O Formspring.me e a política podem dar certo!
André Dutra | 21 de fevereiro de 2010 | 17:23Há algum tempo o site de perguntas e respostas (que podem ou não virem no anonimato) Formspring tornou-se uma febre. Integrado a várias redes sociais (como o Twitter e o Facebook), também virou o queridinho de alguns famosos, que recebem perguntas por lá e as respondem.
Eu decidi fazê-lo e encarar as dúvidas que muitos não se sentem confortáveis em perguntar diretamente, por vários motivos, da vergonha à falta de intimidade, perpassando por críticas e mesmo ataques pessoais ou boberol pra relaxar. Desde que respeitadas as mínimas regras de convivência pessoal (sem xingamentos, obscenidades e falta de educação em geral) o serviço é muito interessante!
Primeiramente, ele mostra o quão somos pessoas normais! Seja no filme ou prato preferido ou perguntas complexas sobre teorias, filosofias e ideiais, somos todos humanos que têm suas convicções, concordâncias e discordâncias. Além do mais, o serviço é legal pra nos aproximar mais das pessoas que não tem a oportunidade ou vontade de conviver conosco, mas que têm vontade de conhecer um pouco mais de nossa personalidade.
Até agora conheci alguns dos percalços de ter minha conta lá, mas vivencio uma experiência bem legal! Já fizeram várias perguntas, de tudo quanto é tipo e o mais interessante é mostrar minhas idéias sobre dúvidas enviadas diretamente a mim. É muito mais do que eu apenas discursar sobre coisas que penso ou fazer um post. É mostrar diretamente o que se pensa sobre o questionamento de outrem.
Para as questões políticas que todos aqui estão cientes de que eu já marquei minha posição e acho que a hora é de renovar colocando a vontade, conhecimento, esforço e trabalho para fazer isto de fato, também é bem legal! Muitas perguntas me foram feitas com uma sofisticação e complexidades incríveis a respeito do que penso sobre política ou mesmo do que farei quando estiver exercendo um cargo eletivo. Minha lástima é a de ver que os políticos atuais além de usarem (e usarem mal) o Twitter por interesse e porque é a ferramenta mais interessante do momento, não têm coragem de se expor ao Formspring. Claro que teria todo o problema que já falei (da falta de educação), mas isso é consequência.
A consequência boa seria a de diminuir mais ainda o precipício que nos separa deles. Também se aprende muito ao se receber perguntas das pessoas. Nem sempre temos as respostas e isso exige que mantenhamos o ritmo de estudos e trabalho, para sempre podermos atender àqueles que esperam algo de você.
Um serviço que tinha tudo pra ser algo bobo e banal, como um joguinho de verdade e consequência, se mostrou para mim uma grande ferramenta de exercício e exposição das minhas convicções. E isso as fortalece em mim e também reforça a importância do debate, pois minhas respostas não são necessariamente bem aceitas pelo questionador ou são, levando a enriquecer mais os temas com mais e mais idéias!
Por essas e outras que eu gostaria de ver os todo-poderosos politicães usando a internet verdadeiramente, sem limites, como nós (usuários normais) o fazemos. Tentando usar de verdade, pessoalmente e às vezes desistindo de coisas chatas. Para deixar o gostinho da felicidade que tenho em responder as perguntas que me são enviadas, mesmo que complexas, deixo aqui duas que gostei bastante. Ah, lembrando que resolvi responder as questões de primeira, escrevendo o que vier à cabeça, para se aproximar mais do que seria caso fosse feita pessoalmente. Pergunte-me algo também, é só clicar na foto (desde que não seja alopração gratuita ;P)!
Sempre criticam-me por dizer o termo “Capitalismo Social” ou mesmo “Capitalismo mesmo selvagem”, quando me refiro a uma política econômica com os moldes da atual, sendo que todos “dançariam juntos”. O que acha disso? by fernandobagno
Acho que conversando poderíamos nos entender melhor, mas pelo jeito que vc me perguntou aqui, discordo.
Discordo pq o capitalismo em si já demonstrou que não é o sistema mais coerente e equilibrado para o longo prazo. Não creio, primeiramente, que Capitalismo possa combinar com Social, de forma alguma. Só a manutenção do status quo, já acaba com esse casamento entre os estilos de vida e econômicos.
Não tem como todos dançarem juntos no atual modelo de consumo. Precisamos de um modelo sustentável, que tenha na educação do ser humano uma prioridade, compromisso com o meio-ambiente e o que o capitalismo não gera em seu Estado: igualdade de oportunidades.
Com igualdade de oportunidades, o melhor – seja ele rico ou pobre – irá se beneficiar das melhores chances, consequentemente beneficiando o país.
Não vou cometer o erro crasso de comparar o Brasil com outros países, mas com políticas públicas voltadas à Educação, outros países saíram de péssimas condições para posições de alto desenvolvimento. Aí pergunto, como o Brasil tende a chegar à quinta posição no ranking das maiores economias daqui a 20 anos, se ainda ocupa a octagésima oitava posição em educação?
Atualmente vejo num modelo mais moderno do Keynesianismo, repensado e com características mais voltadas ao social, algo mais interessante e viável.
O Estado deve ser interveniente, na sociedade, sim, mas em poucas áreas (as essenciais): Saúde, Educação, Segurança e Transporte. Assim, o que o Estado capta em recursos dos cidadãos, deve ser devolvido para a população em ÓTIMOS serviços básicos. Para áreas diferentes destas, o setor privado teria plenas capacidades de alocação, manutenção e concorrência.
Um Estado de bem-estar social, justiça social e equilíbrio consciente entre consumo X meio-ambiente é possível. Os países nórdicos são os grandes exemplos pro mundo hoje. A Coréia do Sul outro grande exemplo da revolução da educação.
Nós somos o país com maior potencial há décadas, por tamanho, recursos, mão-de-obra etc. Mas seremos para sempre uma eterna promessa? Espero que não.





















