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Da rede para as ruas

André Dutra | 26 de setembro de 2011 | 11:19
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Há alguns anos venho participando de mobilizações sociais de uma forma mais pujante. A mais envolvente, até hoje, foi o “Fora Sarney” em 2009, material vasto aqui no blog. Ainda no governo FHC, também participei de marchas anticorrupção, como vemos hoje em dia pipocarem pelo país. Deixo aqui com vocês interessante matéria sobre o assunto, publicada no Correio Braziliense de ontem, escrita pela jornalista Paula Filizola e também deixo a entrevista integral que concedi a ela. Espero que gostem! =)

Ações anticorrupção investem no poder de mobilização pela internet (clique para matéria completa)

(…) Um estudo divulgado em junho deste ano pela empresa Box1824 aponta que 59% dos jovens brasileiros não têm preferência por partidos políticos. Muitos afirmam não se sentirem representados da forma como deveriam pelo poder público. “Eu acredito que o jovem hoje é muito consciente sobre política e bastante ativo também”, ponderou o analista de sistemas Giderclay Zeballos, um dos organizadores do Movimento Contra a Corrupção. Participante ativo desde os tempos do colégio, o funcionário público André Dutra testemunhou as passeatas de 1992 nos ombros da mãe. Agora, pede a saída de quem considera corrupto. “O papel social do jovem é ser revolucionário e servir de locomotiva para carregar a outra parcela da população para as melhorias que desejamos”, avaliou ele, que recentemente começou uma campanha de fiscalização e denúncia, através de fotos, para cobrar melhorias do governo do DF.


Clique para ampliar

Entrevista na íntegra:

Paula Filizola – 1. Quero que você me fale da sua experiência em movimentos como o Movimento Contra a Corrupção. Foi seu primeiro? O que você acha desses eventos?

André Dutra – Não foi minha primeira participação. Participo de mobilizações sociais desde a época da escola e comecei com mais ativismo durante meu Ensino Médio, no Centro de Ensino Médio da Asa Norte – CEAN. Lá sempre organizávamos passeatas e manifestações em frente à Regional de Ensino da Secretaria de Educação do DF, que fica próxima à escola. Antes disso também fiz parte de outro grande movimento contra a corrupção, ainda no Governo FHC, quando houve uma grande marcha na Esplanada dos Ministérios em 1998. Também me manifestei no dia 05 de setembro deste ano sobre a corrupção nas prioridades do governo, tendo como grande exemplo a obra do Estádio Nacional Mané Garrincha. Aquela obra é uma corrupção nas prioridades, pois nossa Saúde, Educação, Segurança, Transporte e serviços públicos em geral continuam indignos, desestruturados e péssimos.

P.F. – 2. Na sua opinião, qual é o perfil das pessoas que participam dessas marchas?

A.D. – Em sua maioria, jovens. É papel social do jovem ser revolucionário, descontente com uma realidade imposta e sem perspectiva de melhorias. O jovem de hoje é quem norteará o futuro, então cabe a essa parcela da sociedade ser a locomotiva social que carregue o restante da população para as melhorias que desejamos.

Além disso, as manifestações atuais estão sendo encabeçadas pela classe média, que normalmente vinha se afastando das ruas. É importante que essa classe média se integre com o restante do povo, para que vire uma manifestação completa da sociedade. A melhoria é para todos, o fim de corrupção é para todos, logo todos têm que estar lado a lado, algo que não foi facilmente visto no 7 de Setembro. É uma auto-crítica importante de ser considerada, pois Brasília é setorizada urbanamente o que a fez se setorizar socialmente. Temos que destruir as barreiras que dividem nossa sociedade em setores.

P.F. – 3. Quais são as reinvindicações principais? É realmente totalmente apartidário?

A.D. – A próxima marcha contra a corrupção terá, de fato, proposições. Senti falta de proposições na primeira, era uma temática de abrangência enorme: fim da corrupção. Mas como? O que fazer para isto? Agora as reivindicações estão claras: fim do voto secreto no Congresso e pelo uso imediato da “Ficha Limpa”. Eu adicionaria aí a votação o quanto antes da Lei que institui a corrupção como crime hediondo.

O movimento em si, é apartidário sim. Vi pelas pessoas que se propuseram organizar. Mas há sempre os “caroneiros”, aqueles que tentam se valer de um movimento democrático e popular para obter ganhos políticos, como já vi na época em que organizei o Fora Sarney. Mas isso acaba sendo repelido pelo povo, que está ali lutando por ideias e não bandeiras ou discursos. O movimento, entretanto, tem que se manter apartidário, mas não apolítico, importante diferença que faz com que ele tenha coração e cérebro. Coração pelo seu ideal e cérebro por não matar a política, algo essencial para construção de uma sociedade melhor. Eu mesmo participo como cidadão que sou, em primeiro lugar e contribuinte. Minha coloração partidária em movimentos populares fica em casa.

P.F. – 4. Além da marcha contra a corrupção, o que mais você tem feito nesse âmbito? Quais outras manifestações já participou?

A.D. – Tirando aquelas da época estudantil, a minha maior participação foi no movimento Fora Sarney, aonde tive um papel mais central, organizando várias marchas e planejando com outros amigos o que chamamos de nossos “atos secretos”, com manifestações dentro do Congresso, entrega de pizzas e a culminância com nossa prisão ilegal pela Polícia do Senado, que resultou até audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, presidida pelo Senador Cristovam Buarque e com participação da Drª Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Além dessa, que tem destaque na minha história, participei do Fora Gilmar Mendes, à época Presidente do STF, Fora Arruda e demais manifestações sobre o escândalo da Caixa de Pandora.

Ultimamente tenho agido de uma forma diferente: fiscalizando e denunciando. Este mês fiz um vídeo mostrando as condições insalubres do transporte público, com infestação de baratas dentro de ônibus e das condições da Rodoviária do Plano Piloto e também tenho dado aulas e palestras voluntárias de conscientização política para alunos de escolas públicas, pois eles são minha esperança para um DF mais virtuoso.

P.F. – 5. O que te leva a fazer essas coisas, André? E participar dessas marchas?

A.D. – Eu tenho plena convicção de que Brasília tem todas as condições para ser exemplo não só para o Brasil, mas um modelo internacional de gestão e de estado de bem-estar social, com ótimos serviços públicos e condições iguais para a população atingir seus sonhos. Temos o Fundo Constitucional e uma imensa arrecadação de impostos, condições de aumentar investimentos em conjunto com o Governo Federal, uma estrutura de cidade completamente diferente do restante do país, propiciando mudanças estruturais.

O que me leva a me esforçar, usar meu tempo, conhecimento e energia é o amor que tenho por essa cidade e por esse país. Se Brasília e o Distrito Federal forem grandes exemplos, podemos cobrar do restante do país, mas hoje nossa imagem é negativa de norte a sul, mesmo sabendo que nossa população é honesta e não está envolvida no escândalo e deméritos de poucos. Participar das marchas, organizá-las, lutar por um país e uma cidade melhores é algo que impactará positivamente para a sociedade e também para mim, pois todos colheremos os benefícios. Até o cidadão mais abonado se beneficia com a justiça social, pois uma sociedade mais segura e igualitária é sinônimo de menos gastos privados com saúde, educação, segurança e outros.

P.F. – 6. Na sua opinião, qual é o papel das redes sociais hoje nessas marchas/manifestações?

A.D. – A internet e as redes sociais são ferramentas importantíssimas para esse tipo de mobilização. É a forma mais rápida, fácil e segura de se organizar pessoas que lutam por um mesmo objetivo. A grande dificuldade permanece em conseguir tirar as pessoas das redes e leva-las às ruas, que é onde realmente se faz a diferença. Vimos ao redor do mundo movimentos enormes de países inteiros, organizadas pela internet (como os movimentos pró-democracia nos países árabes e os movimentos por educação de qualidade no Chile). Até hoje nós brasileiros sofremos com a dificuldade em tornar movimentos de massa virtual em movimentos de massa real.

O que está acontecendo agora com os movimentos anti-corrupção país afora são um sinal de que as coisas podem estar mudando e eu torço para isso com todas as forças. Juntar algumas dezenas de milhares de pessoas é algo de extremo valor e essas pessoas estão de parabéns! Mas ainda precisamos tirar milhões da zona de conforto. A internet é uma grande aliada, mas a mobilização de rua não pode parar. Tenho muita fé e expectativa de que agora é a hora de transformarmos o Brasil em uma sociedade menos dócil para com injustiças e desmandos dos Poderes Públicos e nos tornarmos uma sociedade de protesto a favor do progresso para todos. E a internet só vem aumentando em importância para que isso se consolide.

P.F. – Você é formado em relações internacionais né? e tem quantos anos? Trabalha com que?

A.D. – Sou formado em Relações Internacionais e estou fazendo uma especialização em Gestão Pública. Tenho 25 anos, nascido e criado em Brasília. Atualmente sou funcionário público concursado do GDF e professor voluntário.

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A Polícia do Senado Federal e eu

André Dutra | 21 de março de 2011 | 10:46
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Como muitos de vocês acompanharam aqui mesmo no blog, minha relação com a Polícia do Senado Federal não é das melhores desde agosto de 2009 (podem ver outro link aqui, também). Eu bem queria ser amigo deles, mas eles não querem ser meus amigos! Acho que o “chefinho” não vai bem com minha cara, não sei se porque meu bigode não cresce ou se por outro motivo mais provável.

Enfim, desde aquele fatídico dia, muitas coisas aconteceram. Até falaram que nós estávamos corretos e eles (a Polícia do Senado – detalhe, Polícia uma vírgula, deviam ser chamados de seguranças) estavam bem errados. Não foi qualquer um que falou isso, está gravado na TV Senado, numa audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e dito pela Dra. Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Enfim, como muitas coisas naquela Casa, não deu em nada. Vida que segue, vivi muitas coisas desde aquele dia de 2009, até candidato a Deputado Distrital eu fui, voltei no Congresso várias vezes, desde visitas a amigos que trabalham até para assistir sessões ou visitar parlamentares. Em 2011, que mal começou, voltei lá algumas vezes, sempre pela porta da frente. Até que, no dia 24/02/2011 fui surpreendido na portaria da Chapelaria.

Fui fazer uma visita a uma amiga, nada demais, depois do expediente. Nada demais para uma 5ª-feira. De praxe, todos visitantes devem submeter-se à pasagem pelo detector de metais e passar seus pertences pela esteira de raio-x, dirigindo-se à portaria, avisando para onde vai e fazer o que (mesmo que seja “tratar de assunto particular”) e ser docemente encaminhado até seu destino. Mas isso não aconteceu comigo.

Naquela quinta, uma mensagem apareceu na tela de computador da segurança do Senado. Uma mensagem pop-up que dizia: “Consta ocorrência de usuário com o RG: XXXXXXX seu CPF é XXXXXXXXXXX. Entre em contato com a Central de Operações. (ramal 4444)”. Meu RG, meu CPF e a cara da segurança olhando pra mim como se eu fosse o bin Laden.


A Polícia do Senado e eu – restrição de entrada (clique para ver maior)

Surpresa pra ela, surpresa pra mim, acho que ninguém tinha se deparado com aquela mensagem ainda! Não fosse constrangedor o suficiente ficar esperando pela ligação do segurança para a Polícia do Senado, segurando minha CNH e olhando desconfiado pra mim, dizendo “é um jovem que alega ir visitar o gabinete do Senador Cristovam”, mesmo comigo falando que sou jovem, mas sou membro de um partido, cidadão e eleitor, podendo visitar aquelas dependências por qualquer um desses motivos. Não contentes, fui escoltado acompanhado de um senhor da Polícia do Senado até a sala da Delegacia (eu fico besta com essas nomenclaturas), onde fui recebido pelo pelo senhor deste vídeo aqui (o mais educado no dia da truculência, bem articulado, com boas argumentações, MAS errado ainda assim):

Ao perguntar a ele se havia algum problema especificamente e, se sim, qual seria (já que não tinha nada a ver surgir uma restrição com por um motivo passado e resolvido – em tese), me respondeu que não era problema específico, mas um “novo sistema em teste, para apresentar à Presidência da Casa, onde no futuro todos teriam que consultar um funcionário antes de entrar”. Era aleatório. Achei bizarro, mas não quis aumentar a prosa, ele ligou na minha amiga, ela falou que já estava esperando por mim há algum tempo e eu fui liberado a entrar, depois de cadastrar em nova portaria meu RG e colocar a observação com o nome de quem “liberou” minha entrada. No momento em que fomos fazer isso em outra portaria, adivinha? Pop-up de novo com a restrição Aleatório, né? Naquele dia fui embora, mas resolvi passar em outra portaria e outra vez apareceu a mensagem e eu registrei a imagem, como vocês viram acima.

Não gostei nem um pouco do tratamento diferenciado. Voltei outro dia, com uma testemunha e mais uma vez fomos parados. Ou melhor, EU fui parado na mesma portaria, da chapelaria. Meu amigo teve seu registro de entrada e liberação tranquilos. Ambos jovens, de terno e gravata, juntos, mas ele podia entrar e eu não, só depois de consultar a Polícia. Pelo telefone liberaram a entrada, mas fui lá pedir satisfação. Se negaram a falar qual o motivo da restrição e muito menos a dar resposta por escrito, a não ser que eu protocolasse o pedido. Redigi o texto, assinei e um amigo protocolou no dia seguinte tal requerimento:


Requerimento (clique na imagem para ampliar)

Curiosamente, no dia em que fui com meu amigo, também entramos na Câmara dos Deputados, pelo Anexo II e não houve problema algum!

Na última 6ª-feira, 18/02/2011, voltei ao Senado para ver se havia resposta e MAIS UMA VEZ fui barrado na porta. Depois de passar por toda aquela situação chata (assim que cheguei, os próprios seguranças da portaria já me reconheceram e eu até brinquei falando que já podiam ligar na Polícia, que eu era persona non grata ali…), entrei e fui rastrear meu requerimento. Está ainda em trânsito interno.

Amanhã, 3ª-feira, vou lá de novo. Com cópias do meu requerimento. Já sei que serei barrado na porta e depois de uns 20 minutos vão me deixar entrar, mas dessa vez quero entregar as cópias a alguns Senadores, não apenas do PDT. Espero que alguns entendam a gravidade de uma situação dessas que hoje é só comigo, um Zé Ninguém, mas que aquele prédio bonito no final da Esplanada é para todos os cidadão brasileiros, Zés Ninguéns e Zés Alguéns, entrarem, cobrarem, fiscalizarem e até mesmo para conhecerem um pouco sobre nosso Parlamento. Não precisamos de motivo para entrar na Casa do Povo, apesar de todo dia eles nos darem vários motivos e mesmo assim não nos valermos deles.

Bem era isso. Texto longo, mas minha indignação é ainda maior. Peço que repassem esse post para amigos e quem mais puder se interessar. Hoje é comigo, amanhã pode ser com mais um tanto de gente.

Saiba mais sobre o que a Polícia do Senado faz com nosso dinheiro, além de dirigir SUV’s da Nissan e serem armados com Tasers:

E o velho do bigode comendo feijoada vegan com o Obama, tranquilo e calmo…

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1 ano de Fora Sarney

André Dutra | 14 de agosto de 2010 | 3:51
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Há um ano atrás nesse horário, mais ou menos, eu estava indo dormir, como hoje. Mas há um ano atrás eu tinha sido preso no Senado, ameaçado e agredido em frente à imprensa brasileira, junto com vários outros estudantes, simplesmente por usar de nosso direito à liberdade de expressão e opinião e pedir a saída de José Sarney do Senado. Foi no dia 13 de agosto de 2009 e meu relato foi publicado na madrugada do dia 14. Repito o gesto, de simplesmente publicar um pequeno relato, mas dessa vez recordando o dia em que o Brasil devia se envergonhar do que aconteceu com seus estudantes… mas esse dia já foi esquecido.

Leiam o relato completo aqui neste link.

Mas para a biografia daquele que espero ser um dos últimos grande coronéis de nosso país, isso não poderá ser calado: foi o homem dos atos secretos, dos 11 processos bruscamente engavetados, da violência aos estudantes e da intimidação, mentira e terrorismo psicológico. E lá se foi 1 ano de Fora Sarney!


Tomara que situações assim jamais se repitam no Brasil. O aprendizado foi grande e foi detalhado nessa entrevista de 6 meses atrás.Feliz aniversário a todos que querem um Brasil mais justo, mais digno, decente, ético e limpo! Feliz aniversário pra quem luta por isso e acredita nesse sonho!

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O desabafo de Domingos Dutra e a luta contra os Sarneys

André Dutra | 17 de junho de 2010 | 7:58
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*Atualização – 17/06/2010, 15hs39min – Manoel da Conceição retomar a greve de fome, indeterminadamente!

O Deputado Domingos Dutra (PT-MA) está em greve de fome desde o dia 11/06/2010, no Plenário da Câmara dos Deputados. Acompanhado do líder  Manoel da Conceição (que suspendeu a greve a poucas horas, pois há possibilidade de acordo), 75 anos, figura histórica e fundador do PT, Dutra denunciou o entreguismo no Maranhão…. O PT Nacional passou por cima do PT Maranhense e obrigou que o PT-MA retirasse o apoio a Flavio Dino (PC do B-MA) para a candidatura ao governo, entregando o apoio a ROSEANA SARNEY!

Eu não podia me calar em relação a isso. Um nojo, um nó na garganta e no estômago que msarne dá ver algo assim. Os Sarneys são tumores malignos que consomem nosso Brasil, nosso país, nossa PÁTRIA. Parasitas, se instalaram no Maranhão e pretendem se espalhar sempre, como uma boa infecção que o são. O vídeo é um grito de desespero do deputado, a quem devo saudar pela bravura. Bravura a qual reclamo estar em falta na nossa política, pessoas que tenham coragem para peitar os truculentos, os covardes que se valem de meios espúreos para se sobressair. Lutar contra os mesquinhos, assassinos, depravados, arrogantes, ‘coronéis’, putrefatos não é fácil. Os de bem são minoria, mas a luta é nobre, dura e vale a pena. Vejam só o grito que deveria ecoar por todo Brasil, um grito que tem implícito a palavra-chave que venho tentado ressoar: mudança!

Deputado Domingos Dutra (16/06/2010)

O Deputado também gravou um vídeo no plenário. Incrível ver a serenidade que ele manteve ao falar:

128 horas de fome

Sou um idealista, vou morrer acreditando e lutando por mudança. Mas dói, fere conviver com tanta maldade, miséria, selvageria… Ver Dutra, Deputado eleito, maranhense que luta contra a brutalidade dos Sarneys, homem que divide comigo o sobrenome e que descobri dividir o mesmo espírito aguerrido contra essas oligarquias que nos prendem e afastam do progresso em cima daquele púlpito, daquele Plenário onde eu estive poucos dias antes no papel de Presidente da Casa, simulando com dezenas de estudantes os trabalhos que políticos deveriam fazer para MELHORAR O BRASIL, me deixou chateado, indignado, orgulhoso (por ele), com raiva… uma mistura forte de emoções, impotência, vontade de mudar, de continuar lutando…

Estive lá numa forma simulada, mas que nos mostrou a realidade que é a vida política, a dificuldade em negociar interesses, mas que foi feito de forma limpa, justa, decente entre os estudantes. Isso me guarda o sonho, a esperança em que podemos derrotar essa miséria de espírito, esses hipócritas de terno, esses porcos interessieros que sugam a vida do Brasil.

Eu, na Câmara dos Deputados (clique na foto p/ ver maior)

A experiência que eu tive nessa simulação foi indescritível. Eleito por uma margem de apenas dois votos, onde a “adversária” era uma amiga super competente, senti o que era ter quase 80 ‘deputados’ te pressionando. Mesmo assim, tudo ficou no plano profissional, estavam todos com espírito de defender, segundo os diferentes princípios carregados individualmente, o que seria melhor para o coletivo. E hoje, na realidade, depois de sair daquela Mesa onde tive um dos momentos mais marcantes de minha vida ao ouvir o Hino Nacional Brasileiro, vejo que um homem, de 75 anos de idade, se impõe uma greve de fome, última ‘arma’ ou atitude disponível para batalhar contra quem não consegue dialogar. Contra quem não enxerga o povo, as necessidades, muito menos o vermelho-sangue que mancha nossa História e que está grudado e marcado em várias figuras políticas que ainda mandam e desmandam no Brasil.

Fica aqui mais um grito, algo que pode ser oco, palavras soltas na web. Mas se for contra Sarney e contra as famílias mesquinhas, desumanas, carrascas de nossa pátria; se for a favor dos que precisam de ajuda, dos que não têm escolha senão sofrer, dos que amam e desejam defender o Brasil; se for pelo bem, pela luta por um país e um mundo melhor: contem comigo. Contem com meus gritos. Os gritos de quem já foi preso naquele Senado, comandado por Sarney, por falar contra o ‘coroné’.

Posso viver rouco, morrer sem voz, mas morro com o sonho de que cada um de nós pode contribuir para melhorar nosso mundo.

Por isso eu grito e continuarei gritando: Fora Sarney, Fora Arruda, Fora Roriz, Fora Corruptos(as) e Safados(as)! Viva a democracia! Mudança já! Renovação política! Eu acredito!

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Mobilização virtual – aprendizado com Fora Sarney e vitória comentada

André Dutra | 28 de janeiro de 2010 | 14:10
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As primeiras manifestações do Fora Sarney foram marcadas para o dia 1º de julho de 2009, após eu ter mandado uma mensagem no twitter. As manifestações já passaram dos seis meses, desde seu início. Tiveram pontos altos, como as marchas nacionais (inclusive com participação de alguns artistas em várias capitais), até a prisão violenta e mordaz aos estudantes que protestavam no Senado (eu incluso) e a audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado para tratar sobre as violações aos direitos cometidas pela Polícia do Senado naquele dia. Tudo foi abordado e divulgado amplamente aqui no blog.

Seis meses depois, parece que fomos derrotados. Sarney continua não só Senador da República, mas ocupando a Presidência da Casa. Falei mais de uma vez a repórteres com que tive contato, que a velha raposa Sarney foi competente ao se blindar e a usar de todos artifícios coronelescos que ele tem na cartola. Usou até do bom conhecimento sobre política de Ulysses, tendo paciência, paciência e paciência. O fim de ano em conjunto com os escândalos do Mensalão do DEM, tiraram todo o foco do Senado e ele voltou a se esparramar em seu troninho.

Mas falei também, que tudo isso foi um amplo aprendizado para nós, sociedade civil e jovens insatisfeitos. O poder da internet é grande, porém claramente foi visto que não suplanta a iniciativa popular nas ruas. Outro e mais importante ganho que tivemos foi poder acabar com a imagem ilibada cultivada ao longo de décadas por este crápula. José Sarney morreria como o Homem que foi o primeiro Presidente da República civil após os anos de chumbo da ditadura, o homem que fez a ponte com os militares para e pela Democracia. Imortal da Academia Brasileira de Letras. Um bom samaritano que se manteve mais de 54 anos no poder. Após os escândalos e as manifestações nacionais contra Sarney, mostramos a biografia que ele realmente merece ter.

Sarney não terá oculta em sua biografia a grande mancha e retrocesso político que foi para nosso país. Ele é o homem que FUGIU de se defender de 11 (ONZE) processos no Conselho de Ética do Senado Federal; o homem que calou a Livre Imprensa; o vovô nepotista; o homem que viu a truculência da Polícia Legislativa que estava às suas ordens e nada fez para garantir os Direitos Humanos dos estudantes ILEGAMENTE e IMORALMENTE presos no Senado naquele dia 13/08/2009.

Em matéria ao Portal R7 (por Gabriel Mestieri), falamos mais sobre o que representou o Fora Sarney e sobre o papel da internet nas eleições de 2010. Vejam (clique aqui para ler no Portal R7):

Fundadores do “Fora Sarney” negam fracasso e dizem que internet vai fiscalizar candidatos em 2010
Para eles, protesto virtual não representou fracasso, mas “experiência”

Há cerca de seis meses, um protesto de moldes inéditos no Brasil incomodava o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Se nas ruas as manifestações eram tímidas, na internet um novo tipo de “grito” ganhava força: era o “#forasarney”, movimento na internet que tentava derrubá-lo do cargo.

Lutando contra escândalos, sendo o mais grave deles a revelação de que Sarney usava atos secretos para nomear parentes em cargos do Congresso, o presidente do Senado resistiu. Semanas depois, viu os protestos contra ele minguarem na rede. O estudante e funcionário público André Dutra, de 23 anos, que se engajou na luta contra Sarney, acha que faltou equivalência no “mundo real” das manifestações que ocorreram na internet.

- Se tivessem ocorrido manifestações de mil, 2.000 pessoas, as coisas poderiam ter sido diferentes. A pressão de um Conselho de Ética votando com o Senado lotado e as pessoas se manifestando seria diferente. A pressão popular faz com que o político pense duas vezes, ainda mais em ano precedente da eleição nacional. Faltaram conscientização e educação política [dos novos manifestantes da internet para isso acontecer]. O sentimento de comodismo prejudicou.

Dutra é um dos estudantes que no dia 13 de junho de 2009 ficou detido por cerca de seis horas no Senado. Levado pela Polícia Legislativa a uma sala na garagem da Casa, só foi liberado após a intermediação de parlamentares.

Apesar de não terem derrubado Sarney, as pessoas envolvidas nos protestos consideram que a experiência, longe de ser um fracasso, serviu para demonstrar que a internet é uma ferramenta com grande capacidade de mobilização política ainda inexplorada. É o que aponta o gaúcho Moah Souza, de 52 anos, um dos fundadores do site #forasarney.

- Esse movimento na web possibilitou que um número grande de pessoas que não tinha condições de participar encontrasse na internet um meio adequado para demonstrar sua revolta. Esse foi o grande o sucesso do nosso movimento. Nós inauguramos esse tipo de manifestação na internet.

Em 2010, Souza pensa que a internet pode servir para ajudar o eleitor a se informar e se conscientizar sobre seu voto.

- A internet servirá para que façamos denúncias de pessoas que não merecem voto, que estão comprometidas com seus projetos pessoais, com falcatruas. A luta do #forasarney continua, no sentido de ampliar a lista de pessoas que não merecem receber votos em 2010.

O estudante André Dutra concorda. Ele vê o Twitter como um recurso que pode aproximar os eleitores dos candidatos que receberão o voto. Como exemplo, o estudante cita o caso do deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido), que viu seu Twitter lotar de mensagens de indignação após seu nome ser envolvido em denúncias de esquema de corrupção no Distrito Federal.

- Vai ser a primeira eleição da internet de verdade no Brasil. Os candidatos e os eleitores vão usar Orkut e Twitter, e o político que estiver usando de uma maneira fingida não vai passar despercebido. A internet vai funcionar para aqueles que forem limpos e se mantiverem limpos. Quem deslizar não vai conseguir ficar.

A vitória pode ser interpretada de várias formas. Foi muito bom aprender e conhecer todos que conheci com este movimento. Mostramos que não estamos mortos. Esse ano será um ano para continuarmos lutando no virtual e no real, pois os dois devem coexistir e se amparar. Mas posso dizer com todas as letras que, mesmo com Sarney ainda ocupando a Presidência do Senado, me sinto com sensação de dever cumprido ao desmascarar para a História o que realmente ele é: tudo o que há de pior e de retrocesso para a política e o progresso do Brasil.

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Direito de ir e vir, liberdade de expressão e mais Direitos Humanos debatidos no Senado

André Dutra | 17 de setembro de 2009 | 23:27
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Hoje passei grande parte do meu dia no Senado Federal. Depois do fatídico dia 13/08, quando fui preso pela Polícia do Senado por ter me manifestado contra Sarney, dentro daquela Casa, ainda não tinha voltado ao Congresso. Dessa vez voltei pela porta da frente. Como vocês viram em meu post anterior, fui convidado para fazer parte da Mesa em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, com o intuito de debater sobre o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e outros temas relacionados, com ênfase no episódio da prisão citada.

Foi sensacional. Abaixo, coloco matéria na íntegra da Agência Senado. Em breve, colocarei vídeos e fotos que foram tiradas lá. Infelizmente a Comissão não lotou de gente, mas as pessoas que lá estavam eram de altíssima qualidade e esse simples fato é uma grande vitória, da qual me orgulho de ter feito parte.

Agora vamos continuar, em busca da manutenção de nossos direitos (dos mais básicos e elementares até aqueles que ainda estão capengando) e de justiça, pois o que foi feito tem que ser devidamente avaliado e que sejam aplicadas punições àqueles que violaram os Direitos Humanos e nossa Constituição Federal.

Além da matéria abaixo, vocês podem ver a reportagem que saiu no excelente site Congresso em Foco, onde a jornalista Renata Camargo fez um ótimo trabalho e detalha o que queremos fazer futuramente (pediremos à OAB que nos representem contra o que a Polícia do Senado fez naquele dia).

Fiquem então, com a matéria da Agência Senado:

COMISSÕES / Direitos Humanos
17/09/2009 – 14h50

Direito de ir e vir em debate

Dra. Herilda, Senador Cristovam e eu

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) realizou audiência pública nesta quinta-feira (17) para debater a Declaração Universal dos Direitos Humanos sob a ótica do direito de ir e vir das pessoas. Para o presidente da Comissão, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o Senado Federal vem dificultando a entrada de pessoas no prédio, submetendo-as a um rigor maior do que o usado para se ter acesso aos aviões de carreira, nos aeroportos.

O senador pelo DF apoiou a idéia de alguns estudantes presentes à audiência de procurar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cézar Britto, pedindo uma representação da Ordem contra o Senado, e também ouvir os responsáveis da Polícia do Senado pelo constrangimento sofrido pelos estudantes durante manifestação ocorrida no dia 13 de agosto passado. Cristovam não descartou a hipótese de acompanhar os estudantes, como representante do Distrito Federal.

Segundo André Dutra Silva Magalhães, estudante de Relações Internacionais do IESB, que participou da manifestação realizada contra o presidente do Senado, José Sarney, os estudantes não estavam agindo como vândalos, nem quebrando nada, apenas percorrendo os corredores do Senado e manifestando sua opinião.

- Foi constrangedor termos sido detidos pela Polícia do Senado e ficado mais de três horas na sala de segurança, unicamente por estarmos nos manifestando sobre posições políticas que estavam sendo debatidas no próprio plenário da Casa. O “Direito de ir e vir” representa um dos direitos mais básicos de uma democracia. Se, dentro do Congresso, já não podemos nos manifestar, o próximo passo será impedir que o façamos na universidade ou nas ruas? – perguntou.

O estudante exibiu um filme feito durante as manifestações e fez um apelo aos senadores para garantir, a todos, estudantes ou trabalhadores, o direito de se manifestarem, de modo ordeiro, dentro do prédio do Congresso.

A advogada Herilda Balduína de Souza, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pediu providências contra o arbítrio que na opinião dela está acontecendo atualmente nos prédios do Congresso, onde, segundo a advogada, pessoas estariam enfrentando dificuldades de entrar nos prédios e procurar senadores e deputados.

- Hoje, 17 de setembro, eu mesma precisei mostrar meu convite para participar desta audiência. É direito de todo brasileiro manifestar sua opinião, mas os governos somente gostam de manifestação a favor e o Congresso está seguindo esse exemplo ruim – disse.

Herilda lembrou que, até durante a ditadura militar era possível entrar no Congresso e, “quando se era expulso, não era por agentes do Legislativo, mas pela Polícia do Exército”. Para ela, a segurança demasiada acaba violando os direitos humanos mais básicos.

-Se não podemos ir até a Biblioteca, procurar um senador, assistir a uma sessão do Senado ou da Câmara, nossos direitos de eleitor estão sendo violados. Não estou defendendo baderna nem violência, mas o acesso ao Congresso e aos congressistas precisa ser assegurado a todos. Não existe democracia com unanimidade, sempre haverá quem discorde e essa pessoa tem direito de manifestar suas idéias livremente – concluiu Herilda.

Direitos

Para Cristovam, o Senado descumpriu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em especial o direito de se manifestar e o direito de ir e vir, a que todos têm direito numa democracia. Para ele, não podemos cercear a liberdade de ninguém de percorrer os corredores do Senado com camisas portando dizeres contra ou a favor de quem quer que seja, afirmou.

O senador José Nery (PSOL-PA) se declarou “assustado” com a ausência do reitor da Universidade de Brasília e do secretário da Polícia do Senado, previstos para depor na audiência, e lamentou que tão poucos senadores estivessem presentes, para prestigiar o evento.

- A crise não foi resolvida, foi apenas abafada. Não fabricamos denúncias, são fatos que essa Casa se recusa a esclarecer. Se elas foram arquivadas no Conselho de Ética, deveríamos abrir uma CPI para investigar os desmandos de gestão pública no Senado que chegou ao cúmulo de lavrar centenas de atos administrativos secretos – disse.

José Nery destacou que a crítica faz parte da democracia e todos precisam aceitar esse fato. Para ele essa audiência pública representaria uma oportunidade de se discutir esses acontecimentos. Ele lamentou que tivesse havido tão pouco interesse por parte dos senadores em defender os direitos previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Laura Fonseca / Agência Senado

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Fora Sarney no Jornal do Universitário

André Dutra | 2 de setembro de 2009 | 18:51
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É isso aí galera, a luta continua firme e forte! Aí embaixo deixo as imagens do Jornal do Universitário aonde o Levy Brandão fez ótima matéria sobre esse caso de vergonha nacional. Tive a oportunidade de ser entrevistado e vocês podem ler, ao final, o que escrevi e também ver uma fotinha minha. Aos universitários de Brasília, fiquem atentos, pois a edição impressa é distribuída gratuitamente nas universidades/faculdades do DF. Clique na imagem para ver maior:

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