Trabalho escravo no Brasil, uma triste realidade
André Dutra | 19 de março de 2010 | 15:54Mês passado, a convite do Senador José Nery (PSOL-PA), participei de uma sessão do Senado que tratava da 1ª Semana de Combate ao Trabalho Escravo. Essa ainda é uma atividade que acontece em vários locais do Brasil e não apenas nos rincões mais distantes.
O senador José Nery (PSOL-PA) anunciou a criação da Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo. Em pronunciamento na sessão do Senado que marcou o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, realizada nesta quarta-feira (10), o parlamentar informou que a frente já nasce com a participação de 195 deputados federais e 55 senadores.
Autor do requerimento para a sessão especial e também do PLS 71/07, que originou a lei que cria a semana e o dia de combate ao trabalho escravo (Lei 12.064/09), o parlamentar afirmou que nada há para ser celebrado ou comemorado, uma vez que não se tem constatado a redução do trabalho escravo. Para ele, o Dia Nacional, em 28 de janeiro, deve ser usado para lembrar as diversas iniciativas de combate a esse “crime gravíssimo”.
A sessão especial se realiza 13 dias após a data em que se comemora o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, em 28 de janeiro. Nessa data, em 2004, três auditores do trabalho e o motorista que os conduzia foram mortos numa emboscada em Unaí, no noroeste de Minas Gerais, quando investigavam denúncias de escravidão nas fazendas da região, razão pela qual a data foi escolhida para o enfrentamento do problema. (Link completo com todas as informações, clique aqui)

Saudações (Clique na imagem para ver maior)
Para ouvir o discurso do requerente da sessão, Senador Nery:
Links para baixar o discurso: Discurso Parte 1 Discurso Parte 2
Coloco este post hoje, pois foi veiculado nacionalmente o escândalo do trabalho escravo de imigrantes bolivianos na rede de lojas Marisa!
Escravidão de imigrantes é flagrada em oficina ligada à Marisa
Etapas do processo desde o aliciamento até as lojas do magazine foram apuradas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), que aplicou 43 autos de infração, com passivo total de R$ 633,6 mil – Por Maurício Hashizume*
São Paulo (SP) - A ligação entre o trabalho escravo de imigrantes sul-americanos e a Marisa, uma das maiores redes varejistas do país, foi atestada por um novo rastreamento de cadeia produtiva do setor de confecções.
Etapas do processo que se inicia no aliciamento e termina nas lojas do grande magazine foram apuradas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE-SP), que responsabiliza a Marisa em 43 autos de infração, com passivos da ordem de R$ 633,6 mil – dos quais R$ 394 mil se referem à sonegação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os auditores exigem também que a empresa faça o registro dos envolvidos, promova a rescisão indireta e pague os direitos correspondentes.
O ponto de partida foi uma operação fiscal da SRTE-SP realizada no último dia 18 de fevereiro, que inspecionou todas as instalações de uma pequena oficina de costura registrada como Indústria de Comércio e Roupas CSV Ltda., em nome do boliviano Valboa Febrero Gusmán.
No sobrado da Igreja ”Boas Novas de Alegria” localizado na Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte da capital paulista, a fiscalização encontrou 16 pessoas de nacionalidade boliviana (uma delas com menos de 18 anos) e um jovem peruano trabalhando em condições análogas à escravidão na fabricação de peças de vestuário feminino para a Marisa, que se apresenta como “a maior rede de lojas femininas do país”.
Um absurdo! Que a luta contra o trabalho escravo, trabalho infantil e demais tipos de trabalho que apresentem condições insalubres para a vida humana seja amplamente combatida e penalizada!





















