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Da rede para as ruas

André Dutra | 26 de setembro de 2011 | 11:19
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Há alguns anos venho participando de mobilizações sociais de uma forma mais pujante. A mais envolvente, até hoje, foi o “Fora Sarney” em 2009, material vasto aqui no blog. Ainda no governo FHC, também participei de marchas anticorrupção, como vemos hoje em dia pipocarem pelo país. Deixo aqui com vocês interessante matéria sobre o assunto, publicada no Correio Braziliense de ontem, escrita pela jornalista Paula Filizola e também deixo a entrevista integral que concedi a ela. Espero que gostem! =)

Ações anticorrupção investem no poder de mobilização pela internet (clique para matéria completa)

(…) Um estudo divulgado em junho deste ano pela empresa Box1824 aponta que 59% dos jovens brasileiros não têm preferência por partidos políticos. Muitos afirmam não se sentirem representados da forma como deveriam pelo poder público. “Eu acredito que o jovem hoje é muito consciente sobre política e bastante ativo também”, ponderou o analista de sistemas Giderclay Zeballos, um dos organizadores do Movimento Contra a Corrupção. Participante ativo desde os tempos do colégio, o funcionário público André Dutra testemunhou as passeatas de 1992 nos ombros da mãe. Agora, pede a saída de quem considera corrupto. “O papel social do jovem é ser revolucionário e servir de locomotiva para carregar a outra parcela da população para as melhorias que desejamos”, avaliou ele, que recentemente começou uma campanha de fiscalização e denúncia, através de fotos, para cobrar melhorias do governo do DF.


Clique para ampliar

Entrevista na íntegra:

Paula Filizola – 1. Quero que você me fale da sua experiência em movimentos como o Movimento Contra a Corrupção. Foi seu primeiro? O que você acha desses eventos?

André Dutra – Não foi minha primeira participação. Participo de mobilizações sociais desde a época da escola e comecei com mais ativismo durante meu Ensino Médio, no Centro de Ensino Médio da Asa Norte – CEAN. Lá sempre organizávamos passeatas e manifestações em frente à Regional de Ensino da Secretaria de Educação do DF, que fica próxima à escola. Antes disso também fiz parte de outro grande movimento contra a corrupção, ainda no Governo FHC, quando houve uma grande marcha na Esplanada dos Ministérios em 1998. Também me manifestei no dia 05 de setembro deste ano sobre a corrupção nas prioridades do governo, tendo como grande exemplo a obra do Estádio Nacional Mané Garrincha. Aquela obra é uma corrupção nas prioridades, pois nossa Saúde, Educação, Segurança, Transporte e serviços públicos em geral continuam indignos, desestruturados e péssimos.

P.F. – 2. Na sua opinião, qual é o perfil das pessoas que participam dessas marchas?

A.D. – Em sua maioria, jovens. É papel social do jovem ser revolucionário, descontente com uma realidade imposta e sem perspectiva de melhorias. O jovem de hoje é quem norteará o futuro, então cabe a essa parcela da sociedade ser a locomotiva social que carregue o restante da população para as melhorias que desejamos.

Além disso, as manifestações atuais estão sendo encabeçadas pela classe média, que normalmente vinha se afastando das ruas. É importante que essa classe média se integre com o restante do povo, para que vire uma manifestação completa da sociedade. A melhoria é para todos, o fim de corrupção é para todos, logo todos têm que estar lado a lado, algo que não foi facilmente visto no 7 de Setembro. É uma auto-crítica importante de ser considerada, pois Brasília é setorizada urbanamente o que a fez se setorizar socialmente. Temos que destruir as barreiras que dividem nossa sociedade em setores.

P.F. – 3. Quais são as reinvindicações principais? É realmente totalmente apartidário?

A.D. – A próxima marcha contra a corrupção terá, de fato, proposições. Senti falta de proposições na primeira, era uma temática de abrangência enorme: fim da corrupção. Mas como? O que fazer para isto? Agora as reivindicações estão claras: fim do voto secreto no Congresso e pelo uso imediato da “Ficha Limpa”. Eu adicionaria aí a votação o quanto antes da Lei que institui a corrupção como crime hediondo.

O movimento em si, é apartidário sim. Vi pelas pessoas que se propuseram organizar. Mas há sempre os “caroneiros”, aqueles que tentam se valer de um movimento democrático e popular para obter ganhos políticos, como já vi na época em que organizei o Fora Sarney. Mas isso acaba sendo repelido pelo povo, que está ali lutando por ideias e não bandeiras ou discursos. O movimento, entretanto, tem que se manter apartidário, mas não apolítico, importante diferença que faz com que ele tenha coração e cérebro. Coração pelo seu ideal e cérebro por não matar a política, algo essencial para construção de uma sociedade melhor. Eu mesmo participo como cidadão que sou, em primeiro lugar e contribuinte. Minha coloração partidária em movimentos populares fica em casa.

P.F. – 4. Além da marcha contra a corrupção, o que mais você tem feito nesse âmbito? Quais outras manifestações já participou?

A.D. – Tirando aquelas da época estudantil, a minha maior participação foi no movimento Fora Sarney, aonde tive um papel mais central, organizando várias marchas e planejando com outros amigos o que chamamos de nossos “atos secretos”, com manifestações dentro do Congresso, entrega de pizzas e a culminância com nossa prisão ilegal pela Polícia do Senado, que resultou até audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, presidida pelo Senador Cristovam Buarque e com participação da Drª Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Além dessa, que tem destaque na minha história, participei do Fora Gilmar Mendes, à época Presidente do STF, Fora Arruda e demais manifestações sobre o escândalo da Caixa de Pandora.

Ultimamente tenho agido de uma forma diferente: fiscalizando e denunciando. Este mês fiz um vídeo mostrando as condições insalubres do transporte público, com infestação de baratas dentro de ônibus e das condições da Rodoviária do Plano Piloto e também tenho dado aulas e palestras voluntárias de conscientização política para alunos de escolas públicas, pois eles são minha esperança para um DF mais virtuoso.

P.F. – 5. O que te leva a fazer essas coisas, André? E participar dessas marchas?

A.D. – Eu tenho plena convicção de que Brasília tem todas as condições para ser exemplo não só para o Brasil, mas um modelo internacional de gestão e de estado de bem-estar social, com ótimos serviços públicos e condições iguais para a população atingir seus sonhos. Temos o Fundo Constitucional e uma imensa arrecadação de impostos, condições de aumentar investimentos em conjunto com o Governo Federal, uma estrutura de cidade completamente diferente do restante do país, propiciando mudanças estruturais.

O que me leva a me esforçar, usar meu tempo, conhecimento e energia é o amor que tenho por essa cidade e por esse país. Se Brasília e o Distrito Federal forem grandes exemplos, podemos cobrar do restante do país, mas hoje nossa imagem é negativa de norte a sul, mesmo sabendo que nossa população é honesta e não está envolvida no escândalo e deméritos de poucos. Participar das marchas, organizá-las, lutar por um país e uma cidade melhores é algo que impactará positivamente para a sociedade e também para mim, pois todos colheremos os benefícios. Até o cidadão mais abonado se beneficia com a justiça social, pois uma sociedade mais segura e igualitária é sinônimo de menos gastos privados com saúde, educação, segurança e outros.

P.F. – 6. Na sua opinião, qual é o papel das redes sociais hoje nessas marchas/manifestações?

A.D. – A internet e as redes sociais são ferramentas importantíssimas para esse tipo de mobilização. É a forma mais rápida, fácil e segura de se organizar pessoas que lutam por um mesmo objetivo. A grande dificuldade permanece em conseguir tirar as pessoas das redes e leva-las às ruas, que é onde realmente se faz a diferença. Vimos ao redor do mundo movimentos enormes de países inteiros, organizadas pela internet (como os movimentos pró-democracia nos países árabes e os movimentos por educação de qualidade no Chile). Até hoje nós brasileiros sofremos com a dificuldade em tornar movimentos de massa virtual em movimentos de massa real.

O que está acontecendo agora com os movimentos anti-corrupção país afora são um sinal de que as coisas podem estar mudando e eu torço para isso com todas as forças. Juntar algumas dezenas de milhares de pessoas é algo de extremo valor e essas pessoas estão de parabéns! Mas ainda precisamos tirar milhões da zona de conforto. A internet é uma grande aliada, mas a mobilização de rua não pode parar. Tenho muita fé e expectativa de que agora é a hora de transformarmos o Brasil em uma sociedade menos dócil para com injustiças e desmandos dos Poderes Públicos e nos tornarmos uma sociedade de protesto a favor do progresso para todos. E a internet só vem aumentando em importância para que isso se consolide.

P.F. – Você é formado em relações internacionais né? e tem quantos anos? Trabalha com que?

A.D. – Sou formado em Relações Internacionais e estou fazendo uma especialização em Gestão Pública. Tenho 25 anos, nascido e criado em Brasília. Atualmente sou funcionário público concursado do GDF e professor voluntário.

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A corrupção nas prioridades

André Dutra | 6 de setembro de 2011 | 0:37
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O Distrito Federal passa há muitos meses, por uma grande carência de valores: entre aquilo que é algo importante para a coletividade e aquilo que é importante para um pequeno grupo. Há, nessa inversão de valores, um esforço maior para determinadas áreas, como as obras e propagandas, deixando em planos marginalizados outras áreas, como a Educação, a Saúde, o Transporte Público e outros.


(Clique na foto para ver maior)

Esse tipo de prática é também uma prática de corrupção. A corrupção nas prioridades do governo para com seu povo. É corrupção construir um viaduto ou um super estádio de futebol, enquanto o caos nos hospitais se mantém (e até piora), enquanto tantos alunos estão sem aulas nas escolas e enquanto pegamos ônibus caindo aos pedaços e infestado de baratas. Sim, baratas, vejam por vocês mesmos:

httpv://www.youtube.com/watch?v=LCJhbC6pvDE

Não sou contra o estádio e a Copa no Brasil, muito pelo contrário. Mas a inversão de valores proposta pelo governo que propunha um Novo Caminho para o DF, se valendo do que é melhor para pequenos grupos poderosos ao invés de atender às demandas e esperanças da sociedade é algo inadmissível! É um crime com os cidadãos do Distrito Federal construir uma obra que está custeada em quase R$700 milhões de reais (sem contar gramado, fiação de internet e Tecnologia da Informação e outros detalhes, que ainda somarão outros milhões de reais à obra), enquanto pegamos ônibus com infestação de baratas e sofremos nas filas de hospitais, nas escolas e nas ruas, cada dia mais inseguras.


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)


(Clique na foto para ver maior)

A capital do Brasil está cada dia mais perto de ser o grande exemplo para todo o Brasil, mas o exemplo de tudo errado. Este é o Velho Caminho, que continua a ser trilhado o nos levará a esta péssima posição: a capital da corrupção nas prioridades.


(Clique na foto para ver maior)

PS. Obrigado ao Lelê, grande amigo que me ajudou hoje e fez possível este post existir!

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Gene Sharp e a revolução por meio da paz

André Dutra | 17 de maio de 2011 | 16:22
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Pra quem não sabe, estou oferecendo uma oficina aos alunos e alunas dos 2º e 3º anos do CEAN, minha ex-escola, chamada “Oficina de ação social – (des)construindo o cidadão, sem ser chatão! É uma matéria optativa e a turma está praticamente cheia.  Minha intenção foi poder levar a eles conhecimento político, social e mesmo de áreas de minha formação, como algumas teorias de Relações Internacionais, economia política, noções de Direito, pensamento crítico etc. Não tive isso quando era estudante do Ensino Médio e acho que tem sido bem legal, tanto pra eles quanto pra mim, que aprendo bastante, também.

Hoje falamos sobre Maquiavel e discutimos sua célebre frase “os fins justificam os meios”. Em dado momento, ao final da aula, recomendei a leitura do livro “Da Ditadura à Democracia – um guia conceitual para a libertação”, de Gene Sharp (clique para baixar, versão em português).

Sharp tem 83 anos, é um cientista político estadunidense, pacifista e seus trabalhos inspiraram o levante popular no Egito, meses atrás. Seu trabalho, por sua vez, foi inspirado nos ensinamentos de Gandhi. Ainda há toques de conceitos como desobediência civil, de Thoreau,  boicotes econômicos e luta por direitos civis*. Para saber mais sobre Gene Sharp, sugiro leitura desse ótimo perfil feito pelo NY Times (em inglês).

Pra finalizar, deixo aqui o blog Da Ditadura à Democracia, onde se pode baixar vários documentos de Gene Sharp e conhecer mais do trabalho deste grande pensador!

* Fonte: Radar Global – Estadão

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A Polícia do Senado Federal e eu

André Dutra | 21 de março de 2011 | 10:46
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Como muitos de vocês acompanharam aqui mesmo no blog, minha relação com a Polícia do Senado Federal não é das melhores desde agosto de 2009 (podem ver outro link aqui, também). Eu bem queria ser amigo deles, mas eles não querem ser meus amigos! Acho que o “chefinho” não vai bem com minha cara, não sei se porque meu bigode não cresce ou se por outro motivo mais provável.

Enfim, desde aquele fatídico dia, muitas coisas aconteceram. Até falaram que nós estávamos corretos e eles (a Polícia do Senado – detalhe, Polícia uma vírgula, deviam ser chamados de seguranças) estavam bem errados. Não foi qualquer um que falou isso, está gravado na TV Senado, numa audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e dito pela Dra. Herilda Balduíno do Conselho de Direitos Humanos da OAB Federal.

Enfim, como muitas coisas naquela Casa, não deu em nada. Vida que segue, vivi muitas coisas desde aquele dia de 2009, até candidato a Deputado Distrital eu fui, voltei no Congresso várias vezes, desde visitas a amigos que trabalham até para assistir sessões ou visitar parlamentares. Em 2011, que mal começou, voltei lá algumas vezes, sempre pela porta da frente. Até que, no dia 24/02/2011 fui surpreendido na portaria da Chapelaria.

Fui fazer uma visita a uma amiga, nada demais, depois do expediente. Nada demais para uma 5ª-feira. De praxe, todos visitantes devem submeter-se à pasagem pelo detector de metais e passar seus pertences pela esteira de raio-x, dirigindo-se à portaria, avisando para onde vai e fazer o que (mesmo que seja “tratar de assunto particular”) e ser docemente encaminhado até seu destino. Mas isso não aconteceu comigo.

Naquela quinta, uma mensagem apareceu na tela de computador da segurança do Senado. Uma mensagem pop-up que dizia: “Consta ocorrência de usuário com o RG: XXXXXXX seu CPF é XXXXXXXXXXX. Entre em contato com a Central de Operações. (ramal 4444)”. Meu RG, meu CPF e a cara da segurança olhando pra mim como se eu fosse o bin Laden.


A Polícia do Senado e eu – restrição de entrada (clique para ver maior)

Surpresa pra ela, surpresa pra mim, acho que ninguém tinha se deparado com aquela mensagem ainda! Não fosse constrangedor o suficiente ficar esperando pela ligação do segurança para a Polícia do Senado, segurando minha CNH e olhando desconfiado pra mim, dizendo “é um jovem que alega ir visitar o gabinete do Senador Cristovam”, mesmo comigo falando que sou jovem, mas sou membro de um partido, cidadão e eleitor, podendo visitar aquelas dependências por qualquer um desses motivos. Não contentes, fui escoltado acompanhado de um senhor da Polícia do Senado até a sala da Delegacia (eu fico besta com essas nomenclaturas), onde fui recebido pelo pelo senhor deste vídeo aqui (o mais educado no dia da truculência, bem articulado, com boas argumentações, MAS errado ainda assim):

httpv://www.youtube.com/watch?v=EcheDMeKbOI&feature=player_embedded

Ao perguntar a ele se havia algum problema especificamente e, se sim, qual seria (já que não tinha nada a ver surgir uma restrição com por um motivo passado e resolvido – em tese), me respondeu que não era problema específico, mas um “novo sistema em teste, para apresentar à Presidência da Casa, onde no futuro todos teriam que consultar um funcionário antes de entrar”. Era aleatório. Achei bizarro, mas não quis aumentar a prosa, ele ligou na minha amiga, ela falou que já estava esperando por mim há algum tempo e eu fui liberado a entrar, depois de cadastrar em nova portaria meu RG e colocar a observação com o nome de quem “liberou” minha entrada. No momento em que fomos fazer isso em outra portaria, adivinha? Pop-up de novo com a restrição Aleatório, né? Naquele dia fui embora, mas resolvi passar em outra portaria e outra vez apareceu a mensagem e eu registrei a imagem, como vocês viram acima.

Não gostei nem um pouco do tratamento diferenciado. Voltei outro dia, com uma testemunha e mais uma vez fomos parados. Ou melhor, EU fui parado na mesma portaria, da chapelaria. Meu amigo teve seu registro de entrada e liberação tranquilos. Ambos jovens, de terno e gravata, juntos, mas ele podia entrar e eu não, só depois de consultar a Polícia. Pelo telefone liberaram a entrada, mas fui lá pedir satisfação. Se negaram a falar qual o motivo da restrição e muito menos a dar resposta por escrito, a não ser que eu protocolasse o pedido. Redigi o texto, assinei e um amigo protocolou no dia seguinte tal requerimento:


Requerimento (clique na imagem para ampliar)

Curiosamente, no dia em que fui com meu amigo, também entramos na Câmara dos Deputados, pelo Anexo II e não houve problema algum!

Na última 6ª-feira, 18/02/2011, voltei ao Senado para ver se havia resposta e MAIS UMA VEZ fui barrado na porta. Depois de passar por toda aquela situação chata (assim que cheguei, os próprios seguranças da portaria já me reconheceram e eu até brinquei falando que já podiam ligar na Polícia, que eu era persona non grata ali…), entrei e fui rastrear meu requerimento. Está ainda em trânsito interno.

Amanhã, 3ª-feira, vou lá de novo. Com cópias do meu requerimento. Já sei que serei barrado na porta e depois de uns 20 minutos vão me deixar entrar, mas dessa vez quero entregar as cópias a alguns Senadores, não apenas do PDT. Espero que alguns entendam a gravidade de uma situação dessas que hoje é só comigo, um Zé Ninguém, mas que aquele prédio bonito no final da Esplanada é para todos os cidadão brasileiros, Zés Ninguéns e Zés Alguéns, entrarem, cobrarem, fiscalizarem e até mesmo para conhecerem um pouco sobre nosso Parlamento. Não precisamos de motivo para entrar na Casa do Povo, apesar de todo dia eles nos darem vários motivos e mesmo assim não nos valermos deles.

Bem era isso. Texto longo, mas minha indignação é ainda maior. Peço que repassem esse post para amigos e quem mais puder se interessar. Hoje é comigo, amanhã pode ser com mais um tanto de gente.

Saiba mais sobre o que a Polícia do Senado faz com nosso dinheiro, além de dirigir SUV’s da Nissan e serem armados com Tasers:

httpv://www.youtube.com/watch?v=2__u_RmfX3U

E o velho do bigode comendo feijoada vegan com o Obama, tranquilo e calmo…

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1 ano de Fora Sarney

André Dutra | 14 de agosto de 2010 | 3:51
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Há um ano atrás nesse horário, mais ou menos, eu estava indo dormir, como hoje. Mas há um ano atrás eu tinha sido preso no Senado, ameaçado e agredido em frente à imprensa brasileira, junto com vários outros estudantes, simplesmente por usar de nosso direito à liberdade de expressão e opinião e pedir a saída de José Sarney do Senado. Foi no dia 13 de agosto de 2009 e meu relato foi publicado na madrugada do dia 14. Repito o gesto, de simplesmente publicar um pequeno relato, mas dessa vez recordando o dia em que o Brasil devia se envergonhar do que aconteceu com seus estudantes… mas esse dia já foi esquecido.

Leiam o relato completo aqui neste link.

Mas para a biografia daquele que espero ser um dos últimos grande coronéis de nosso país, isso não poderá ser calado: foi o homem dos atos secretos, dos 11 processos bruscamente engavetados, da violência aos estudantes e da intimidação, mentira e terrorismo psicológico. E lá se foi 1 ano de Fora Sarney!


httpv://www.youtube.com/watch?v=Wxh75vKppBo&feature=player_embedded

Tomara que situações assim jamais se repitam no Brasil. O aprendizado foi grande e foi detalhado nessa entrevista de 6 meses atrás.Feliz aniversário a todos que querem um Brasil mais justo, mais digno, decente, ético e limpo! Feliz aniversário pra quem luta por isso e acredita nesse sonho!

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Como foram as eleições indiretas no DF para Governador-Tampão: a grande farsa

André Dutra | 18 de abril de 2010 | 1:42
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Com 13 votos contra 5 votos para Ibañez (PT), 4 votos para Wilson Lima (PR) e 1 abstenção, Rogério Rosso (PMDB) foi indiretamente eleito Governador do DF. Um Governador “tampão”, que ficará até o final do ano (possivelmente) e que em tese servirá para fazer com que a Máquina Pública continue funcionando, mas sob a égide da idoneidade e correção que eram inexistentes. Mas não foi muita coisa que mudou!

Essa eleição foi, para mim, uma das maiores farsas e jogos de cena jamais vistos na História do Brasil. Brinquei em meu Twitter que esse cenário seria um prato cheio para um documentário a lá Michael Moore. São muitos interesses envolvidos na eleição de Rosso e do PMDB. Interesses escusos, que não vão de acordo com o interesse maior: da sociedade, cansada e desgastada com tudo o que acontece no DF nos últimos 11 anos. Ricardo Noblat d’O Globo fez excelente análise sobre isso. Veja:

Rogério Rosso, do PMDB, governador-tampão do DF

Acabou de ser eleito direto no primeiro turno. Votos se Wilson Lima, governador em exercício, migraram para ele. Rosso teve 13 dos 24 votos. Lima, 4.

Rosso (foto acima com a sua mulher, Karina) foi presidente da Codeplan, uma empresa estatal, durante o governo Arruda. E antes administrador de Ceilândia no governo Roriz.

Foi candidato do PMDB de Tadeu Felipelli, ex-cria de Roriz, e rompido com ele.

Dois deputados do DEM votaram no candidato do PT, Antonio Ibañes, ex-reitor da UnB.

Atualização das 19h09 – Quanta crueldade: O deputado Pedro do Ovo (PR), suplente do governador em exercício Wilson Lima, votou em Rogério Rosso (PMDB). Terá que devolver a vaga de deputado a Lima.

Fonte: Blog do Noblat

No mais, como sempre a sociedade civil foi tratada com descaso e desrespeito sem fim. Só a proibição da entrada na Galeria da Câmara Distrital já poderia ser vista como uma grande violência à democracia. Fui hoje pela manhã prestar solidariedade e apoio àqueles que dormiram por lá. O aparato policial era desproporcional à qualquer realidade, por mais inflada que esta fosse… ou seja, era polícia demais pra gente/perigo de menos. Desde que fique à frente do Fora Sarney aqui em Brasília, percebi que pra bandidagem (aquela comum, que não usa terno e gravata e que não é tratada como “autoridade”) a corrupção na política é essencialmente benéfica, não só pelos desvios dos recursos que deveriam ser alocados em segurança, mas pelo desvio do contigente policial para ‘combater’ estudantes armados de revolta e indignação política. Nem imagino quantos policiais ficam fora da rua e do impacto que isso pode e poderia ter na vida do cidadão comum…

Enfim, polícia demais; situação anti-democrática, mentirosa e desvirtuada; população enfurecida (com razão); desrespeito total com o povo (além de proibirem a entrada no prédio, instalaram telões do lado de fora da Câmara, mas sem som, impossibilitando o entender do que se passava na sessão lá dentro) só pode resultar em:

httpv://www.youtube.com/watch?v=J1mhQItrrfE

httpv://www.youtube.com/watch?v=09w6z2kTg4U

Defendo a Intervenção ainda mais, com esta ilegítima votação. Um teatro ridículo e chinfrim. Defendo o contexto exposto pelo Procurador-Geral, realmente Brasília não merece isso… não pode simplesmente acabar assim toda essa pataquada armada por essa mesma gente nojenta que agora, indiretamente (e ilegitimamente) pôde continuar no poder. Pra se ter ainda mais certeza, continuando com a interessantíssima análise do Noblat, vejam a contextualização da votação ao se olhar para os eleitores em questão – os Deputados (muitos deles envolvidos em todo escândalo de corrupção):

A ficha dos eleitores do novo governador do DF

Com 13 votos de um total de 25, Rogério Rosso (PMDB), ex-administrador da cidade de Ceilândia no governo Joaquim Roriz e ex-presidente de empresa estatal no governo José Roberto Arruda, acabou de ser eleito governador-tampão do Distrito Federal.

Vamos à ficha da maioria dos deputados que o elegeu:

1. Ailton Gomes (PR) – denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM

2. Benedito Domingos (PP) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM

3. Benício Tavares (PMDB) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM. Aparece em vídeo.

4. Eurides Brito (PMDB) - denunciada por causa do escândalo do mensalão do DEM. Aparece em vídeo enchendo a bolsa com dinheiro

5. Rogério Ulysses – expulso do PSB. Denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM

6. Roney Nemer (PMDB) - denunciado por causa do escândalo do mensalão do DEM.

Os deputados distritais Rubens Brunnelli e Leonardo Prudente renunciaram ao mandato por causa do escândalo do mensalão do DEM.

Brunelli apareceu em vídeo rezando pela graça alcançada de receber dinheiro do esquema. Prudente, escondendo dinheiro nas meias.

Os dois foram substituídos por Pedro do Ovo (PR) e Geraldo Naves (DEM), que também votaram em Rogério Rosso para governador-tampão.

Naves foi aquele que esteve preso na Penitenciário da Papuda até recentemente. Envolveu-se na tentativa de Arruda de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha-chave do mensalão.

Saiu da Papuda para ajudar a eleger o novo governador.

Rosso teve ainda mais dois votos de fichas-sujas:

* Batista das Cooperativas (PRP) – indicou funcionários para trabalharem na administração da cidade de Águas Claras. Vários deles fortam flagrados trabalhando na cooperativa do próprio deputado.

* Aguinaldo de Sena (PRB) – responde a processo por improbidade administrativa. Foi secretário de Esportes do governo Arruda.

Em resumo: dos 13 votos de Rosso, 10 estão manchados por escândalos.

Tem ou não de haver intervenção no Distrito Federal?

O Procuradror Geral da República está certo ao defender a intervenção

De 13 votos que elegeram Rosso, 10 foram proferidos por gentalha marcada com a sujeira da corrupção. É ou não é de se indignar? Que joguete foi esse? O que aconteceu nesse meio tempo, nos bastidores? Traição seguida com a própria perda de mandato ao se votar na chapa concorrente, como exposto acima…

Essa história não morre aqui. A tese de quem é a favor da Intervenção só é alimentada a cada dia que passa. Repito que a Intervenção é um remédio amargo, sim! Mas extremamente necessário para corrigir e curar esses sistema débil e moribundo que agoniza no DF. A mudança que deve vir em peso em outubro deve começar já e somente a Intervenção Federal propiciaria isso (por mais que ela não seja um total mar de rosas, não sou de todo ingênuo, mas é a melhor e mais legítima solução).

E que daqui pra frente novas caras entrem na política, com novas idéias, novas posturas e novo fôlego. Pessoas que tenham além de integridade, honestidade, idoneidade e competência (que é o básico do básico, convenhamos) sejam corajosas, audaciosas, responsáveis, apaixonadas por Brasília e seu povo e que levarão nossa cidade ao lugar a que realmente pertence: a de cidade dos sonhos de um novo Brasil.

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Chapas para eleição indireta a Governador do DF e Intervenção Já

André Dutra | 8 de abril de 2010 | 12:26
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Ontem foi o último dia para que os partidos políticos protocolassem suas chapas afim de concorrer à eleição indireta para Governador do Distrito Federal, já que o Ex-Governador Urtiga Arruda foi cassado por infidelidade partidária (e continua preso por tentativa de obstrução de investigação Federal) e o ex-Vice Governador Paulo Octávio renunciou para sair do foco dos escândalos. Além disso Leonardo, o imprudente do dinheiro nas meias, renunciou ao cargo de Presiddente da Câmara Legislativa do DF e de Deputado Distrital, para não ser cassado. Wilson Lima assumiu a presidência daquela Casa e logo depois a interinidade no GDF. Entenda como se dá este processo:

(Clique na imagem para ver maior)

A intervenção (ainda) não chegou e a eleição indireta foi marcada para o dia 17 de abril de 2010. Veja quem são os candidatos:

PMDB

Candidato a governador: Rogério Rosso

Candidata a vice: Ivelise Longhi

PRB

Candidato a governador: Aguinaldo de Jesus

Candidato a vice: Roberto Wagner

PT

Candidato a governador: Antonio Ibañez

Candidato a vice: Cícero Rola

PTB

Candidato ao governo: Luis Filipe Coelho

Candidato a vice: Estênio Campello

PRTB

Candidato ao governo: brigadeiro José Carlos Pereira

Candidata a vice: Simone Ribeiro Nunes

PV

Candidato ao governo: Nilton Reis

Candidata a vice: Deborah Achcar

PTN e PSL

Candidato ao governo: Newton Lins

Candidato a vice: Paulo Vasconcelos

PCdoB

Candidato ao governo: José Messias

Candidata a vice: Olgamir Amância

PR

Candidato ao governo: Wilson Lima

Candidato a vice: Jucivaldo Salazar Pereira

PSDC

Candidato ao governo: Virgilio Macedo

Candidato a vice: Valdenor Paranaense

Fonte: Blog da Paola

Não concordo com esta eleição, afinal olhem quem são os eleitores: Erika Kokay, Paulo Tadeu, Chico Leite e Cabo Patrício (PT); Reguffe (PDT); Jaqueline Roriz (PMN); Alírio Neto (PPS); Aguinaldo de Jesus (PRB); Benedito Domingos (PP); Benício Tavares, Roney Nemer e Eurides Brito (PMDB); Raimundo Ribeiro e Milton Barbosa (PSDB); Aylton Gomes (PR); Pedro do Ovo e Batista das Cooperativas (PRP); Raad Massouh, Paulo Roriz e Eliana Pedrosa (DEM); Cristiano Araújo (PTB); e Aguinaldo de Jesus (PRB).

Os candidatos que não estão listados, Tony Panetone e a vice Bezerra Dourada, do Partido dos Pães Natalinos (PPN) são os únicos que têm suas propostas colocadas de forma clara. Veja ele (qualquer semelhança com Bob Esponja é uma mera coincidência):

Tendo este cenário, só aumentam minhas certezas de que a Intervenção Federal no DF é necessária sim e tem um efeito didático e Histórico importantíssimo para o futuro e para a consolidação de um novo cenário político intra-institucionalmente e na mente das pessoas, longe do que falam aqueles que são contrários a ela (que seria uma afronta à democracia, que o DF funciona plenamente, etc, etc, etc). Os favoráveis à Intervenção foram ontem dar um abraço simbólico no STF em oposição ao abraço anti-intervencionista. Infelizmente eu não pude me juntar à trupe, pelo horário e dia (estava trabalhando e tive que sair direto para uma prova de final de curso), mas tentei propagar a manifestação pelo twitter e pessoalmente, entre conhecidos. Deixo aqui, também, meu apoio à tese da Intervenção. Vejam algumas fotos tiradas ontem (créditos das fotos a Ricardo Pipo e Welder Rodrigues):

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Brasília, DF, Ética, Fora Arruda, Fora Roriz, Juventude, Manifestações, Mudança, Política
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