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Energia nuclear: o Brasil e o mundo em direções opostas

André Dutra | 1 de junho de 2011 | 23:41
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Ontem li uma nota no Blog do Noblat falando sobre o Brasil indo pela contra-mão mundial no que tange à energia nuclear. Vejam:

Brasil vai na contramão e amplia programa atômico

O Globo

No momento em que vários países decidem rever seus programas nucleares – segunda-feira, a Alemanha anunciou que vai desativar suas usinas até 2022 -, o Brasil toma a direção contrária e decide usar benefícios fiscais para estimular a ampliação de seu programa atômico.

Depois do acidente em Fukushima, no Japão, em março último, países como Suíça, Bélgica e China cancelaram ou suspenderam novas licenças para a construção de usinas.

Enquanto isso, o Brasil está construindo Angra 3 e a Câmara dos Deputados aprovou, semana passada, medida provisória que concede incentivos fiscais para compra de equipamentos a serem usados na geração nuclear.

A MP 517 ainda será votada no Senado. Além disso, o governo Dilma Rousseff deve manter a estratégia de mais quatro usinas até 2030, como previsto no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, hoje em revisão.

Ao lado de Angra 1, 2 e 3, as novas unidades dobrariam a fatia da fonte nuclear na geração de eletricidade, para 5%, informa a reportagem de Danielle Nogueira, Eliane Oliveira e Mônica Tavares.

É preocupante, depois da tragédia no Japão (em Fukushima), provocada por um terremoto de grandes proporções, que ainda pensemos em aumentar o uso desse tipo de energia. Em análise superficial, a produção causa poucos impactos e possui razoável custo-benefício. Entretanto, qualquer defeito, falha, desastre ou quaisquer tipos de imprevistos podem causar danos incomensuráveis e irreparáveis. É só ver o acontecido em 1986, na cidade ucraniana de Chernobyl, cidade que virou deserta depois do acidente na usina nuclear.

Ora, nosso país possui um extenso território, rico para a pesquisa e produção de diversos modais energéticos ecologicamente sustentáveis e renováveis, como luz solar e energia eólica, além do biodiesel e etanol. Até mesmo o pré-sal, sobre o qual tenho ressalvas, é menos perigoso do que uma novas fontes de produção de energia  nuclear, que podem alterar a vida de grande parte do país. Tendo esta preocupação, alguns meses atrás escrevi um pequeno artigo sobre o Senador Cristovam e sua preocupação que vinha sendo evidenciada a respeito da energia nuclear. Espero que gostem:

O Senador Cristovam Buarque e a energia nuclear (21/03/2011)

O terrível terremoto (e tsunami) que abalou o Japão e sua população, um dos mais fortes tremores da História, já é considerado o desastre natural financeiramente mais caro do mundo, podendo chegar a custar US$ 250 bilhões para a Economia japonesa. Há ainda a iminente ameaça de uma tragédia atômica naquele país. As estruturas de algumas usinas nucleares foram severamente prejudicadas e já há relatos de aumentos significativos do nível de radiação na cidade de Fukushima e até de contaminação de fontes de alimentos e água.


Cristovam em Chernobyl

O Senador Cristovam Buarque iniciou no Twitter uma grande discussão sobre o uso da energia nuclear, considerando esses graves problemas no Japão, bem como outros tristes episódios ocorridos, como o desastre em Chernobyl (Ucrânia), em 1986 e o envenenamento por Césio-137, em 1987 em Goiânia, que atingiu milhares de pessoas direta e indiretamente.

Cristovam chegou a sugerir um plebiscito mundial, via internet, sobre o uso de energia nuclear. Ainda em seu Twitter, ele disse “Além do Edgar Morin, propus também a Daniel Cohn-Bendit liderar o plebiscito mundial sobre uso da energia nuclear”. Edgard Morin é considerado um dos principais pensadores contemporâneos, antropólogo, sociólogo e filósofo francês. Daniel Cohn-Bendit é um político francês, de origem alemã, deputado europeu e co-presidente do grupo parlamentar Grupo dos Verdes/Aliança Livre Européia.

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A paz pelo assassinato: a dicotomia estadunidense

André Dutra | 2 de maio de 2011 | 11:58
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Não poderia deixar de comentar sobre o caso que simplesmente bombou a madrugada toda.: Osama bin Laden morre em mansão no Paquistão e é enterrado no mar (vale dizer que foi bizarra essa história de enterrá-lo nessa rapidez, no mar e com a justificativa – ainda que plausível – dos ritos islâmicos para o tratamento do corpo). Depois de algumas discussões via Facebook e Twitter, resolvi compilar aqui uma breve opinião.


Osama bin Laden

Proliferar paz com assassinato não é uma dicotomia muito “estranha”? O que a morte de Osama bin Laden tem a ver com disseminação da paz mundial? Morre um terrorista, nascem vários outros, o problema é muito mais sistêmico e profundo. Como se esquecer que lá atrás, na década de 1980, bin Laden e os talebãs foram armados, treinados e financiados pelo Governo estadunidense? Até apareceu uma figura que representaria a ele em Rambo 3 e em um final alternativo, John Rambo integra as forças rebeldes afegãs (abaixo)! hehehe.

httpv://www.youtube.com/watch?v=6a8_Hd4he_8

Tudo vai pelo viés, pela lente em que se vê o fato. Diz-se que o vencedor  é quem escreve a História. Entendo, perfeitamente, a alegria do povo dos EUA com a morte de Osama. MAS, daí a se ver (e vender) isso como um ato de paz., o papo muda.. os EUA disseminam ódio e terror há muito tempo. De uma forma diferente dos terroristas da Al Qaeda, mas disseminam.  Já dizia o ditado “Quem planta vento, colhe tempestade”…


Mansão onde bin Laden foi morto

Os EUA pagam o preço por ser a potência hegemônica mundial.  Um preço para manter o capitalismo como sistema em expansão entre os países e para levar a “democracia” além de suas fronteiras. É um preço que a elite paga. Hoje se tem como preço o medo, a paranóia, as guerras etc. Eles não são obrigados a isso, mas é por esse caminho  que definem sua estratégia para continuar como a potência solitária no planeta: se autodeterminar os xerifes do mundo.

Ora, o grande xerife com sua estrela cintilante pendendo no peito tem autoridade para fazer e desfazer. Matar um terrorista mundialmente procurado é problema? Seria um problema se o xerife quisesse resguardar os direitos da humanidade e se pronunciasse contra a barbárie e a carnificina, pondo a Lei e a Justiça como os grandes pilares da sociedade. Osaminha não poderia ter, então, um julgamento e sentença? Mesmo que fosse aquele teatrinho a lá Saddam Hussein no Iraque ou os tribunais de Nuremberg depois da II Guerra Mundial? Veja lá, minha intenção não é a de defender nenhum dos ditadores, terroristas ou seja lá como queiram chamá-los (prefiro continuar a designá-los ditadores e terroristas), mas sim de manter a coerência no discurso com a prática adotada.
Vejam aqui como foram alguns comentários feitos por um paquistanês no Twitter, que alega relatar a movimentação da operação que culminou com a morte de Osama bin Laden.

Vi a “felicidade” de muitas pessoas em comentários aqui na internet, no trabalho e na rua… mas felicidade porque? Isso vai realmente melhorar o mundo? Há ingenuidade suficiente pra se achar que os talebãs, a Al Qaeda ou sei lá quantos outros grupos venham a surgir no futuro só consigam ser operacionais com Osama ou sem Osama, com fulando ou com ciclano? Não fico feliz e nem triste, fico preocupado como as coisas são facilmente empurradas goela abaixo. E o “engraçado” é que tudo foi feito de uma forma que deixa toda essa história cheia de gargalos, questões mal respondidas e transforma isso tudo em um grande circo, uma nova teoria da conspiração. Vide a Globo News e outros veículos de comunicação exibindo uma montagem feita pelo site 4chan como se fosse o corpo de bin Laden.

httpv://www.youtube.com/watch?v=XrOKOfVxqwI&feature=youtu.be
Íntegra do discurso de Obama

Não suporto golpismo e Justiça com as próprias mãos. Matar à revelia seria crime contra a humanidade, violação dos Direitos Humanos. Mas nunca é, quando se trata do vencedor (seja ele quem for). Agora, enterrado no mar, como se terá provas sobre a morte dele? Ele foi executado, tiro na nuca? Morreu durante o tiroteio? Poderia ter sido capturado vivo e levado a julgamento? Não se dissemina paz, semeando ódio.

Mas no fim, fica aquela: “Ao vencedor, as batatas”.

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“O Mundo É Plano”, de Thomas L. Friedman

André Dutra | 7 de fevereiro de 2011 | 14:19
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Pessoal, reativando o blog e voltando um pouco o tema para as Relações Internacionais e Política, compartilho com vocês uma resenha crítica que fiz sobre o último capítulo do livro “O Mundo É Plano”, de Thomas L. Friedman. Nesse capítulo, Fridman fala sobre o 11/9 versus 9/11 (uma alusão ao ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center em 11 de Setembro de 2001 e da Queda do Muro de Berlin em 9 de Novembro de 1989).

Fiz esta resenha no meu primeiro semestre (2006) e acho legal como ao longo dos anos vamos nos lapidando, mas como princípios básicos, pétreos, têm a capacidade de continuar assim: intocados. Sinceramente, continuo achando Friedman fraco e extremamente alienado em seu “mundo perfeito do capitalismo feliz”. Leiam e compartilhem seus pensamentos. Não sugiro a compra do livro, porque é realmente ruim. Mas aos curiosos, vale a pena pegar numa biblioteca ou procurar num sebo, pra tirar a prova dos nove.

11/9 versus 9/11

No último capítulo de seu livro, Friedman inicia refletindo sobre dois momentos históricos causadores de mudanças drásticas no mundo e conseqüentes aplainadores globais: 9/11 e 11/9, que seguidamente caracterizam a data da queda do Muro de Berlim e dos ataques de 11 de Setembro e a conseqüente queda das Torres Gêmeas do World Trade Center. Nas palavras do autor, “(…) Essas duas datas representam as duas formas de imaginação em competição: a imaginação criativa de 9/11 e a imaginação destruidora de 11/9. Uma derrubou um muro e abriu as janelas do mundo – tanto as do sistema operativo quanto do tipo pelo qual olhamos para fora de casa. Descerrou metade do planeta e tornou os cidadãos daquela parte do mundo nossos parceiros e competidores potenciais. A outra derrubou o World Trade Center, fechando o restaurante Janelas do Mundo para sempre e erguendo novas e invisíveis muralhas de concreto entre os povos, num momento em que acreditávamos que o 9/11 as destruíra para sempre. (…)”.

Ele tem a capacidade de comparar essas duas datas sob um prisma mesquinho e pobre, tanto intelectualmente, quanto de um ponto de vista literalmente humano. São acontecimentos totalmente díspares, mas que na mente do autor tem uma conexão totalmente lógica e aceitável. Podemos enxergar, ao longo do texto, sua tendenciosidade e sua visão neo-liberal, capitalista e conservadora, até mesmo no próprio tratamento dado aos países islâmicos, generalizando suas populações e comparando-os aos “bandidos” de “imaginação doentia”. Chega às vezes a ser contraditório, tentando adotar uma postura um pouco menos agressiva, mas sempre colocando o Tio Sam como o Deus de nossa época, o certo, o salvador.

Também chega a ser engraçado ao vê-lo comparar as duas datas supracitadas com um suposto diálogo de ambas as partes. Primeiramente algum húngaro sonhador, visionário, imaginando uma cena linda de vitória da liberdade entre os povos, através de sua boa ação de abertura de fronteira com a Áustria. Já anos depois, um diálogo malévolo envolvendo Osama bin Laden e seu plano de atingir as Torres Gêmeas exatamente “entre o 94º e o 98º andares”. Aqui, em ambas as histórias, ele joga no lixo inúmeras variáveis que levaram à sucessão dos eventos. Ele descarta inclusive a suposição mais provável, no caso da queda das Torres, de que ninguém esperava por seus colapsos e em seguida suas quedas, inclusive os mentores do ataque. Foi algo surpreendente. E se ele realmente defende isso, é colocar tais seres num pedestal, numa redoma de competência, que passa a contrariar sua idéia de bandidagem tosca, assassinos fanáticos.

Quando da queda do Muro, Thomas Friedman mostra na sua visão como os Estados Unidos eram a unipotência, dona do mundo e como seus jovens eram livres para viajar e tudo o mais. Claro, aqueles que possuíssem capacidade financeira para isso, um mero detalhe… já após os atentados de 11 de setembro, ele nos fala como tudo isso se perde, como o medo fica aparente. E novamente nos força a esquecer todo o passado de guerras estadunidenses, toda sua atual tirania, ao nos passar mais um insosso exemplo, ou melhor, mais uma comparação irreal, entre um empresário bem sucedido montando sua empresa aérea e o produto do planejamento terrorista que através de vários meios (entre eles o treinamento, financiamento, compras e investimentos no setor aeroviário), culminou no fatídico ataque às Twin Towers.

Lê-se que achata-se o mundo de duas formas através da “imaginação”: usando-a para elevar todos a um nível sublime ou rebaixar todos ao mesmo nível. Pensando como “americano”, Friedman diz que “quem deve dar o exemplo” ao mundo de como se portar, são eles, os estadunidenses que vivem em “sociedades livres e progressistas” e têm de “ser os melhores cidadãos globais”. Porém, argumenta que os planos de ataque do 11 de setembro não foram descobertos por uma “falha da imaginação”. Muito conveniente. É realmente conveniente dizer que eles não tinham gente suficiente em sua comunidade de informação que “possuísse uma imaginação doentia semelhante às de bin Laden e Khalid Sheikh Mohammed”. Realmente chega a beirar o extremo da conveniência.

E quando o autor coloca a maior parcela de culpa pela atual situação estadunidense no presidente W. Bush, é colocar a visão do leitor num microcosmo surreal. Por que não lembrar de Clinton, Bush pai, Reagan, Nixon, entre outros, quando se fala de exportação de medo? Por que não lembrar da política social e economicamente predatória utilizada pelo seu país natal, além da Máquina de Guerra que jamais cessa seu funcionamento? E dizer que o resto do mundo tem “inveja” de um suposto otimismo e “ingenuidade dos americanos” porque precisam disso? Friedman tem a megalomania, a capacidade de dizer que tal inveja do “resto do mundo” ante o pensamento todo-poderoso dos americanos é “uma das coisas que ajudam o mundo a continuar girando” e que se os americanos deixarem de ser a “’fábrica de sonhos’ do mundo, nosso planeta não somente ficará mais sombrio, como também mais pobre.”. É muita prepotência!

Segundo Friedman, “(…) Nas sociedades que têm mais recordações do que sonhos, muita gente passa muito tempo olhando para trás.”. Isso faria com que essas sociedades pensassem nostalgicamente, embelezando seu passado e deixando de olhar para frente. Cita entre as questões que devem ser realmente levadas em consideração, o combate à proliferação de armas de destruição em massa, necessidades de reformas nos países árabes e criação de acionistas entre os pobres do mundo. Mas o autor novamente peca ao exagerar em seu cinismo e em sua glorificação do “american way of life”. Diz que procura um estilo de liderança americana que vise construir sua base de apoio no mundo inteiro. Ou seja, o interesse estadunidense prevalecendo acima dos demais. Mais uma vez se porta como se estivesse falando de uma nação onipotente, ao dizer que ninguém pode com eles, além deles mesmos. Será que ele se lembrou disso ao ver as Torres em chamas, em Manhattan? Friedman diz que muita gente no mundo odeia Bush por ele ter tomado a decisão de lutar contra o terrorismo e que, com isso os Estados Unidos teriam deixado o papel de exportadores de esperança a exportadores de medo. Mas Friedman parece não ler o que ele próprio escreve: “Nós somos o Quatro de Julho. Somos o 9/11.”. Ele toma para si a vitória das Alemanhas divididas, o orgulho de uma nação sofrida e abatida por vários fantasmas e que não teria nem o direito a honrar a queda do Muro da Vergonha por seus próprios méritos. Isto passa a ser pior que exportar medo. Falar isso abertamente, em nome de seu país, é exportar ódio.

A partir daí, o autor passa a citar exemplos de “boas imaginações” visualizadas no mundo. Analisemos estes exemplos:

1.      eBay – é inadmissível comparar o mundo com um site de internet. Uma comunidade online não significa nada, comparada a todo um universo de pessoas que nunca nem mesmo viram um computador em sua frente. Seus exemplos de sucessos pessoais, de como as pessoas são iguais no eBay, desde um poderoso executivo, até o menino deficiente físico (sim, ele usa esse exemplo – surreal), são de fazer brotar lágrimas nos olhos dos desavisados. Porém, ele não nos adverte sobre a população jovem carente que busca refúgio no Estado por não ter dinheiro para se sustentar, que se alista no Exército em busca de um salário para manter a família e que em troca são mandados para o inferno da guerra. Ele não fala que os negros não são negros na internet, pois apenas os negros ricos podem viver online e se alegrarem com as estrelinhas de reconhecimento do eBay. Friedman cega os leigos ainda mais. Esta história de sucessos do eBay funciona perfeitamente para a parcela da população estadunidense retratada pelo autor. Este é um mundo cheio de altos e baixos, longe de se mostrar plano.

2.      Índia – o autor tem razão quando fala dos estados islâmicos autoritários, quanto ao modo que tais Estados se portam desproporcionadamente violentos. Mas aqui ele demoniza genericamente estes Estados e não apenas seus governos. Falando das maravilhas do segundo maior Estado islâmico do mundo, a democrática e não violenta Índia, nos oferece mais uma história bonitinha e maquiada sobre uma visão ínfima da realidade autêntica. É curioso que a Índia não tenha participação ativa e conhecida em grupos islâmicos terroristas, como grandes parcelas da população de outros países o fazem. Mas não passa de uma mera curiosidade. Isto não chega a influenciar o mundo de tal forma que padrões sejam criados ou destruídos. Ao citar o que ele parece transparecer como sua visão de uma diferença entre culturas, ao citar o pai de um amigo islâmico cuja família dividiu-se em duas, partindo metade para o Paquistão e a outra metade permanecendo na Índia, diz basicamente que a diferença entre um muçulmano que cresce na Índia do que cresce no Paquistão é que ao ver seu igual prosperar, o primeiro deseja ter o mesmo para si, já o segundo deseja destruir seu igual por ele ter prosperado. O autor nos generaliza um ponto de vista pessoal, vendido como uma verdade. E ele ainda cogita que, quando não há um caminho para realização de sonhos, parte-se para a concentração na ira. Isto é um pensamento plausível, mas será que a sociedade estadunidense e ocidental não oferece a escolha para diversos caminhos que levem também à insatisfação e raiva?

Os grandes cérebros indianos são extirpados de seu país pelos Estados Unidos (principalmente) e outros países ocidentais. Fisgados como jovens jogadores brasileiros de futebol pelos grandes clubes europeus. O indiano terceirizado, explorado, que recebe absurdamente menos que um mesmo funcionário estadunidense ganharia, é feliz. Mas é feliz devido ao seu já vigente grau de miséria e falta de perspectiva. É muito bonito vender histórias de uma dúzia de sucessos num país como a Índia. Mas e o “resto”? Como ficam os quase 1 bilhão de pessoas que não partilham deste mundo planificado?

3.      A Maldição do Petróleo – Aqui ele basicamente fala que os países que mais têm abundância de petróleo são os que menos desenvolvem sua estrutura social, política e que mantêm os Estados com a população mais subjugada. O inverso também seria o encontrado na realidade. Não está longe da realidade. Vide a Venezuela seu presidente Chávez, entre outros exemplos. Mas percebe-se também que esse ódio por países donos do petróleo habita o pensamento do autor, no alto de seu conservadorismo e pensamento neo-liberal estadunidense. Friedman simplesmente ignora o fator civilizacional (HUNTINGTON, Samuel) e cultural, tratando os meios de governo de países como a Arábia Saudita e Irã como governos que revertem reformas. Que reformas? Não que seja um modo de vida  perfeito, modelo, mas talvez, simplesmente não é possível se mudar uma cultura secular da noite para o dia. Ou melhor, por mais que se tente mudar, nunca deve-se mudar pela imposição. Novas visões não encontram berço em civilizações se forem impostas, pois este não é um processo natural de “amadurecimento” de tal civilização.

4.      Basta um Bom Exemplo – Friedman nesta parte fala sobre uma empresa muito bem-sucedida árabe. E continua a fazer comparações descabidas! Ao comparar a empresa árabe Aramex, que cotou suas ações na Nasdaq com mega-corporações como a Apple, Microsoft e Dell, ele faz vista grossa para detalhes do tipo: política empresarial capitalista, ou seja, predatória; monopólio corporativo; poder transnacional; entre outros fatores relevantes que colocam empresas como estas, acima de qualquer grande empresa do oriente.

5.      De Intocáveis a Intocáveis – Novamente Friedman se atrapalha e cai numa arapuca criada por ele mesmo. Ao iniciar seu pensamento falando da diferenciação brutal de castas na Índia, o autor mais uma vez comete um deslize ao se ater no bom exemplo de um cidadão, apenas. Este bom exemplo é Abraham Georges, indiano, criado nos Estados Unidos, onde fez fortuna. Voltou para seu país natal, onde foi investir sua  riqueza nas classes mais baixas, tentando fazer a diferença de baixo para cima.

É lindo, não fosse o tom meloso adotado pelo autor para encobrir uma realidade mais dura deste mundo irregular e nada planificado que ele tenta varrer para baixo dos tapetes persas das raras figuras de sucesso. É ótimo sonhar, ter um exemplo num homem como Georges, porém isto não é o mundo. Logo a tentativa que Friedman faz de explicar o mundo com estes argumentos (adotados por ele como máxima verdade) é no mínimo sensacionalista, digna de um tablóide que venda alegria em frascos juntamente com sua edição. É lógico que não apenas as crianças intocáveis indianas, como qualquer uma que tenha a oportunidade de desenvolvimento e crescimento irá desenvolver-se e crescer.

Até mesmo os garotos que poderiam morrer por Arafat. É lógico que se a atual conjuntura mundial fosse outra e ele tivesse a oportunidade de mostrar todo seu potencial, ele conseguiria realizar aquilo que guarda como sua grande quimera.

Por isso que Friedman se equivoca em diversos momentos. Ele tenta morder e assoprar. E carrega um pensamento hipócrita, devidamente maquiado e pronto para a venda, que soa como uma chama de esperança para uma melhoria mundial.

Essa esperança é importantíssima de se ter, mas este caminho apresentado por Friedman é cheio de buracos. E estes buracos não deixam seu mundo ficar plano como ele gostaria.

Vale lembrar que o 11/9 ocorreu por mentes doentes e sedentas de uma vingança difícil de entender. Mas o 11/9 aconteceu graças a esse tipo de pensamento “friedmaniano”.

Já o 9/11 é produto europeu. Uma mudança radical nessa camada da sociedade mundial. E já que é 11/9 versus 9/11, que vença o pensamento onde a queda de tijolos foi muito mais significativa para o entendimento do que é a tolerância. Ao contrário de outra queda de tijolos, sangue e metal, que envenenou mais ainda a comunidade internacional com a mazela da intolerância, medo, ganância e mesquinhez.

André Dutra, dezembro de 2006.

Legal que nesses 5 anos muitas coisas mudam, mas o básico da informação continua a mesma. exemplos poderiam ser facilmente adaptados, como no caso do eBay, onde o Facebook poderia ser um novo exemplo, mas a opinião sobre o assunto e os paralelos propostos pelo autor continuariam os mesmos… e por aí vai!

Espero que tenham gostado! Abração!!!

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Tempos difíceis!!!

André Dutra | 30 de outubro de 2009 | 20:46
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Queridos leitores e leitoras. Vocês já perceberam que as coisas por aqui estão um pouco paradas, né?
Mas não é por falta de coisa acontecendo, nem por que eu estou com preguiça!!! Estou há duas semanas sem computador em casa e a faculdade também não dá folga.
Consegui um tempinho pra vir aqui. Façam o seguinte, até semana que vem o site ainda estará um pouco parado, mas não vão embora!
Nesse meio tempo, me sigam no Twitter, sempre estou por lá, pois é rapidinho e mais próximo de vocês.
Em breve voltarei e voltarei DETONANDO aquela droga de VLT (o tal bondinho moderno).
Brigado a todo mundo e acessem http://twitter.com/andredutra12

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Lançamento da Cátedra UNESCO-IESB sobre Desafios Sociais Emergentes

André Dutra | 11 de junho de 2009 | 15:51
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Segunda-feira passada (08/06) aconteceu o lançamento da Cátedra UNESCO-IESB sobre Desafios Sociais Emergentes.

A Mesa de abertura foi composta pelo Senador Cristovam Buarque; Professor Ricardo Diez-Hochleitner, Presidente Honorário do Clube de Roma; Ministro Lélio Bentes, do Tribunal Superior do Trabalho; Eda Coutinho, Diretora Geral do IESB; Professor Heitor Gurgulino, Vice-Presidente do Clube de Roma e ex-Reitor da Universidade da ONU; Liliane Rímoli, diretora de Responsabilidade Social do IESB; tenente-coronel Leonardo Moraes, Administrador da Ceilândia; e Professor Célio da Cunha, Assessor especial da UNESCO no Brasil. (FOTO)


Mesa de abertura da Cátedra IESB-UNESCO

Após a Mesa de Abertura, ocorreu o Simpósio "Crise Global e Oportunidades para a Paz: por um novo pacto de desenvolvimento sustentável e justiça social", que teve a composição e palestras do Senador Cristovam Buarque; Professor Ricardo Diez-Hochleitner; Eda Coutinho; Professor Heitor Gurgulino; Professor Eugênio Aragão, Sub-Procurador Geral da República; Dr. Nikhil Chandavarkar, membro da Organização das Nações Unidas; e Ministro Joaquim Barbosa, do Superior Tribunal Federal. (FOTO)

 
Mesa de palestrantes da Cátedra IESB-UNESCO

Pude, ainda, participar da construção do documento "Pacto de Brasília", feito por alunos de diversos cursos e com a intermediação dos professores Eugênio Aragão, Aninho Mucundramo, Fernando Elias e Cristiano Abreu, bem como dos demais trabalhos realizados e ser respondido nas palestras.

Abaixo alguns vídeos do evento (aumente o volume, pois foi difícil captar o som):

httpv://www.youtube.com/watch?v=LbnkG-kdpnU

httpv://www.youtube.com/watch?v=XD5J0iVJDHM

httpv://www.youtube.com/watch?v=IlUqesxssXM

httpv://www.youtube.com/watch?v=vXtlHpunpB4

 

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Lançamento da Cátedra UNESCO IESB sobre os Desafios Sociais Emergentes

André Dutra | 7 de junho de 2009 | 15:02
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Acontece amanhã o lançamento da Cátedra UNESCO IESB sobre os Desafios Sociais Emergentes!

Segue o convite, que contará com a participação de nomes de peso como o senador Cristovam Buarque e o ministro do STF Joaquim Barbosa.

Simpósio CRISE GLOBAL E OPORTUNIDADES PARA A PAZ:
Por um novo pacto de desenvolvimento sustentável e justiça social.

A crise que tomou conta do mundo no segundo semestre de 2008 surge como oportunidade ímpar para tomarmos consciência das distorções do modelo global de crescimento econômico e encontrar meios de superá-las.

Ao invés de reproduzir e sustentar as causas que desencadearam a crise, cumpre, com criatividade, construir um novo modelo de desenvolvimento que inclua todos e torne este mundo um lugar mais seguro para nós.

Para discutir alternativas, o IESB convidou professores de seu quadro e pensadores nacionais e internacionais para uma mesa redonda.

8h30 – Lançamento oficial da Cátedra UNESCO IESB sobre os Desafios Sociais Emergentes.

9h50 – Coffee Break.

10h20 – Palestra do professor Ricardo Diez-Hochleitner, (Presidente Honorário do Clube de Roma)
sobre o tema: Desafios da crise global para o desenvolvimento sustentável.

10h40 – Mesa Redonda sobre o tema da Palestra.

Mediador – Professor Heitor Gurgulino de Souza, (Vice-Presidente do Clube de Roma).

Participantes

·      Professor Eugênio José G. de Aragão,

·      Ministro Joaquim Barbosa,

·      Professora Eda Coutinho B. Machado,

·      Dr. Nikhil Chandavakar (Membro da Organização das Nações Unidas),

·      Senador Cristóvam Buarque e

·      Professor Ricardo Diez-Hochleitner.

Cada participante terá 15 minutos de intervenção

12h15 – Pausa para o almoço.

14h30 às 17h15 – Grupos de Trabalho para preparação do texto do Pacto de Brasília.

Facilitadores

·      Professora Marilene Polastro,

·      Professor Aninho Irachande,

·      Professor Fernando L. Ferraz Elias e

·      Professor Cristiano S. de Abreu.


Editor do texto

Professor Eugênio Aragão.

17h15 às 17h30 – Coffee Break

17h30 – Plenária para leitura e aprovação do texto do Pacto de Brasília.

18h00 – Encerramento.

 

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Lula, Obama e o G20

André Dutra | 2 de abril de 2009 | 15:08
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Em Londres, acaba a reunião do G20.

Além da declaração final do encontro, que reune chefes de Estado de nações desenvolvidas e em desenvolvimento, e das ações a serem implementadas, algo que marcou foi o tratamento dado ao Presidente Lula, pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Obama falou que Lula "é o cara" e que é o "político mais popular da Terra", entre outras tietagens.

Acho que essa foi a reunião mais divertida, na época mais delicada, que o G20 jamais teve!!!

Ah, só lembrando que o Presidente Lula foi o primeiro presidente latino a ser recebido pelo Obama na Casa Branca. Coisas interessantes podem sair daí (ou não)!

httpv://www.youtube.com/watch?v=eSUn_J__MUk

 

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