Sim, nós (também) podemos!
André Dutra | 21 de janeiro de 2009 | 9:10E, finalmente, ontem o Presidente Eleito Barack Hussein Obama tomou posse como o 44º presidente dos Estados Unidos da América. (Em português – parte 1, parte 2 e parte 3)

Vista aérea do Capitólio lotado, durante a posse de Barack Hussein Obama – Washington, DC – EUA
Barack Obama venceu esta eleição mostrando estar muito bem preparado e bem assessorado. Sua campanha foi perfeita (palavra de vários publicitários). O momento histórico o ajudou: duas guerras não solucionadas (Afeganistão e Iraque), uma crise financeira sem precedentes desde 1929 e um dos mais atrapalhados e odiados presidentes em exercício, George W. Bush.
Obama reacendeu, primeiramente, a auto-estima e a vontade de mudança para melhor em seu povo. Em sua campanha, ele apanhou, bateu pouco (até menos do que eu imaginava ser o necessário) e seguiu praticamente o tempo todo com o mesmo tom. A mudança era possível e esta era a hora dela acontecer.
Menos de 46 anos depois do discurso de Martin Luther King Jr, em que ele dizia
"(…) Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter"
e 54 anos depois de Rosa Parks negar ceder seu lugar no ônibus a brancos (causando sua prisão e posterior organização de um boicote aos ônibus urbanos, os Estados Unidos elegem um homem negro para seu mais alto cargo administrativo. Historicamente, não se passou um segundo.
Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos reconhecem que há um grande problema racial. É histórico e continua sendo um problema. Mas é encarado como tal. No Brasil, finge-se que não há segregação racial, que somos uma mistura que vive harmonicamente, mas ao se olhar a bancada nordestina da Câmara dos Deputados, com seus 5% de deputados negros (sim, no Nordeste, onde a população negra está em torno de 70%), vê-se que estamos tapando o sol com peneiras.
Ele é um rosto diferente para o resto do mundo. Mandou congelar os julgamentos de Guantánamo. Pensa em acabar o embargo a Cuba. É diplomático e busca um governo de unidade nacional, entre republicanos e democratas. É inteligente, estudou nas melhores escolas e Universidades. Viveu uma realidade dura, mãe solteira, criado pela avó, pai estrangeiro e alcoólatra, uma multiracialidade num país segregador. Mesmo assim ele contruiu sua identidade, foi o primeiro presidente negro da Harvard Law Review (uma das mais importantes publicações jurídicas dos EUA), casou-se com outra graduada em direito de Harvard, Michelle e, após o primeiro mandato como Senador dos EUA, tornou-se presidente.
Mas saiamos da questão racial um pouco. Obama é renovação de verdade! Aos 47 anos de idade, representa uma cisão com os governantes de até então: ele não lutou a Guerra do Vietnã.
E antes que este post vire uma coisa abissal, vamos a uma das principais questões a se considerar com esta eleição, ao meu ver. Parece repetitivo por parte deste blogueiro, mas Obama é produto da educação!
O primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, é também o primeiro presidente que ambos os pais possuem doutorado. É um acadêmico, lapidado pela educação, casado com uma acadêmica. Ele é a prova de que todas as camadas sociais de quaisquer sociedades, podem (e devem) usar a ferramenta da educação como instrumento para o progresso.
O excesso de esperança depositado no presidente pode levar a uma grande frustração futura. A priori, vale levar em conta a mitologia e simbologia criada em torno de Barack Hussein Obama. Jovem, negro, carismático, diplomático, orador fervoroso, acadêmico. Não há como se saber se ele será a solução para a Crise atual, os conflitos vários ao redor do mundo, aquecimento global e mudança climática entre outros problemas.
Mas culturalmente, ele já representa uma vitória para o mundo. Um passo a mais para o reconhecimento global de que somos uma espécie igual, em um mundo diferente, com problemas reais e que devem ser solucionados. Um passo a mais para a mudança.
Espero poder falar mais sobre o assunto em breve. Esperarei a semana acabar, digerir um pouco mais a avalanche de informações desde ontem e fazer uma análise melhor sobre o discurso de posse do presidente Barack Hussein Obama.
Nós aqui, em terras tupiniquins, podemos aprender muito com isso. Sim, nós também podemos mudar! Sim, nós podemos renovar nossos quadros políticos e dar uma guinada histórica em nossa recentemente restabelecida democracia. E sim, nós podemos reaver nossa esperança em nosso futuro, educar nossas crianças e jovens e buscar um Brasil melhor.
Sim, nós podemos.












