse constrangedor o suficiente ficar esperando pela ligação do segurança para a Polícia do Senado, segurando minha CNH e olhando desconfiado pra mim, dizendo “é um jovem que alega ir visitar o gabinete do Senador Cristovam”, mesmo comigo falando que sou jovem, mas sou membro de um partido, cidadão e eleitor, podendo visitar aquelas dependências por qualquer um desses motivos. Não contentes, fui escoltado acompanhado de um senhor da Polícia do Senado até a sala da Delegacia (eu fico besta com essas nomenclaturas), onde fui recebido pelo pelo senhor deste vídeo aqui (o mais educado no dia da truculência, bem articulado, com boas argumentações, MAS errado ainda assim):

Ao perguntar a ele se havia algum problema especificamente e, se sim, qual seria (já que não tinha nada a ver surgir uma restrição com por um motivo passado e resolvido – em tese), me respondeu que não era problema específico, mas um “novo sistema em teste, para apresentar à Presidência da Casa, onde no futuro todos teriam que consultar um funcionário antes de entrar”. Era aleatório. Achei bizarro, mas não quis aumentar a prosa, ele ligou na minha amiga, ela falou que já estava esperando por mim há algum tempo e eu fui liberado a entrar, depois de cadastrar em nova portaria meu RG e colocar a observação com o nome de quem “liberou” minha entrada. No momento em que fomos fazer isso em outra portaria, adivinha? Pop-up de novo com a restrição Aleatório, né? Naquele dia fui embora, mas resolvi passar em outra portaria e outra vez apareceu a mensagem e eu registrei a imagem, como vocês viram acima.

Não gostei nem um pouco do tratamento diferenciado. Voltei outro dia, com uma testemunha e mais uma vez fomos parados. Ou melhor, EU fui parado na mesma portaria, da chapelaria. Meu amigo teve seu registro de entrada e liberação tranquilos. Ambos jovens, de terno e gravata, juntos, mas ele podia entrar e eu não, só depois de consultar a Polícia. Pelo telefone liberaram a entrada, mas fui lá pedir satisfação. Se negaram a falar qual o motivo da restrição e muito menos a dar resposta por escrito, a não ser que eu protocolasse o pedido. Redigi o texto, assinei e um amigo protocolou no dia seguinte tal requerimento:


Requerimento (clique na imagem para ampliar)

Curiosamente, no dia em que fui com meu amigo, também entramos na Câmara dos Deputados, pelo Anexo II e não houve problema algum!

Na última 6ª-feira, 18/02/2011, voltei ao Senado para ver se havia resposta e MAIS UMA VEZ fui barrado na porta. Depois de passar por toda aquela situação chata (assim que cheguei, os próprios seguranças da portaria já me reconheceram e eu até brinquei falando que já podiam ligar na Polícia, que eu era persona non grata ali…), entrei e fui rastrear meu requerimento. Está ainda em trânsito interno.

Amanhã, 3ª-feira, vou lá de novo. Com cópias do meu requerimento. Já sei que serei barrado na porta e depois de uns 20 minutos vão me deixar entrar, mas dessa vez quero entregar as cópias a alguns Senadores, não apenas do PDT. Espero que alguns entendam a gravidade de uma situação dessas que hoje é só comigo, um Zé Ninguém, mas que aquele prédio bonito no final da Esplanada é para todos os cidadão brasileiros, Zés Ninguéns e Zés Alguéns, entrarem, cobrarem, fiscalizarem e até mesmo para conhecerem um pouco sobre nosso Parlamento. Não precisamos de motivo para entrar na Casa do Povo, apesar de todo dia eles nos darem vários motivos e mesmo assim não nos valermos deles.

Bem era isso. Texto longo, mas minha indignação é ainda maior. Peço que repassem esse post para amigos e quem mais puder se interessar. Hoje é comigo, amanhã pode ser com mais um tanto de gente.

Saiba mais sobre o que a Polícia do Senado faz com nosso dinheiro, além de dirigir SUV’s da Nissan e serem armados com Tasers:

E o velho do bigode comendo feijoada vegan com o Obama, tranquilo e calmo…

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Eleições 2010: o primeiro passo de um sonho!

André Dutra | 5 de outubro de 2010 | 2:52
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É isso! Foram três meses intensos. Três meses onde perdi 4kg, ganhei um primeiro fio de cabelo branco, conheci muitas pessoas e conheci mais do DF, andei, falei, escutei, gastei o que tinha, recebi ajudas inesperadas, estive presente para muitos amigos e ausente para outros, sorri, me zanguei, aprendi uma infinidade de coisas novas… Foi um capítulo da minha vida, uma história para netos, muitos momentos a serem recordados.

Ainda estou digerindo muitas coisas e ainda tenho algumas coisas a resolver (como a prestação de contas definitiva e a famigerada multa), bem como pretendo não ser apenas espectador do segundo turno. Ainda estou lendo as dezenas de comentários recebidos no Facebook e Twitter, acabando de responder e-mails e me preparando para voltar à minha rotina anterior e rever meus amigos de Metrô, amigos que só vi duas vezes nesses três meses.

Tô feliz, independente do resultado e do que aconteça daqui para frente. Fiz minha parte, dei a cara a tapa, lutei, conheci pessoas, debati propostas, aprendi, cresci, ralei, lutei, apanhei e pelo que sonho. Fui patriota e segui meus ideiais, fiz o que pude, com as armas que pude. Agora acabou a luta dos últimos três meses e o que vier será aceito. Mas a luta não para, também independente do que aconteça.  Estou empolgado em fazer política nesses próximos quatro anos, com a diferença de que não terei o cargo eletivo e algumas ferramentas que ajudariam a impactar muito mais positivamente o DF. Obrigado, de coração, desde meus amigos de infância até as pessoas que conheci no último dia de campanha, antes das 22hs e da propaganda nas ruas terminar. Valeu a pena e eu repetiria tudo de novo.

É duro, é desigual, mas era impossível não tentar. O resultado em si pode não parecer grande coisa, mas comparando com outras campanhas que tiveram muito mais recursos e “nomes de peso”, que não tiveram metade dos problemas que tive (e que tive que resolver sozinho, tirando o foco do candidato, que é conhecer pessoas e buscar votos), dei um primeiro passo sólido. Obrigado por serem a base dessa solidez. São vocês que me apoiaram nesse primeiro passo que quero comigo até o fim da jornada. E a jornada é longa, mas sempre começa com um simples passo. Estou emocionado e feliz de ter cumprido com meu papel nessas eleições. Por não abandonar meus princípios e ideologias por facilidades. Feliz até por ter sofrido, pois se aprende mais assim. Me sinto muito mais brasileiro, muito mais vivo e estou ansioso com o que vem pela frente! Estou feliz por ter vocês comigo.

Nesse domingo, 03/10/2010, tirando quem mora aqui em casa (3), 970 pessoas foram até uma urna e digitaram meu número, viram minha fotinha, acreditaram em mim, em meus projetos e apertaram CONFIRMA. Dentro do que foi minha campanha, acho que tive sucesso. sim! Houve dias em que nem carro tive para sair e panfletar. Em 4 anos espero que muito mude. E quero falar: tenho 24 anos, sou formado, concursado e tenho um sonho. Tenho 3 anos e 9 meses p/ amadurecer esse sonho e encarar mais três meses de batalha em 2014 por aquilo que acredito e para defender idéias e projetos que trarão melhoria de fato  à nossa sociedade.


Obrigado pelos 973 votos!

E que venha o próximo passo na vida!  :-D

Gente, obrigado! Essa palavra resume todas as boas coisas que estou sentindo e a felicidade em ter compartilhado com vcs um pouco da minha luta. Dei o primeiro passo do grande sonho que sempre tive em minha vida, que é trabalhar pela justiça social, pela igualdade de oportunidades e para viver em um mundo um pouco melhor.

É duro, é desigual, mas era impossível não tentar. O resultado em si pode não parecer grande coisa, mas comparando com outras campanhas que tiveram muito mais recursos e “nomes de peso”, que não tiveram metade dos problemas que tive (e que tive que resolver sozinho, tirando o foco do candidato, que é conhecer pessoas e buscar votos), dei um primeiro passo sólido.

Obrigado por serem a base dessa solidez. São vocês que me apoiaram nesse primeiro passo que quero comigo até o fim da jornada. E a jornada é longa, mas sempre começa com um simples passo.

Estou emocionado e feliz de ter cumprido com meu papel nessas eleições. Por não abandonar meus princípios e ideologias por facilidades. Feliz de ter sofrido, pois se aprende mais assim. Me sinto muito mais brasileiro, muito mais vivo e estou ansioso com o que vem pela frente! Estou feliz por ter vocês comigo.

Obrigado!

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1 ano de Fora Sarney

André Dutra | 14 de agosto de 2010 | 3:51
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Há um ano atrás nesse horário, mais ou menos, eu estava indo dormir, como hoje. Mas há um ano atrás eu tinha sido preso no Senado, ameaçado e agredido em frente à imprensa brasileira, junto com vários outros estudantes, simplesmente por usar de nosso direito à liberdade de expressão e opinião e pedir a saída de José Sarney do Senado. Foi no dia 13 de agosto de 2009 e meu relato foi publicado na madrugada do dia 14. Repito o gesto, de simplesmente publicar um pequeno relato, mas dessa vez recordando o dia em que o Brasil devia se envergonhar do que aconteceu com seus estudantes… mas esse dia já foi esquecido.

Leiam o relato completo aqui neste link.

Mas para a biografia daquele que espero ser um dos últimos grande coronéis de nosso país, isso não poderá ser calado: foi o homem dos atos secretos, dos 11 processos bruscamente engavetados, da violência aos estudantes e da intimidação, mentira e terrorismo psicológico. E lá se foi 1 ano de Fora Sarney!


Tomara que situações assim jamais se repitam no Brasil. O aprendizado foi grande e foi detalhado nessa entrevista de 6 meses atrás.Feliz aniversário a todos que querem um Brasil mais justo, mais digno, decente, ético e limpo! Feliz aniversário pra quem luta por isso e acredita nesse sonho!

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Notícias MTV – 11/08/10 – Jovens na Política (Tome Conta do Brasil)

André Dutra | 13 de agosto de 2010 | 12:22
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Pra quem não conseguiu assistir, tá aí minha participação no Notícias MTV, falando sobre juventude e política. Se tudo der certo, vou pegar a entrevistana íntegra pra compartilhar com vocês! Agradeço a atenção e gentileza da equipe que me gravou: @Mariana Haubert, @Eduardo Gomes e @Octavio Mendes! Agradeço também ao @Thiagones! A dica com o link do vídeo foi do Pedro Camargo. Espero que gostem, a matéria ficou bem legal!!!

httpv://www.youtube.com/watch?v=NR3-WusaIOk

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